31 de julho de 2025
TARIFAÇO

Brasil, em nota, reage ao tarifaço dos EUA, diz que são injustas, vai reagir com Lei da Reciprocidade e fala em “falsos patriotas”

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Por Política Real com assessoria
Publicado em
Governo do Brasil divulga nota à imprensa Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 16/07/2026) Governo do Brasil, em nota na madrugada desta quinta-feira, 16, disse que o tarifaço de 25% é injustificável, não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio, que o Brasil vai iniciar os trâmites da Lei da Reciprocidade e acusam os traidores da pátria.

“São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros.”, disse.

 

Veja a nota:

 

 

NOTA À IMPRENSA SOBRE A IMPOSIÇÃO DE TARIFAS UNILATERAIS

CONTRA O BRASIL PELOS ESTADOS UNIDOS

 

 

O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um

marco lastimável.

 

O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à

imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de

Comércio de 1974.

 

Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do

próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5

bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil.

 

Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto

de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos

foi de apenas 3,1%.

 

O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras

multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para

defender os interesses nacionais.

 

Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do

Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações

baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações

sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil.

 

Demonstramos que são descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de

plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O PIX é

um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No

Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância

de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a

criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva

os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas

brasileiros.

 

Nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78

intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram

contrárias ao tarifaço.

 

O governo do Brasil seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia

e à renda dos brasileiros. Continuaremos a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos

mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do MERCOSUL com a

União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.

 

Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados

por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos

e a capacidade produtiva nacional.

 

O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei

de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema

no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

 

É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz

parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos

patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos

por objetivos eleitoreiros.

 

Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania

é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo

brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.

 

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

 

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)