Estados Unidos confirmam tarifaço de 25% contra o Brasil que começa a valer no 22 de julho; Marco Rubio disse que Brasil não negociou com o Brasil de “boa-fé”
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(Brasília-DF, 16/07/2026). Na noite dessa quarta-feira, 16, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou, o fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pelo governo americano e a aplicação de tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados aos EUA.
A decisão é chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, e entrará em vigor em 22 de julho.
A tarifa foi justificada alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento.
Segundo o representante americano de comércio, Jamieson Greer, a medida busca proteger os interesses econômicos dos EUA e é necessária "para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas."
Ele afirmou ainda que as negociações entre os dois países ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília.
A lista dos produtos alvo das tarifas é extensa e inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas e calçados e material elétrico. Já itens como café, laranja, suco de laranja e carne bovina, por exemplo, ficaram fora da cobrança adicional.
Em publicação na rede social X, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu a decisão do governo Trump de impor tarifas de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras.
"Não haja dúvidas sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé", escreveu.
Rubio também afirmou que as políticas econômicas de Lula são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros" e acusou o presidente brasileiro de colocar "o próprio ego" à frente de um acordo "para o bem-estar do povo brasileiro".
"Essas tarifas são o preço disso", acrescentou.
Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável".
Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Nessa terça-feira ,14, antes do anúncio oficial das tarifas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro poderia adotar a reciprocidade caso os Estados Unidos confirmassem um novo tarifaço contra o Brasil.
"A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade. Tudo isso dentro de um cenário de avaliação cautelosa", afirmou a jornalistas.
O anúncio já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.
Em entrevista concedida há duas semanas à BBC News Brasil, o ministro afirmou que o governo brasileiro ainda tentava negociar um acordo de última hora com Washington, mas já admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável para o país.
O novo tarifaço, o segundo em um ano, é resultado de uma investigação aberta em julho do ano passado, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974.
O mecanismo permite que o governo americano investigue práticas comerciais estrangeiras que considere injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos dos Estados Unidos e, ao fim do processo, adote medidas de retaliação como a aplicação de tarifas de importação.
No caso brasileiro, a investigação teve como principais alvos:
- supostas irregularidades relativas ao funcionamento do Pix;
- decisões judiciais contra plataformas digitais norte-americanas;
- tarifas concedidas pelo Brasil a produtos do México e da Índia que prejudicariam os EUA e;
- supostas falhas no combate à corrupção, à pirataria e ao desmatamento ilegal.
( da redação com informações da BBC. Edição: Política Real)