31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Lídice da Mata fala sobre corrupção, desenvolvimento do Nordeste, novo papel da Sudene e muito mais. Ela acha que o Brasil Maior deve mudar<BR>

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Por admin
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( Brasília-DF, 02/09/2011) A POLITICA REAL ouviu, com exclusividade, a senadora Lídice da Mata, do PSB da Bahia. A militância política de Lídice se confunde com a sua própria vida. Atuante na resistência à ditadura militar, sob a bandeira feminista e da defesa das causas sociais, Lídice fala em tom professoral de uma das suas principais bandeiras, a inserção das trabalhadoras domésticas no que ela definiu como “rol de direitos” das quais estão excluídas. Pragmática, Lídice diz que corrupção faz parte do governo e defendeu profundas mudanças na SUDENE, além de defender mais investimentos no Nordeste. Conheça mais da senadora, de suas idéias e propostas para o NORDESTE nesta entrevista.







Política Real – Qual o balanço a senhora faz desses oito meses do governo de Dilma?







Lídice da Mata – A minha avaliação é muito positiva. A presidente Dilma tem mantido a tranqüilidade nos lares brasileiros, frente à grave crise econômica que o mundo vive hoje e que atinge as principais nações, da economia capitalista internacional. Portanto, a presidente mantém a confiança dos brasileiros no seu governo.











CORRUPÇÃO FAZ PARTE DO GOVERNO







Política Real – Como parlamentar da base do governo de Dilma, como a senhora observa as denúncias quase diárias de corrupção neste governo e o que a senhora acha da “faxina ética”?







Lídice da Mata – Olhe, eu tenho 26 anos de vida pública, e desconheço qual o governo que não teve denúncias de corrupção. Denúncia de corrupção faz parte do governo. De todo governo. Algumas são reais, outras não. Não considero que tenha feito faxina ética, ela agiu de acordo com seu compromisso com o povo brasileiro, com seu estilo de comando, de forma rápida, precisa, tomando providencia sobre aquilo que considerava desvio grave de conduta, e que, por isso, tinha que ser modificado. Então, nós demos o apoio, o Brasil, a Câmara, o Senado, e continuaremos dando para que a presidente prossiga com seu governo come essa mesma determinação, a respeito desses desvios.







Política Real – Apesar de fazer parte, como titular ou suplente, de muitas comissões e subcomissões verifiquei que a senhora focou seu trabalho na defesa do trabalhador doméstico. Por que essa opção?







Lídice da Mata – Há muitos anos o movimento de mulheres, especialmente o movimento feminista, luta para incluir as empregadas domésticas no direito dos trabalhadores, naqueles direitos que os trabalhadores conquistaram na Constituição de 1988. Ali, há um rol de direitos, em que o emprego doméstico está excluído. E como o emprego doméstico tem, na sua base, mais de 90% de trabalhadoras mulheres, trabalhadoras domésticas, nós transformamos esta base de trabalhadoras numa base de preocupação central do movimento de mulheres. É claro que existem outras categorias que também tem maioria de mulheres. Como exemplos, os professores em todo o país, os profissionais da área de saúde, particularmente a enfermagem de nível superior tem participação majoritária de mulheres. No, entanto, o emprego doméstico, concentra uma série de discriminações que se tornam prioridade tratar. Primeiro, a discriminação no trabalho. Essa relação diferente, menor frente aos outros trabalhadores brasileiros no que diz respeito aos seus direitos. Depois, a grande maioria de empregadas domésticas negras. O que consiste, também, numa prática e numa convivência permanente com a discriminação racial, no trabalho e no ambiente social. E, finalmente, o fato das condições que o trabalho doméstico acontece no Brasil. Muitas vezes submetido a um tipo de assédio sexual, moral, que é preciso, também, abordar e tratar de imediato.







Política Real – Como membro da subcomissão da Copa 2014, a senhora acha que estará tudo pronto em tempo para o evento, e em que a senhora acha que o Nordeste pode ganhar com isso?







Lídice da Mata – A única possibilidade de haver ameaça a realização da copa no Brasil, em 2014, fora algum evento de natureza imprevisível ou de desastre natural, eu diria que no que diz respeito às tarefas do Brasil, para a realização da copa, são os estádios, as arenas esportivas. Porque fora isso, o Brasil tem uma larga experiência de realização de grandes eventos. Tanto esportivos quanto culturais. Cito como exemplos o carnaval do Rio de Janeiro, o carnaval da Bahia, o de Pernambuco. Outros, como o São João em todo o Nordeste, com mega eventos como os de Campina Grande, Caruaru, entre outros tantos eventos, que mobilizam milhares de pessoas de maneira ordeira e com sucesso.



O Brasil já organizou uma copa do mundo, em 1950, quando tínhamos condições muito menores de realizar uma copa.



Imagine agora, em que o Brasil vive um momento singular de sua economia.



Então, não vejo ameaça alguma a realização desse evento.



Além disso, vejo a copa do mundo como uma oportunidade única de negócios, em especial turísticos, e mais ainda, para o nordeste. Acho que temos muito a ganhar, a nossa região.







FALTA PROGRAMA PARA DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE E SUDENE TEM QUE REVER SEU PAPEL







Política Real – Passados oito meses do governo Dilma, a gente nota que falta um Plano de Desenvolvimento para o Nordeste. Uma melhor utilização de alguns órgãos que deveriam agir com esta finalidade. Qual a sua avaliação desse cenário?







Lídice da Mata – Eu acho lamentável que ainda não tenhamos a indicação do presidente da SUDENE, e que tenhamos, também, uma situação do DNOCS, pouco valorizado. É possível, também, que isso resulte nas mudanças administrativas das funções do DNOCS. Por que hoje nós temos uma CODEVASF atuando com muita força e ampliando a sua atuação. Ela que antes atuava apenas na área do S. Francisco, como a sigla já diz, atua hoje no Piauí, Maranhão, em toda área do rio Parnaíba. Então, acredito que a diminuição do papel do DNOCS, possa ter sido em função do crescimento da atuação de outros órgãos, como a CODEVASF.



Acho que é necessário sim solicitarmos do governo Dilma, um empenho na definição imediata do novo nome do presidente da SUDENE. E não apenas nisso, uma mudança do papel da SUDENE valorizando o planejamento as políticas para o desenvolvimento do Nordeste, e com isso, até pensando na possibilidade de que a SUDENE pudesse crescer no seu papel se vinculando, por exemplo, à diretamente Casa Civil. Ou todas as superintendências regionais tivessem um papel específico, destacado, diretamente junto à Presidência da República. Já que o ministério da Integração Nacional, não é um ministério para integrar o Nordeste ao resto do Brasil. É um ministério para planejar executar políticas públicas de todas as regiões do país.



Portanto, eu creio que é preciso repensar realmente o papel da SUDENE como órgão de planejamento e do desenvolvimento nordestino.



Pois, além disso, a SUDENE, a meu ver, está tendo seu papel desvirtuado. Ou seja, a maior parte das ações da SUDENE concentra-se nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. O maior volume de investimentos da SUDENE está nesses dois estados, quando deveriam estar no Nordeste.



Agora, isso não quer dizer que o governo tenha se afastado de investimentos no Nordeste. O governo do presidente Lula e esses oito meses do governo da presidente Dilma, têm demonstrado a sua preocupação e a sua prioridade. E a sua decisão de investir no Nordeste.



Nós temos novas três refinarias, no Nordeste. Nós temos novos estaleiros no Nordeste. Um em Pernambuco e a Bahia vêm lutando para receber um desses estaleiros.



Novos investimentos na área de educação. A presidente Dilma lançou o Programa de Expansão do Ensino Superior no Brasil, e das quatro universidades, três são no Nordeste. Sendo duas na Bahia.



Então, eu creio que esses são sinais do compromisso da presidente com programas que de investimentos essenciais para o Nordeste.



O Programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, tem na Bahia o maior número de investimentos. E no Nordeste brasileiro, também, um grande número de investimentos desse programa, reforçando a preocupação da presidente com o Nordeste do Brasil.



E até o programa de superação da miséria, lançado pela presidente Dilma que, como no Nordeste, é a região com maior número de pobres, receberá esse tipo de prioridade.







PLANO BRASIL MAIOR NÃO É PARA O NORDESTE, MAS DEVE MUDAR







Política Real – Como titular da subcomissão do Nordeste, como à senhora avalia o Plano Brasil Maior no tocante a região nordestina? A Senhor acha que o Nordeste foi contemplado neste programa?







Lídice da Mata – Olhe. Este não é um plano voltado para o Nordeste. É um plano para todo o Brasil, principalmente, para atenuar o processo de desindustrialização, portanto de enfraquecimento da indústria nacional frente à situação cambial que o mundo vive. Que a nossa moeda vive diante do dólar. Acho que esse plano não prejudica o Nordeste, não foi voltada para ele. E o Nordeste na medida em que o plano feito através de Medida Provisória, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal podem contribuir para aperfeiçoá-la no sentido de fortalecer o Nordeste. Embora nãos seja o Nordeste o principal parque industrial do país. Mas nós não podemos permitir desestímulo em nossa região através desse plano.







Política Real – Qual o cenário que a Senhor imagina para a próxima eleição de prefeito em Salvador?







‘Lídice da Mata : Imagino apenas uma coisa: a vitória para o campo da base de apoio do governador Jacques Wagner.







( Por Francisco Lima Jr., especial para a Política Real, com edição de Genésio Jr)