ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Eunício Oliveira diz que no embate entre políticas pró-cíclicas e anticíclicas, o importante é buscar medidas práticas
.
Publicado em
(Brasília-DF, 08/06/2012) O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) disse na última quarta-feira, 06, com exclusividade para a reportagem da Agência Política Real, que o embate na área econômica do governo federal de qual a melhor política pública para o setor, se as ações pró-cíclicas atuais, ou se as iniciativas anticíclicas, o importante é buscar o caráter efetivo das medidas.
Para o parlamentar cearense, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, pouco importa se as medidas econômicas implementadas pelo governo são de modelos A ou B. Para ele, o que vale é condução econômica com objetivo de produzir resultados práticos que atendam o desenvolvimento do País.
“Eu sou economista por formação. Então não quero entrar nesta coisa de é isso, é A ou é B. O que é importante é o desenvolvimento sustentável. Isso é que é fundamental. Não é a cabeça de uma pessoa, de outra, o pensamento ideológico de A ou de B. O que nós temos que pensar é na prática, no desenvolvimento, na condição humana, na condição de vida digna para as pessoas”, sustenta.
O senador cearense garantiu, ainda, que enquanto setores do governo discutem teses, elas “não imaginam o sofrimento do nordestino neste momento”.
“Quando as pessoas diziam para que transposição das águas do São Francisco? Para que gastar tanto dinheiro com isso? A questão da água que vai para o mar, se perde lá no mar. A água é doce e vira salgada. E as pessoas questionavam. Eu vi aqui um padre ficar aqui durante 30 dias dizendo que estava com greve de fome para que não tivesse a transposição. (Enquanto isso) quantos irmãos nosso, eu queria que ele fosse lá agora, checar quantos irmãos nosso, estão passando fome e sede”, ponderou e questionou.
Para Eunício, não há cabimento nesse embate interno do governo enquanto alguns estão a morrer de fome e outros a morrer de sede.
“Então esta luta de ideologia, de pensamentos, não se soma ao meu pensamento. O que se soma ao meu pensamento é efetividade, gente que queira dizer o seguinte: vamos fazer aquilo ali, porque aquilo ali mesmo não sendo sustentável hoje, vai se tornar sustentável amanhã”, complementou.
CAPITALIZAÇÃO DO BNB – Com o objetivo de exemplificar, o senador afirmou que o debate entre políticas pró-cíclicas ou anticíclicas, acontece o mesmo na questão do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), onde vários parlamentares lutam para obter uma capitalização daquele banco em no mínimo R$ 3 bilhões.
Para ele, em vez de travar uma batalha com a área econômica que pode resultar em nada, os parlamentares tinham que estar lutando para que o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), gerido pelo BNB, se transforme num fundo financeiro e, não apenas fiscal, como ele é atualmente. Se isso ocorresse, segundo ele, o BNB poderia ser capitalizado em dez anos em até R$ 40 bilhões.
“Então é a mesma coisa quando no Banco do Nordeste, onde eu sou o relator-revisor aqui (da Medida Provisória 564/12). E eu vejo gente dizendo tem que capitalizar o banco, tem que fazer isso e aquilo. E quando nós temos que fazer uma única coisa. Brigar com a área econômica, sim, para que a gente faça o Fundo que o Banco do Nordeste administra, deixar de ser fundo fiscal e passar a ser Fundo financeiro. Aí nós vamos capitalizar o banco em dez anos em R$ 20 bilhões, R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões. Essa é a forma objetiva, o resto é discurso”, observou.
ENDIVIDAMENTO – Questionado, ainda, pela reportagem se ele considera as críticas de vários economistas corretas quando apontam como preocupante o atual quadro de endividamento da sociedade brasileira, o senador Eunício falou que não. E explicou.
“Eu acho que não. Acho que a sociedade mundial, a norte-americana, por exemplo, é uma
sociedade 100% endividada. O Brasil tem um percentual de endividamento porque foi aberto as essas pessoas a oportunidade de terem a sua casa, o seu carro, o seu conforto. Afinal de contas, nós não podemos viver nesta utopia de que um dia nós iremos realizar, que este País seja o País do futuro. Ele tem que ser o País do presente”, encerrou.
(por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)