31 de julho de 2025
PODER

Elogio de corpo presente é vitupério!

Os poderosos adoram que se falem deles, bem, claro. Alguns

Por Genésio Araújo Jr
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Elogio da loucura!! Foto: Instagram

(Brasília-DF)  Dizem que elogio de corpo presente é vitupério.  Isso poderia ter sido tirado de algum trecho do mais importante romance de Machado de Assis, “Memória Póstumas de Brás Cuba”, mas não saiu.

Como não vivemos na época do fundador da Academia Brasileira de Letras, que é cheia de políticos e de artistas de outras áreas além da literatura, hoje, se faz bem explicar o que seja a palavra vitupério.  Vem a ser algo como se fosse uma injúria, uma difamação, um mal falar.

Aprendemos que toda ausência é atrevida. Enfim, quando as pessoas ou coisas não estão à vista se costuma falar delas algumas verdades e inverdades, mas se fala. Quando falamos coisas boas de quem está ausente, fica evidente que os tais personagens tem grandeza.

Os poderosos adoram que se falem deles, bem, claro! Alguns, nesse tempo de pós-verdade, adoram que se falem deles de qualquer forma, ou bem, ou mal, mas falem.

Quando o Brasil começou a ser moderno, com a tal industrialização da Era Vargas, se sabia que o presidente, que foi ditador, também, adorava que se falasse dele nos meios culturais e mundanos.

Juscelino Kubstichek de Oliveira também adorava ser citado nos meios culturais, por vezes de corpo presente e de corpo ausente.

Mais recentemente, os líderes nordestinos,  José Sarney e Antônio Carlos Magalhães preferiam, mesmo fingindo que não incentivavam, ter seus nomes espalhados em obras e bens públicos, como se fossem heróis da sociedade.  Heróis vivos de uma sociedade que precisava ser salva de alguma coisa, qualquer coisa!

O culto da imagem é visto em democracias mambembes, em ditaduras, sejam de direita ou de esquerda, é uma mania dos poderosos.

Neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, a Acadêmicos de Niterói, é bom lembrar que a cidade que fica do outro lado da Ponte Rio-Niterói é a mais gauche do Estado do Rio de Janeiro – vai realizar em sua estreia na Marques de Sapucaí, o palco mundial do samba no Mundo, uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Destaque que é tudo inédito.

Nunca uma escola de samba do Rio de Janeiro fez uma homenagem a um presidente da República vivo e no poder. Destaque que Lula foi o único presidente da República, em tempos de democracia que foi eleito três vezes para chefiar o Governo e Estado do Brasil. Destaque-se que ele ficou 580 dias preso por crimes que acabaram sendo anulados e não inocentados, que vem a ser, na pratica, um perdão.

Ainda não se sabe se depois do que se virá, a Justiça dirá, se ele os seus lacaios teriam cometido crime contra a democracia, que ele tanto defende. 

Ninguém é culpado pelo que os outros pensam da gente, vamos vivendo e os outros vão avaliando os nossos percursos. Somos reféns de nossos atos, deles não escapamos, o julgamento dos homens e o julgamento do Além, dizem os crentes de toda ordem.

Lula deveria se lembrar daquilo que foi dito no início dessas mal traçadas: elogio de corpo presente é vitupério!

Esses poderosos!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

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