31 de julho de 2025

Bancada do Nordeste. Zezéu Ribeiro aposta em pressão política para que questão do endividamento rural seja resolvida. Ex-secretário de Planejamento da Bahia falou também que discorda da opinião do líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), que prefere r

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(Brasília-DF, 14/03/2012) O deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), ex-coordenador da Bancada do Nordeste, apostou hoje pela manhã após a realização do café da manhã promovido pela Bancada, que somente com pressão política é que a questão do endividamento rural será resolvida.



Questionado pela reportagem sobre se ele acreditaria que o assunto será resolvido, finalmente, em 2012, ele afirmou “eu espero que sim. Mas aí é um ato executivo. Não depende da gente. A gente pode fazer e deve fazer e, é necessária, a pressão política”, destacou.



Perguntado sobre porque que a cada ano, de tempos em tempos, o Legislativo se debruça sobre a questão do endividamento rural, ele respondeu que “é porque a gente fixa uma Lei, aprova uma Lei, e depois a normatização vem e retira os direitos que foram assegurados. Infelizmente, historicamente, não é novidade, é isso”, constatou.



Sobre as dívidas rurais, Zezéu acrescentou ainda que “tem uma contenção aqui que é extremamente prejudicial. Depois parece que as pessoas plantam dinheiro, não é?”.



Segundo ele, “não pode, tem que ter uma equivalente produção para se cobrar a dívida. Enquanto se for fazer o cálculo dos atrasos, da inadimplência com base em juros de capital normal, vai se ter sempre esse impasse”.

Pois, de acordo com o parlamentar petista, até semanas atrás secretário de planejamento do governo da Bahia, “tem que se ter uma medida que seja efetiva no sentido da superação. Reconhecer uma realidade concreta”, analisa.

E isso, para ele, é “para que se possa verificar exatamente quem não aplicou o dinheiro corretamente. Então tem que ter fiscalização. Mas quem aplicou o dinheiro corretamente e não teve resultado, tem que ter um projeto que resolve este problema efetivamente”, defende.

Sobre as várias modalidades de empréstimos que são concedidos aos produtores rurais, ele falou “que é uma coisa também incrível”.



“Se tomou o dinheiro e aí o dinheiro tem um valor e tem um mecanismo de cobrança, que um é o FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador), e o outro que é do FNE (Fundo Constitucional do Nordeste) tem um outro mecanismo e não se escolhe, é o banco que determina. E assim também é se fica devedor até a partir de uma condição que também não corresponde a realidade”, comentou.

PODER – Questionado pela reportagem sobre as saídas recentes dos três baianos na administração Dilma: Mário Negromonte, do Ministério das Cidades; Sérgio Gabrielli, da Petrobrás e Afonso Florence, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Zezéu Ribeiro falou que a Bahia vem realmente perdendo espaço de poder no governo federal.



“Eu acho que a gente tinha que disputar melhor esses espaços. Tem que disputar a política, mas o espaço da relação é fundamental de ser também encampado. E a gente precisa ter uma articulação maior da nossa bancada como um todo em conjunto com o governo do Estado, na medida que a gente possa através desse processo assegurar uma representatividade (maior) para a Bahia”, defendeu.



E ele disse mais.

“Lá foi a maior vitória do Lula. Nós temos a maior bancada partidária, sendo governo, não é. Temos o governo do Estado que é uma representação significativa neste sentido e nós estamos desprestigiado no plano nacional”, concluiu.



Já sobre a declaração do líder do PT no Senado, Walter Pinheiro, que é da Bahia, que falou que importa ter recursos e não os cargos, Ribeiro disse que “eu acho (isso) uma visão equivocada”.



“Eu discordo desta posição. Eu acho que tem que ter as duas coisas. Uma não compensa a outra. Acho que a gente tem que brigar pelo espaço político, que ele é determinante, não de forma patrimonialista, e temos que disputar os recursos pela situação, inclusive, do Estado da Bahia como um todo”.

E ele comentou ainda por fim que “se nós temos a sexta arrecadação, nós temos um dos menores per capitas do Brasil. Nós somos o 23º ou 24º per capita tributário do Brasil. Então, o que é uma situação extremamente difícil para operar a máquina. (até para mostrar que a Bahia tem um peso?) Isso, com certeza”, encerrou.



(por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)