ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Fernando Ferro não será preferencial do PT nas eleições municipais. ¨O Nordeste do País voltou à esquerda, votou com Dilma. Então, hoje a esquerda está no Nordeste”, afirma<BR>
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(Brasília-DF, 02/09/2011) O deputado Fernando Ferro (PT-PE) afirmou no início da tarde desta sexta-feira, 02, no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília, onde o Partido dos Trabalhadores (PT) organiza neste final de semana o seu 4º Congresso que aprovará alterações no seu estatuto, que para as eleições de 2012, “aliados tradicionais” que ajudam na sustentação política do governo Dilma, como o PMDB não são as principais legendas partidárias que o PT procurará para compor na disputa das eleições municipais de 2012.
Segundo ele, há casos em que o PT se aproxima mais do DEM e do PSDB do que com o PMDB, o PR, dentre outros partidos que apoiam a presidenta Dilma Roussef. Sobre o PSD, Ferro tem a mesma visão. A preocupação do petista pernambucano é fazer alianças para os pleitos de 2012 que tenham afinidade “programática e ideológica”, disse. O parlamentar acredita ainda é preciso que o PT finque suas raízes no interior do Nordeste. Segundo ele, o partido está consolidado nas grandes áreas urbanas da região, mas falta a consolidação “no interior”.
Abaixo, a Agência Política Real disponibiliza a entrevista que a reportagem fez com ele, enquanto o deputado – junto a um grupo de companheiros filiados ao PT – aguardava sua inscrição no 4º Congresso do partido, na recepção do Brasil 21, no centro da capital federal.
Política Real – Qual a sua expectativa para a realização neste final de semana do 4º Congresso do PT?
Fernando Ferro – Eu acho que aprofundar um debate sobre o momento político que nós estamos vivendo, fazer uma discussão sobre o estatuto, que é um dos objetivos e refletir sobre as eleições de 2012. E o PT, como um partido que tem crescente aceitação na população brasileira, presença política, governa o País, alguns Estados, prefeituras importantes e ampliar sua participação na disputa de 2012. E evidentemente, aqui é um momento adequado para ouvir delegados de todo o País sobre esse objetivo.
Politica Real – E com relação ao desenvolvimento do PT no Nordeste, isso vai fazer parte da pauta do Congresso para saber se o crescimento foi bom, ruim, precisa melhorar?
Fernando Ferro – Eu acho que o PT no Nordeste está vivendo um momento importante. Nós desbancamos várias oligarquias. Quero dizer que o Nordeste do País voltou à esquerda, votou com Dilma. Então, hoje a esquerda está no Nordeste. Veja que ironia. Antigamente, era o local dos grotões e com a ascensão do presidente Lula e o próprio crescimento do PT, nós temos um deslocamento da qualidade política da região. Novas lideranças surgindo, governadores novos – não só do PT – mas aliados nossos, estão reformulando a feição política do Nordeste. O PT, evidentemente, como é um partido ainda com muita inserção nas áreas urbanas do Nordeste, também tem que buscar aprofundar as suas raízes no interior e há espaço para isso. Há uma identidade muito grande do povo nordestino com a política social de inclusão, de crescimento sustentável e crescimento com justiça social que o PT promove no Brasil. Isso tornou-o um partido muito simpático a amplos setores da massa, do povo nordestino que tem hoje uma identificação política cultural e ideológica com a figura do presidente Lula e com o PT. Isso é muito importante e deve se transferir, pode transferir em ampliação eleitoral no próximo ano a partir de um debate adequado que façamos aqui e de uma compreensão do momento político para avançar na consolidação do PT.
Política Real – O PT vai para as eleições 2012 junto com os partidos da base aliada ou está havendo um distanciamento?
Fernando Ferro – Eu acho que isso já é uma resolução política que privilegie o fortalecimento da base política tradicional do PT e os aliados políticos com identidade programática, política e ideológica que devem sempre ser buscados e priorizados. O que não impede de analisar casos isolados e em situações extremas. Há situações por exemplo de pessoas hoje que estão no DEM e são mais progressistas ou até no plano dos Direitos Humanos, por exemplo, são muito mais identificados com a gente. Há grupos de extermínios que estão ligados e grupos violentos que estão ligados as siglas que são nossos aliados, com os quais nós não temos condições de fazer aliança. E há setores até do PSDB, do DEM, em casos isolados, que são neste aspecto nos Direitos Humanos, por exemplo, mais próximos da gente que os nossos aliados políticos tradicionais.
Política Real – E a aliança com o PMDB, que é o principal parceiro na sustentação do governo Dilma?
F. Ferro – Ela deverá acontecer naturalmente em algumas situações. Não é uma questão mecânica. É a questão política em que o PMDB não é um partido com identidade ideológica e programática clara. O PMDB se divide no País em regiões, então, nós temos que analisar isso aí com o perfil de cada caso para poder, na nossa compreensão, consolidar o campo mais progressista e que areja a política crescentemente. E que ajude a consolidar um campo democrático e popular no País.
Política Real – E o PR, que teve ministro, se declarou independência ao governo Dilma e que agora está querendo voltar. Existirá aliança entre PT e PR?
F. Ferro – São casos isolados. São situações isoladas que tem que ser analisadas também. É um parceiro aqui político, no qual nós temos diferenças ideológicas e programáticas e que tem que ser analisados, no caso-a-caso, nestes diversos segmentos.
Política Real – E uma parceria eleitoral com o novo partido PSD?
F. Ferro – Se insere na mesma situação. Vamos ser procurados e temos que analisar o perfil que se monta em cada local e isso aí tem que ser feito sem nenhum sectarismo, mas também com alguma preocupação e um rigor programático e ideológico.
Política Real – O PT terá candidatos em todas as capitais do Nordeste?
F. Ferro – O partido que está no poder, na presidência da República, naturalmente é um candidato a ter nomes disputando em todos os espaços. Onde nós não tivermos condições de fazer isso, é que iremos fazer uma alteração e buscar alianças. Onde tivermos condições de competitividade e candidatura, não tem porque não apresentar. É um partido com sentido de poder e obviamente não pode se omitir, não pode se excluir nesta disputa. É natural que busque conquistar seus espaços.
(Por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)