ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Vereador polêmico de Fortaleza reclama da posição da bancada cearense sobre votação do Código Florestral; Ele também falou sobre educação. Ele já foi filiado ao PT e foi o único nome de destaque no partido a apoiar a primeira el
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(Fortaleza-CE, 27/04/2012) Ele já foi deputado federal e deputado estadual e agora é o vereador mais votado em Fortaleza. João Alfredo, do Psol, como ambientalista critica o Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados. Para ele o Código aprovado é na verdade “ante-florestal”. Nesta entrevista João Alfredo fala também sobre a validade de diplomas de cursos superiores realizados nos países do Mercosul e Portugal. O vereador é considerado o mais polêmico de Fortaleza. Ele já foi filiado ao PT e foi o único nome de destaque no partido a apoiar a primeira eleição de Luizziane Lins, em Fortaleza. Logo depois romperam, pois ela preferiu a companhia de outros petistas que trabalharam contra ela na primeira eleição, em 2004. Veja a íntegra da entrevista:
Política Real: O Código Florestal aprovado lhe agradou?
João Alfredo – Não. Na verdade ele é um código anti-florestal.
P.R: Por quê?
João Alfredo – Porque um código que anistia desmatador. Um código que não manda aqueles que desmataram terem que recompor as suas áreas. Um código que abre as áreas de manguezais para criação de camarão não é Código Florestal. Na verdade é um código anti-florestal.
P.R: O que o senhor mais lamenta da aprovação desse Código?
João Alfredo – Lamentavelmente, a maioria dos deputados do Ceará votou pela devastação. Votou pelo desmatamento.
P.R: O que este código mais representar?
João Alfredo – É algo que nós estamos condenando as gerações futuras a um planeta ainda pior. Mais degradado e mais devastado.
P.R: O que mais peca o Código?
João Alfredo – Se antes eles devastavam contra a lei, agora eles vão ter uma lei ao seu favor.
P.R: Quais partidos foram contra este novo código?
João Alfredo – Ressalvado o nosso partido, o Psol; o PV, o PPS, o PT e o PRB; todos os demais, principalmente os grandes partidos, PMDB, PSDB e DEM votaram neste código do desmatamento.
P.R: O senhor está preocupado com a validação de cursos feitos no Mercosul e Portugal. Qual a dificuldade do reconhecimento desses diplomas?
João Alfredo – É um projeto de lei nosso fundamento em acordos internacionais que o Brasil teve. Brasil tem um acordo com o Mercosul, que são além do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que valida os diplomas de mestrado e de doutorado entre estes países. Então se Paraguai vier a fazer um mestrado ou um doutorado no Brasil este curso é valido para o Paraguai. Se o Uruguai vai a Argentina ou se qualquer um brasileiro vai a qualquer um desses países é uma situação de isonomia.
P.R: O que o senhor está propondo?
João Alfredo – Nós estamos fazendo a mesma coisa, mas para um outro tratado, com a referência a Portugal. Há um convênio, um acordo internacional Brasil-Portugal que permite isso. Nós estamos propondo é que no caso desses países, somente desses países, aonde tiver sido feito este curso e esses cursos de pós-graduação sejam reconhecidos nos países de origem. Portanto não é qualquer curso. Ah o sujeito fez um curso lá e chega com diplomazinho, não! Precisa que aquele curso seja reconhecido no país de origem. Ai ele vai ter validade.
P.R: Essa é a situação de Fortaleza?
João Alfredo – Muitos professores da rede municipal de ensino de Fortaleza fazem o mestrado e o doutorado fora porque eles não são dispensados da carga de trabalho que têm aqui em Fortaleza. Então eles aproveitam em quatro anos as férias e praticamente se mudam para estes países, estudando de manhã, de tarde e de noite para cumprir uma carga horária pesada para depois não terem seus diplomas reconhecidos.
( por Lauriberto Braga, especial para a Política Real, com edição de Genésio Jr)