ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Petista da Bahia, ligado a agricultura familiar, analisa como boa as medidas anti-seca anunciadas por Dilma.
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(Brasília-DF, 27/04/2012) O Petista da Bahia, Josias Gomes – ligado a agricultura familiar – analisou, a pedido da reportagem da Agência Política Real, as medidas anti-seca anunciadas pela presidenta Dilma Rousseff na última segunda-feira, 23, numa reunião com todos os governadores do Nordeste, na capital sergipana, Aracaju. Ele as considerou boas.
O parlamentar analisou, ainda, como sendo positivas as novas medidas anunciadas pela presidenta Dilma dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Urbana, com a destinação de R$ 22 bilhões para serem aplicados nos grandes centros e regiões metropolitanas do País.
Gomes comentou sobre a decisão do ministro Fernando Bezerra Coelho, da Integração Nacional, de conceder papel de relevância ao Departamento Nacional de Obras Contra à Seca (DNOCS) no Plano Nacional de Irrigação, sendo um dos principais executores. O governo federal promete lançar o Plano até o final do mês de maio.
Todas estas análises e declarações estão disponíveis na entrevista exclusiva que ele concedeu a reportagem da Política Real.
Política Real: Como o Sr. analisa as medidas anunciadas na última terça-feira, 24, pela presidenta Dilma dentro PAC Mobilidade?
Josias Gomes: Muito positivo para as nossas grandes cidades, o que mostra uma sensibilidade muito grande do governo federal em atacar hoje um dos grandes problemas das cidades que é a mobilidade, que ataca e atinge, sobretudo, as famílias de mais baixa renda.
Na medida em que você disponibiliza R$ 22 bilhões e atende 70 milhões de brasileiros que vivem nestes grandes centros, mostra que o nosso governo acerta mais uma vez nos grandes gargalos para tornar as pessoas vivendo mais felizes nas cidades brasileiras.
Política Real: Para o recorte do Nordeste e da Bahia, qual a importância do anúncio da última terça?
Josias Gomes: O volume para o Nordeste, especificamente, não foi determinado. Mas eu acabei de falar do quanto isto significará para o Estado da Bahia e em Salvador ter uma parte substanciosa de recurso em função do travamento da cidade , hoje, com esse crescimento da renda do brasileiro e, consequentemente, a aquisição de mais carros.
De modo que eu não preciso de quanto foi o recurso, porque não foi informado, mas sei que da parte que caberá o nordeste, a Bahia será bastante aquinhoada por conta do nosso modal de transporte urbano que está realmente ultrapassado.
Política Real: Na segunda-feira, 23, a presidenta Dilma, lá no Sergipe, anunciou um pacote anti-seca para que os Estados e municípios atingidos recebam apoio para o enfrentamento da longa estiagem. Qual a sua análise sobre estas medidas?
Josias Gomes: Sem dúvidas nós estamos vivendo uma das grandes estiagens dos últimos 50 anos. Há quem fale, que ela é maior que a seca desde 1932. Há uma lenda que diz que todo ano que termina em dois, em geral, a seca é terrível. E isso tem se comprovado ao longo dos anos.
De modo que a ação do governo, que já aconteceu quando não permitiu que 110 mil contratos feitos com pequenos agricultores fossem executados, em seguida liberando mais uns R$ 30 milhões para a Bahia e agora liberando para todo o Nordeste, cerca de R$ 2,5 bilhões em recursos e, ainda mais, criando o que vou chamar aqui de Bolsa Estiagem, para permitir que durante esses seis meses que os nordestinos, que vivem no semiárido, não têm condições de produzir – tenha R$ 400 para fazer a sua feira, são medidas que a gente reconhece são paliativas, mas que vão no sentido de atender a emergência.
Portanto, eu parabenizo a presidenta, o nosso governo por ter tido a sensibilidade de atender os reclamos dos nossos prefeitos, governadores, deputados estaduais, federais e vereadores que vieram em coro solicitar uma ajuda deste porte ao governo federal.
Política Real: Na última quinta-feira, 19, durante a posse do novo diretor-geral do DNOCS, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, afirmou que o órgão, ao lado da Codevasf, será um dos braços executores do Plano Nacional de Irrigação que será lançado. Qual a sua análise sobre este anúncio?
Josias Gomes: O DNOCS, dos órgãos de fomento, de ajuda a mitigar os efeitos das longas estiagens no Nordeste, é o que tem mais expertise na área de irrigação.
Não da irrigação empresarial ou da irrigação de grande porte, mas da açudagem. Essa é a grande expertise do DNOCS. Não temos, hoje, quem tenha um conhecimento mais profundo sobre a açudagem do Nordeste do que o DNOCS. Foi ele que iniciou esse processo de construção dos grandes açudes, barramentos de águas no Nordeste, que em última análise é o que nós precisamos. Têm anos que se têm uma chuva de 700 milímetros. Mas o problema é que não (se) represa esta água. E essa água toda vai embora. E o DNOCS, com o conhecimento que tem é capaz de contribuir de forma decisiva para que a gente amplie a reservação de água no semiárido.
Política Real: Mas o DNOCS não está sucateado para assumir este posto?
Josias Gomes: Sim, mas veja: é que são duas coisas diferentes. O DNOCS, ele surge como um órgão de governo para, basicamente, fazer açudes no Nordeste. Dali para frente, antes mesmo da vinda da Chesf, da Codevasf, o DNOCS passou a agir em áreas que ele não tinha expertise e diversificou as suas ações sem aumentar o número de seus funcionários, a rede que fosse capilar a ele e com isso, o DNOCS perdeu muita substância num trabalho em que ele era fundamental.
Em contrapartida, se tem a Codevasf – cujo foco é o desenvolvimento do Vale do São Francisco e hoje do Parnaíba – com uma expertise diversificada do DNOCS e que presta serviços que são complementares. Porque não há choque na ação do DNOCS e da Codevasf. O que precisa, ao meu juízo, é tornar o DNOCS um órgão mais eficiente. Porque ele tem um acervo técnico extraordinário e precisa ser posto aos serviços do povo nordestino.
(por Humberto Azevedo, com assessoria, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)