31 de julho de 2025
OPINIÃO

Em tempo de guerra, às mulheres, o que vale são a sobrevivência e a defesa

As mulheres podem ter ajudado a salvar muitas minorias do fracasso total. Neste século 21 elas parecem que estão pagando a conta de tanto sucesso.

Por Genésio Araújo Jr
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Mulher carregando o Mundo nas costas! Foto: X.com

(Brasília-DF)  Já disse e escrevi que, tendo como marco institucional, as mulheres vem carregando todas as minorias nas costas desde a aprovação do voto feminino no Brasil em 24 de fevereiro de 1932.

Essa luta carregou os pobres, os pretos, os fracos de toda ordem, os indígenas, hoje chamados de povos originários, os homossexuais e todas as vertentes, os libertários e tudo mais que você puder imaginar.

Este Dia Internacional da Mulher, sempre celebrado no 8 de março, em meio a guerras sem fim pelo mundo, parece perder a sua relevância civilizatória. É sempre assim, em meio a guerras, só o direito à sobrevivência e a defesa parecem importar. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje casado com uma feminista, fez pronunciamento em cadeia de rádio e tv na noite do sábado, 7 de março, para destacar a data e falar do compromisso de seu governo para enfrentar o feminicídio, que parece ter dimensões maiores no Brasil, terra da mulher bonita, país em moda no mundo neste meado de século.

Todos os criminalistas falam que se se aumenta a pena de crime, e se garante a pena, se reduz drasticamente determinado crime, não os facínoras.  O Forum Brasileiro de Segurança Pública informa que 13,1% das vítimas de feminicídio no Brasil morreram mesmo tendo medidas protetivas de urgência em vigor.

Foi divulgada uma pesquisa nesse sábado, 7, que 70% dos brasileiros acreditam que homens estão sendo exigidos demais para apoiar a igualdade com mulheres.  A pesquisa investigou a opinião sobre questões de gênero em 29 países.  O índice de concordância com essa visão no Brasil ficou bem acima da média global.

Para você ter uma ideia levantamento do King's College mostrou que, mundialmente, os homens da geração Z (nascidos entre 1996 e 2012) têm visões sobre papéis de gênero mais conservadoras do que a geração dos baby boomers (1945 a 1965).

Segundo o estudo, feito com 23 mil pessoas, 31% dos homens da geração Z concordam que "a esposa deve obedecer ao marido" — contra 13% dos boomers.

As mulheres podem ter ajudado a salvar muitas minorias do fracasso total, especialmente nas democracias, pois os direitos humanos foram uma garantia de civilidade durante décadas - era uma forma de enfrentar as ditaduras. Mostrar ao mundo como as democracias eram “limpinhas” e as ditaduras  “sujas”. Neste século 21 elas parecem que estão pagando a conta de tanto sucesso.

Com o crescimento do conservadorismo mundo agora, face aos fracassos da democracia, é bom que se destaque - o feminismo entrou em baixa, nada garante mais as vitórias femininas que o feminismo. Como os ultra conservadores alegam que o feminismo está aliado ao globalismo, ao identitarismo e a esquerdização das elites passaram a defender, com entusiasmo fajuto, a mulher que não peleja.

Não sabemos se essa praga do feminicídio em que a cada 6 horas um homem mata uma mulher por questão de gênero, tem relação direta com o enfraquecimento de pautas femininas e seu ideário, mas não resta dúvida que existe uma guerra contra as mulheres, isso é flagrante no Brasil. Lembrando que em tempo de guerra o que vale é a luta pela sobrevivência e a defesa!

Foi Genésio Araújo Jr, jornalistas

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