Danilo Forte, ao tratar dos problemas dos leilões de energia sob contestação, diz que o Brasil vai ficar menor na economia do mundo; ele criticou a pouca atenção as energias renováveis
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(Brasília-DF, 21/05/2026) A Política Real, num segundo momento, numa conversa com o deputado Danilo Forte (PSDB-CE), que comandou audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir os impactos do dos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP nº 02/2026 e 03/2026 – tratou dos impactos no setor produtivo e no meio ambiente.
Nessa quarta-feira, 20, o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou recomendação direcionado ao Ministério de Minas e Energia (MME), à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para a suspensão imediata da homologação dos resultados e da assinatura dos contratos dos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP nº 02/2026 e 03/2026).
Confira o texto da conversa que a Política Real teve com o deputado do Ceará:
Política Real: Então, Danilo, ainda sob essa questão desse leilão, leilão histórico da economia nacional, eu gostaria que fosse mais preciso sobre a questão do setor produtivo e também do impacto ambiental. Nós acabamos de sair de uma COP 30. Essa é a outra preocupação do leilão.
Danilo Forte: Na medida em que, se você deixa a energia limpa, sol e vento, que não emite carbono, que não contribui para o acrescimento global, e essa é a grande virtude da energia verde, como ela é chamada, você está contratando o quê?
Você está contratando exatamente os emissores. E o que é pior, nesse leilão ainda tem um espaço para a térmica, a carvão mineral, que é a que mais emite carbono e que mais contribui para o aquecimento global. Então, você tem uma ideia, contratado todos esses 19 gigas que foram ofertados no leilão, que foram aprovados no leilão, que estão para homologação, nós vamos ter um crescimento na emissão, na geração de energia do Brasil, só de carbono, de algo em torno de 30%.
É muito. É quase um texto que é tudo que é feito hoje. Então, o Brasil que se vangloria de ser o protagonista da transição energética vai ser o algoz, vai ser um dos maiores emissores na geração de energia, contribuindo exatamente para aquilo que o mundo não quer, que são os desastres do clima que nós vivemos hoje.
Então, diante disso, mais uma preocupação, porque o setor, as pessoas que se dizem defensoras do meio ambiente, sumiram, calaram diante dessa situação, e quando ela na prática demonstra que o Brasil está andando na contramão do mundo e na contramão da necessidade que nós temos hoje de diminuir essas mudanças climáticas que têm prejudicado o mundo todo.
Então, eu acho que é mais um, dentro desse contexto, é mais um agravante, além de todos os outros, referentes à economia. Porque, inclusive, há uma mobilização do setor da indústria, através da Fiesp em São Paulo, através da FIEMG em Minas Gerais, através da FIEC no Ceará, através da CNI, que é a Confederação Nacional da Indústria, de dizer não a esse leilão, porque o Brasil vai ficar menor na economia do mundo, exatamente porque está aumentando abusivamente o preço da energia, quando nós nos orgulharmos de ter a energia mais barata do mundo, que é a energia do sol e do vento, no Nordeste brasileiro.
Política Real: Obrigado, deputado Danilo, pelo seu esclarecimento. Mais clareza para quem acompanha o nosso canal.
(da redação com informações de IA. Edição: Política Real)