ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Cid Gomes desaconselha que PSB tenha candidatura própria em 2014
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(Brasília-DF, 22/02/2013) O governador do Ceará, Cid Gomes, do PSB, desaconselhou,nesta semana, que o seu partido tenha um candidato próprio à Presidência, em 2014.
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, é sondado nos bastidores como virtual candidato à Presidência da República no próximo ano.
A declaração de Cid foi colhida pela reportagem da Agência Política Real na última terça-feira, 19, no Palácio do Planalto. Na oportunidade, Cid se fazia presente ao lançamento da Medida Provisória (MP) 607/13, onde o governo federal definiu que a renda mínima das famílias cadastradas nos programas “Bolsa família” e “Brasil Sem Miséria” serão de R$ 70,00 por mês.
O governador cearense disse, ainda, que deseja que o PSB indique o futuro candidato a vice-presidente na chapa que tentará reeleger a presidenta Dilma Rousseff, em 2014. Ele, no entanto, teme que a falta de crescimento econômico, em 2013, possa inviabilizar a reeleição da presidenta no próximo ano.
Cid Gomes descartou, também, que o PSB queira ocupar um outro ministério na Esplanada. Atualmente, a legenda comanda o Ministério da Integração Nacional através do político pernambucano, Fernando Bezerra Coelho, e a Secretaria dos Portos, com o cearense Leônidas Cristino.
Essas, e outras, declarações do governador do Ceará estão disponibilizadas abaixo, na íntegra, numa entrevista que ele concedeu para alguns veículos de comunicação – a reportagem da Política Real também participou.
Imprensa: Tem alguma solicitação do PSB em querer algum novo Ministério?
Cid Gomes: “Essa discussão de Ministério, o PSB já esgotou há muito tempo e nunca foi a pretensão do PSB (comandar) Ministério por Ministério.
Nós sempre tivemos a disposição e o compromisso de apoiar o governo da presidenta Dilma porque acreditamos e acreditávamos, quando ela foi eleita e acreditamos quando estava para iniciar e estamos vendo que os compromissos, que ela assumiu com o povo brasileiro tem mantido e tem cumprido.
Portanto, nós não temos nenhuma demanda de nenhum Ministério. A Presidenta, sempre com o PSB, estará ,absolutamente, à vontade para tirar, ou por, quem quiser nos cargos de seu Ministério.”
Imprensa: Existe alguma solicitação do PSB para ser vice na chapa da Dilma em 2014?
Cid Gomes: “Isso não é do PSB, formalmente. O PSB nunca se reuniu para tratar disso, mas eu, pessoalmente, acho, por argumentos e por ter sido um partido que cresceu que tem hoje seis governadores. É o partido que mais tem governadores junto ao PSDB, é o partido que mais tem prefeitos de capitais.
Portanto, eu acho razoável, já que maior que o PSB, nesta aliança (que apoia Dilma), é o PMDB, que tem a presidência da Câmara e a presidência do Senado, que haja uma maior participação de outros partidos.
Na sequência (da aliança), o PSB é o que tem maior tamanho, e o lugar que defendo é que seja a vice-presidência.”
Imprensa: O PSB tem alguma ligação com o PSDB, agora, ou para 2014?
Cid Gomes: Nenhuma. “Nem pensar. O que depender de mim, nem pensar.”
Imprensa: O PSB pensa em candidatura própria para 2014….
Cid Gomes: “Eu defendo e penso o seguinte: Todo partido deve disputar a Presidência da República. Acho que disputar, em 2014, é prematuro para nós. Acho que a gente podia manter o apoio a presidenta Dilma naquilo que é natural, que é a reeleição. Naturalmente, o seu governo estando bem, como está, isso se dará e, em 2018, a gente lançaria o nosso projeto”.
Imprensa: A situação eleitoral de 2014 depende de 2013 e o que vai decidir que 2013 mantenha o atual quadro político-eleitoral?
Cid Gomes: “Depende da economia. O Brasil tem que crescer. Não é só o PIB. Nos dois primeiros anos do governo da presidenta Dilma, o PIB cresceu muito pouco, mas o emprego cresceu mais. Só que, na minha opinião, o crescimento do emprego em 2011 e 2012 foi, ainda, em função do crescimento econômico de 2010. E eu penso que em 2013 isso não irá mais acontecer.
Na hora que começa a elevar o desemprego é normal que as pessoas comecem a ficar incomodadas. As pessoas estão bem quando estão tendo oportunidades, com os salários melhorando, podem ter a opção de trocarem de emprego para ganhar mais. Ruim é quando não se tem opção nenhuma, ser demitido.”
Imprensa: O Sr. vê que isso, a falta de crescimento econômico, pode acontecer em 2013?
Cid Gomes: “Eu vejo que a popularidade do governo, dela, vai começar a se abalar. E eu estou dizendo isso e não quero que isso aconteça. Porque, tem gente que vaticina as coisas porque quer que isso aconteça. Você só diagnostica, vaticina, quando quer que aconteça. Não é o que eu diagnostico.
Ela (Dilma) tem que ter esta preocupação. Esse ano é fundamental para que o País volte a crescer, sob pena da gente ter (sic) uma queda maior que se traduza, inclusive, numa elevação do índice de desemprego.
Se a gente gerar menos emprego do que a população cresce(sic) e o que o mercado substitui, homem por máquina, começa haver desemprego.”
Imprensa: E o que vai acontecer?
Cid Gomes: “Vocês têm dúvidas que boa parte dos partidos que estão na base estão por oportunismo? Não tenham dúvidas.”
(por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)