Bancada do Nordeste. De saída da ANP, Haroldo Lima aponta que dinheiro do petróleo está “extremamente” concentrado no Sudeste.
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(Brasília-DF, 07/12/2011) O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, convidado pela Bancada do Nordeste para o “café da manhã” desta semana, onde falou aos parlamentares nordestinos sobre sua gestão a frente do órgão – destacou, e contestou, que a maioria dos recursos provenientes da exploração do petróleo estão “extremamente” concentrados nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, ,que ficam com 67% da fatia do dinheiro que serve para investimentos.
Segundo Haroldo Lima, os noves Estados da região Nordeste ficam com “apenas” 13% do total dos recursos do petróleo, “não só do Pré-Sal” –, salientou. O dirigente, na ANP desde 2003, como diretor, e de 2005 para cá como diretor-geral – mostrou-se indignado quando falou que quem escolhe os empreendimentos e as regiões que receberão a maior parte dos investimentos oriundos do petróleo são as cinco maiores empresas que atuam no setor, incluindo a Petrobras – ressaltou.
Para o ex-parlamentar, natural de Caetité – no interior da Bahia – o governo federal deveria ter uma participação decisiva para orientar as empresas que atuam no setor de onde aplicariam seus recursos, “até para auxiliar no desenvolvimento regional”. Haroldo Lima destacou ainda que das cinco maiores empresas que exploram os recursos do petróleo, e definem onde investirão, “apenas a Petrobras é brasileira, todas as demais são estrangeiras”.
De acordo com Haroldo Lima, quando se compara as regiões do País que mais recebem investimentos dos recursos das empresas petrolíferas, o Sul e o Sudeste, juntos, ficam com 83% do total, o Norte com 3%, o Centro-Oeste com 1%, além do Nordeste que fica com 13%. Para ele, esse dinheiro que é investido “amplamente” no Sudeste, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, que tem os maiores índices de desenvolvimento, “e que não são contingenciados” como os recursos do Orçamento da União, “estão comprometidos com a permanência das desigualdades regionais”.
(por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)