ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Jarbas Vasconcelos fala do Governo Dilma, de corrupção e do Nordeste; ele se disse confiante com a Comissão da Verdade. Ao final da longa entrevista tem um ping pong, vale à pena conferir a entrevista
BANCADA DO NORDESTE
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( Brasília-DF, 28/10/2011) A POLITICA REAL ouviu, com exclusividade, para a sua série “Especial de Fim de Semana”, o senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB de Pernambuco. Fundador do MDB, hoje PMDB, ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-governador do seu estado, Pernambuco, por duas vezes.
O senador Jarbas Vasconcelos faz parte de um reduzidíssimo grupo de senadores que, mesmo pertencendo a um partido da chamada base aliada, quando julga necessário ocupa a Tribuna para criticar o governo no qual o seu partido tem a “segunda cadeira”, a vice Presidência da Republica. Mas defende o mesmo governo quando acha que assim deve fazê-lo. Homem de fisionomia fechada, marcada pelos anos de luta na resistência à ditadura, Jarbas, pessoalmente não reflete isso. Atencioso e firme em suas colocações, ele causou polemica dias atrás ao declarar a este jornalista que “ficou impossível para um senador usar o cafezinho do Plenário. Lá está tomado por lobistas”. (acesse esta entrevista na integra, também no link no final da matéria)
À POLITICA REAL ele falou de corrupção no governo Dilma, da falta de um programa para o desenvolvimento do Nordeste. Fala da Comissão da Verdade e disse que recebeu o estado arrasado do seu antecessor, Miguel Arraes, e que o atual governador Eduardo Campos não passa de um produto do marketing, e explica o por quê. Ele falou, também, de outras coisas interessantes. Vale conferir. Leia a entrevista.
Política Real – Faltando apenas 2 meses para completar um ano do governo Dilma, qual seu balanço desse governo?
Jarbas Vasconcelos – Eu acho que ela tem, sobretudo, procurado acertar. Apesar de ter sido vacilante em muitas coisas. Mostrou uma disposição enorme para o combate a corrupção. Afastando de imediato alguns malfeitos, segundo a própria linguagem dela no começo do governo. E depois começou a se atrapalhar. Nós aqui, inclusive, instituímos um grupo de senadores que a apoiava nessa iniciativa de afastar do serviço público autoridades comprometidas com malversação do dinheiro público. De qualquer maneira ela tem um estilo muito mais comedido de que o de Lula. Mas é preciso avançar mais e eu chamaria atenção de que as reformas estão esquecidas. A gente precisa de uma reforma tributária para ontem, ou seja, uma coisa urgente. É fundamental complementar a reforma da previdência e avançar. O Brasil precisa se modernizar. O custo Brasil continua altíssimo e a carga tributária é insuportável. O Brasil deixa de ser competitivo e nisso ela (Dilma) pode ter um papel importante. Como está completando 10 meses, quase um ano, eu acredito que ela pode avançar mais por que ela tem mostrado sinais de que isso ela deseja, e se manifestar isso ela conta com o apoio do povo brasileiro. Eleição é outra coisa.
Política Real – Senador, colegas seus aqui na Casa, inclusive da base como senhor, afirmam que falta por parte do governo Dilma um programa de desenvolvimento para o Nordeste. O senhor concorda?
Jarbas Vasconcelos – Essa questão da falta de um programa para o Nordeste vem de há muito tempo. Lula prometeu restaurar a SUDENE, deu como restaurada lá em Fortaleza com um ano de governo, no seu primeiro mandato, e a SUDENE não foi restaurada ta penando, não é? A gente precisa de um órgão que tenha um status de ministério e subordinado diretamente á Presidência da República. Quando eu digo nós, digo o Nordeste. O Nordeste está crescendo, se industrializando e não é bom que isso aconteça apenas em certas regiões do Nordeste. Haveria que ter uma visão regional para atender estados mais pobres, como Alagoas, Piauí, Paraíba, por exemplo, que tem orçamentos e rendas per capitas menores precisam desse apoio. Mas a Dilma não pode ser responsabilizada sozinha por isso, porque isso(a falta de um programa) não vem nem dela e nem de Lula, mas já vem há muitos anos a ausência de uma política específica regional clara para o desenvolvimento do Nordeste.
Política Real – O filho do ex presidente João Goulart, João Vicente Goulart declarou a mim que a Comissão da Verdade será “chapa branca” por ter seus membros indicados pela presidenta Dilma e não contar com representantes da sociedade civil organizada. Além do curto tempo de apenas dois anos para se apurar “tantas maldades”, como ele definiu. O que o senhor, como político que foi alvo perseguido pela ditadura, espera desta comissão?
Jarbas Vasconcelos – Eu espero muito, eu dou muito crédito a comissão. Ela é pequena, ela poderia ser mais ampla. O Janguinho tem razão, ela poderia ser um pouco mais ampla. O prazo não me incomoda porque são pessoas respeitáveis. O relator é um dos melhores senadores que temos aqui no Senado, que é o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira. Questão do prazo de 2 anos se estrangular este prazo podemos solicitar a renovação. Então isso não me inquieta muito. O importante é que ela avance. Ela não se embarace com obstáculos, ela não se embarace com ameaças. Essa questão de revanchismo é deixar isso de lado. Da mesma forma que a gente combate o terrorismo, tem que se combater em definitivo para que não exista mais o problema da tortura, que é tão pernicioso, tão odiento quanto o terrorismo, terrorismo e tortura são a mesma coisa.
Política Real – Passada a discussão dos royalties no Senado espera-se a próxima batalha seja em torno do FPE (Fundo de Participação dos Estados). Como ex-governador qual a sua opinião sobre o tema?
Jarbas Vasconcelos – Há um movimento de estados grandes contra o fundo e é preciso que a gente continue com isso, por que isso é uma forma de amparar os menores. De amparar as desigualdades. Se a gente tiver uma reforma tributária séria, correta, profunda, que possa atender a todas as regiões e a todos os estados, ótimo. Se não tiver a gente vai ter que continuar com o fundo.
Política Real – Senador tenho a impressão de que parte significativa da imprensa nacional parece não encontrar mais adjetivos para definir o momento exitoso que passa o governador do seu estado, Eduardo Campos. Ele é isso tudo mesmo que se diz dele ou não? Qual a sua opinião sobre esse sucesso de Eduardo Campos?
Jarbas Vasconcelos – Não. Eu acho que ele é uma questão de marketing. Ele encontrou um estado estruturado. Um estado que há quase oito anos eu entreguei estruturado, com avanços claros definidos na sua infrastrutura. Definição de ampliação de Suape, por exemplo, duplicação de BR 232. O emprenho do nosso governo com credibilidade para atrair investimentos. Como foram iniciados a refinaria e vários outros grandes empreendimentos. E há um marketing muito grande em Pernambuco. Pernambuco na verdade está bem, está crescendo, por que ele encontrou uma estrutura, ele encontrou uma base. Um estado equilibrado, ao contrário do que eu encontrei, um estado quebrado entregue pelo meu antecessor, o avô dele, Dr. Miguel Arraes. Eu recuperei, botei o estado de pé e ele deu sequencia a isso. Além, evidentemente, de Lula ter concentrado em Pernambuco grande parte de suas ações, do governo federal, para o Nordeste. Isso se somou ao legado que deixei a ele e ele está sabendo tirar proveitos disso. Apenas isso.
Política Real – O PT voltou a defender um Marco Regulatório da Imprensa. O seu partido, o PMDB, vai no sentido contrário. E o senador Jarbas Vasconcelos, o que pensa sobre isso?
Jarbas Vasconcelos – Sou contra. A imprensa tem que publicar o que ela acha que deva publicar. As responsabilidades pelos atos falhos de todos, inclusive da imprensa, nós temos como apurar e punir. Existem leis para isso. Mas é imprescindível que a imprensa tenha toda liberdade em apurar os fatos até para não correr o risco de publicá-lo de maneira incorreta.
Ping Pong com Jarbas Vasconcelos:
(RETIRADO EM 01/11/2011)
LINK da matéria citada nesta entrevista:
Entrevista do senador Jarbas Vasconcelos denunciando presença de lobistas no Plenário do Senado
http://politicareal.com.br/noticia.php?id=35976
(Por Francisco Lima Jr., especial para Política Real, com edição de Genésio Jr.)