ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. “Não existe hoje aquela preocupação das pessoas dizerem ’eu sou o candidato da Dilma’, como no tempo do Lula”, afirma líder do PDT
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(Brasília-DF, 08/06/2012) Desde o mês de maio, a Agência de Notícias Política Real vem realizando, a cada fim de semana, reportagens especiais mostrando as metas, estratégicas, propostas e o cenário das candidaturas das principais agremiações políticas brasileiras para as eleições deste ano, principalmente no Nordeste. Começou com o PMDB, seguido do PT e PSDB.
Na 4ª reportagem da série “Os Partidos Políticos e as Eleições 2012”, vamos discorrer sobre as expectativas do Partido Democrático Trabalhista (PDT) para o as eleições municipais que acontecem no mês de outubro.
O nosso entrevistado é líder do PDT na Câmara dos Deputados, André Figueiredo, que é do Ceará, e fala das pretensões do partido no Brasil e, em especial, na região Nordeste.
A seguir, os principais trechos da entrevista especial que parlamentar cearense concedeu esta semana na Liderança do PDT na Câmara:
RELAÇÃO DOS PARTIDOS – NA ERA LULA E NA ERA DILMA
“Eu não vejo, hoje, essa preocupação das pessoas quererem associar a sua candidatura com a Dilma. Tem muita diferença das eleições 2012 com a 2008. Em 2008 todo muito queria ser o candidato do Lula. Eu não veja essa preocupação este ano das pessoas dizerem ‘eu sou o candidato da Dilma’. Lógico, ninguém quer ter a Dilma contra, mas aquele carisma que Lula transferia para os seus candidatos, ele virou um semideus para o imaginário, principalmente das populações mais carente. A presidente Dilma concede ter índices de popularidade significativos, por conta de uma boa gestão, de ser uma boa gestora, mas tem dificuldades, digamos assim, de simpatia, de buscar junto a população uma maior aproximação. Isso faz parte do perfil, não é defeito dela. Agora, para suprir isso, precisava-se ter uma assessoria que trouxesse mais próximo os partidos, principalmente aqueles que são mais suscetíveis à melindre – não é o caso do PDT, porque no momento que a gente diverge, diverge com fundamento.
SOBRE A MINISTRA IDELI SALVATTI
Acho que a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) tem se esforçam muito, mas não tem os poderes delegados, talvez, que outros ministro que a antecederam, no governo do presidente Lula, tinham. A ministra Ideli é bem intencionada, mas não sei se ela tem realmente poder delegado que sejam consideráveis. Vejo que ela tem muitas dificuldades, inclusive nessa relação com o Congresso.
META DO PDT: ELEGER ACIOMA DE 500 PREFEITOS
O PDT está realizando reuniões itinerantes no País. Nós temos uma meta de eleger acima de 500 prefeitos em todo o Brasil, dos quais queremos eleger pelos menos 04 de capitais. Em 2008 elegemos apenas um de capital (Roberto Goés – Macapá). Depois, teve o José Fortunati (Porto Alegre), que assumiu posteriormente, e o Amazonino, que veio para o PDT.
PDT E PT NAS ELEIÇÕES 2012 – NORDESTE
Em vamos estar com o PT em várias capitais. Em Natal estamos também trabalhando para andarmos junto com o Carlos Eduardo. Ainda não está decidido, mas deveremos apoio o candidato do PT em Recife (o PT deve definir entre o deputado federal licenciado Maurício Rands e o atual prefeito João da Costa). Em Recife existe ainda o candidato Paulo Rubens Santiago, que quer se lançar como candidato, mas existe, também, essa perspectiva de que possamos dialogar. Lá não tem tanto problema de a gente apoiar o PT. Existe um certo entendimento até por parte do presidente do nosso partido, José Queiroz, com o governador Eduardo Campos, para que a gente possa manter a sustentação do governador. Nós estamos tendo um diálogo forte, em Salvador, em favor do candidato do PT (que deve ser o deputado federal Nelson Pelegrino). Em Maceió, o Ronaldo Lesa terá o apoio do PDT. Em São Luís, o PDT vai apoiar o candidato do PTC, que o deputado federal Edivaldo Holanda Junior (na eleição passada, 2008, o partido apoiou o atual prefeito, João Castelo, do PSDB, com a ajuda do ex-governador Jackson lago).
PDT NA TERRA DO LÍDER – FORTALEZA
Em Fortaleza, o PDT tem uma oposição muito forte, e já faz muito tempo que fazemos oposição à administração da prefeita Luizianne Lins (PT). Vamos lançar como candidato o deputado estadual Heitor Férrer, que tem 19% das pesquisas e é uma pessoa que tem tido uma postura sempre muito séria. Lá governo e prefeitura não estão se entendendo e estão buscando uma afinidade. Um (a prefeita) lançou um candidato, que é o secretário de Educação do Município, que deixou Fortaleza no honroso lugar de penúltimo em qualidade de educação no estado do Ceará, dentre 184 municípios, Fortaleza ficou em 184º lugar. Então a gente não pode admitir que seja um candidato, digamos assim, digno de uma cidade do porte de Fortaleza. E a tentativa de convencimento dessa candidatura vai ser de cima para baixo. No Ceará nós somos da base do governador (Cid Gomes), não da prefeita.
PDT EM OUTRAS CAPITAIS
Em Curitiba, o PDT e PT vão caminhar juntos. Estaremos com o Gustavo Fruet. Em Manaus, existe uma perspectiva de estarmos com o Amazonino. Em São Paulo, o deputado Paulinho da Força está como pré-candidato. Ele tem dito reiterada vezes que vai manter a candidatura. O Partido delegou ao Paulinho a decisão. Nós queremos que ele seja candidato e se ele não quiser, aí vamos dialogar, vamos ver qual o caminho que a gente traça. Mas no momento, ele (Paulinho) é candidato. No Rio de Janeiro, o PDT deve estar com o Eduardo Paes (atual prefeito). Lá também tem candidatos em municípios muitos importantes com o apoio do PDT.
ESTRATÉGIA PARA CAMPANHA- FORMAÇÃO POLÍTICA
Nós – a Fundação ULB (Universidade Leonel Brizola) preparamos um Caderno de Formação Política, onde apresentamos um grande conteúdo, que vai desde a história do PDT. Muita gente questiona por que o nosso partido insiste tanto em falar dos seus morte? É porque nós temos história. Nós temos Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola, Alberto Pasqualini e tantos outros grandes nomes, pessoas que fizeram realmente a História do Brasil. Então, nesses cadernos, a gente dar uma referência da nossa trajetória de luta e mostra que nós temos exemplos que podem ser seguidos e construídos, adaptados, lógico, à realidade atual. Esses Cadernos de Formação Política então enfocam as experiências do PDT e quais são as nossas bandeiras, para que um vereador, um prefeito saiba o que vai nortear a sua campanha, e a sua ação, sua atuação, seja no Executivo ou no Parlamento Municipal.
ENCONTROS ESTADUAIS
Não vamos realizar encontros nacionais (como fizeram PMDB, PT, PSB e PSDB) para discutir as Eleições 2012. Decidimos pela realizar ENCONTROS Estaduais. Já realizamos quatros, nos últimos dois meses, e vamos realizar outros mais, em todos os estados. Entra agora um período de convenções (de 10 a 30 deste mês) e depois prosseguiremos com os encontros de capacitação e formação dos nossos candidatos a vereador e a prefeito.
(Por Gil Maranhão, Para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)