31 de julho de 2025

Bancada do Nordeste. Presidente do BNB destaca que mais de 383 mil operações de créditos rurais já foram renegociadas

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Por admin
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(Brasília-DF, 29/05/2013) O presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Ari Joel Lanzarin, destacou na manhã desta quarta-feira, 29, que mais de 383 mil operações de créditos rurais já foram renegociados pela instituição federal. A declaração de Lazarin foi concedida durante o café da manhã da Bancada do Nordeste hoje, 29, que recebeu o presidente da estatal para tratar da questão do endividamento rural.



Na oportunidade, o catarinense que está à frente da instituição financeira sediada em Fortaleza (CE), desde agosto de 2012, falou, ainda, que o volume já renegociado pelo BNB com as dívidas rurais dos produtores nordestinos alcança o valor de R$ 3,025 bilhões.



Segundo ele, o alto valor já renegociado é resultado das novas legislações que foram aprovadas com grande apoio da bancada nordestina, além das facilidades promovidas pelo BNB que permitiram que os agricultores do semiárido atingidos pela seca renegociassem suas dívidas com auxílio dos sindicatos rurais que foram habilitados pelo Banco para recolher as adesões dos produtores rurais às renegociações propostas.



No entanto, Lanzarin destacou que das mais de 383 mil operações de créditos agrícolas já renegociados, o número total de contratações, em empréstimos para o setor, é de aproximadamente 1,25 bilhões em operações rurais. Porém, ele lembrou que muitos destes contratos estão em situação de adimplência. Mas o presidente do BNB não soube ,ou não quis, mensurar esse número.



FINANCIAMENTO PARA OUTROS FINS – Mas, a pauta sobre a atual situação do endividamento rural, na região Nordeste, não foi o único tema do encontro desta quarta-feira. Diversos parlamentares cobraram dele uma participação maior do BNB no fomento a outras atividades econômicas, como, por exemplo, o incentivo às empresas de tecnologia que atuam na região.



Neste aspecto, o deputado Ariosto Holanda (PSB-CE) comentou a importância do BNB utilizar, com mais frequência, os aportes dos Fundos Setoriais, algo em torno de R$ 1 bilhão, para financiar os projetos tecnológicos da região. Neste sentido, o deputado Jesus Rodrigues (PT-PI) falou da necessidade do Banco aprovar um empréstimo que irá permitir a uma micro-destilaria do Piauí começar a produzir etanol.



Em resposta as preocupações levantadas pelos parlamentares, o presidente do BNB afirmou que a utilização dos recursos oriundos dos Fundos Setoriais para aplicação na área de ciência e tecnologia está em análise pela instituição financeira federal de atuação na região Nordeste.



Em entrevista coletiva a alguns órgãos de imprensa após a realização do tradicional “café da manhã nordestino”, na qual a reportagem da Política Real participou, Lazarin reconheceu que o Banco pode avançar nos investimentos em C&T.



“Projetos na área de teconologia e inovação são duas coisas que nós precisamos discutir mais. Porque existe a linha de crédito. O financiamento existe. O que nós estamos fazendo agora de esforço é de reunir as entidades representativas de classes para fazermos com que esse público tenha conhecimento destas linhas específicas”, comentou.



ENTREVISTA – A Política Real disponibiliza, a seguir, a íntegra da entrevista que o presidente do BNB concedeu após a participação dele na reunião da Bancada do Nordeste realizada no restaurante do Senac (Serviço Nacional de Apreendizagem Comercial) localizado no 10º andar do Anexo IV da Câmara dos Deputados.



Imprensa: Como vai ficar a situação dos agricultores que tem dívidas com o Banco?



Ari Joel Lanzarin: Nós temos aí duas leis, os votos do Conselho Monetário que dão condições diferenciadas para que os produtores estão sendo atingidos pela estiagem se dirijam até o Banco, ou através dos Sindicatos para fazer a adesão das condições que ali estão impostas.



Então, nós fizemos uma apresentação sobre o progresso que nós tivemos até agora em cima destas Leis e dos votos do Conselho Monetário.



Então, o importante é sinalizar que o Banco está à disposição e que há condições neste período inicial para que os produtores que tenham operações que venceram em 2012, que estão vencendo neste ano e que vencerão em 2014, que eles tenham condições de negociar isso com dez anos para pagar, com taxas bastante diferenciadas dependendo do porte, que varia de 0,5% a 4% ano ano.



Além de ter o recurso específico para que ele (produtor rural) possa melhorar sua condição, em suas atividades, nos próprios recursos do FNE (Fundo Constitucional do Nordeste) que é para (o combate às consequências da) estiagem com prazo de dez anos para pagar e até três (anos) de carência, com 1% ao ano.



Então, são essas Leis, além daqueles que tem dívidas, aí sim mais antigas, podendo também liquidá-las com 85% de perdão (rebate) se o valor for até de R$ 35 mil reais. Tem um cálculo, lá, que varia de 65% a 85% no perdão das dívidas.



Imprensa: Existe uma articulação, aqui da Bancada, no sentido de avançar para os pequenos e médios produtores com débitos, ainda, dos anos 90. O Srº acredita que o BNB estaria preparado para esta iniciativa que está sendo montada aqui pela classe política?



Ari Joel Lanzarin: O Banco sempre está preparado para qualquer decisão legal que venha a ser tomada para que ele possa promover ou executar as questões das políticas públicas.



Imprensa: As mais de 383 mil operações de créditos rurais já renegociados, pelo BNB, representam que percentual dos agricultores da região?



Ari Joel Lanzarin: É um percentual bastante representativo. Porque nós temos um total de produtores de 1,25 bilhão, mas nem todos estes estão inadimplentes. Então, 380 mil (operações) representa muito, mas ainda não é suficiente para se atingir a totalidade.



Imprensa: E como fica o caso dos produtores rurais que ainda não foram atendidos pelas renegociações das dívidas, eles poderão buscar novos financiamentos?



Ari Joel Lanzarin: Podem, a partir do momento que o produtor efetuar a adesão, a liquidação de dívidas com o perdão ou mesmo àquelas dívidas do rescalonamento em dez anos, ele fica automaticamente liberado para tomar novos créditos. Não há nenhum impedimento legal para que ele não usufrua das condições da linha do FNE.



Imprensa: E além desta renegociação das dívidas rurais, há alguma outra ação por parte do BNB em benefício dos agricultores?



Ari Joel Lanzarin: Nós temos tomado muitas ações. Tem uma questão, por exemplo, do que é legal, nós estamos procurando os produtores através de nossas agências, e onde não temos agências, nós estamos criando agência intinerante, fazendo uma ampla divulgação nos meios de comunicação. Estamos utilizando os nossos agentes de desenvolvimento.



Fizemos reuniões com os sindicatos para que os produtores possam, através do sindicato (dele) assinar os termos de adesão que nós já deixamos prontos e bastante simplificado. Hoje, uma prorrogação de dívida nestas condições não precisa fazer aditivo, basta fazer uma observação na cédula original e assinada pelo gerente, para estar de acordo com a Lei.



Enfim, os processos foram totalmente simplificados, exatamente para facilitar a renegociação (para) que o produtor siga a sua vida normal, tome novos créditos e siga lá com seu investimento, porque esse que é o interesse de todos nós.



Imprensa: A carteira de crédito voltada para os produtores rurais representa qual fatia do volume de créditos que o BNB pode conceder?



Ari Joel Lanzarin: Nós temos, hoje, uma carteira (de crédito) de R$ 64 bilhões, (onde) R$ 24,5 bilhões é pzra a área rural.



Imprensa: E a questão da ciência e tecnologia no BNB, representa que fatia desta carteira de crédito? Empréstimos para este setor ainda são tímidos?



Ari Joel Lanzarin: Essa é uma área que nós precisamos avançar mais. Projetos na área de teconologia e inovação são duas coisas que nós precisamos discutir mais. Porque existe a linha de crédito. O financiamento existe.



O que nós estamos fazendo, agora, de esforço é reunir as entidades representativas de classes para fazermos com que esse público tenha conhecimento destas linhas específicas e da oportunidade que é trabalhar com inovação e tecnologia, porque esse é o desafio daqui para frente, seja da micro, pequena, média ou da grande empresa que é investir em inovação.



(por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)