31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Humberto Costa, pré-candidato do PT ao Senado, fala de seu partido, eleições e Pernambuco.

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Por admin
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( Recife-Pe, 23/04/2010) A especial desta semana é com o pré-candidato ao senado de Pernambuco, Humberto Costa (PT). Fundador do PT, ex-secretário das Cidades, ex-ministro da saúde, o petista que é formado em jornalismo e medicina também atuou politicamente como deputado federal, estadual e vereador. A escolha de Humberto para a entrevista se deve a dois motivos fundamentais: o primeiro pela decisão do partido de oficializar a candidatura de Humberto, depois de meses numa dissonância interna na legenda – pois, além de Humberto o ex-prefeito João Paulo também pleiteava a vaga – e a segunda é a posição que o petista assume frente ao Estado na disputa por uma vaga na Casa Parlamentar, ocupada atualmente por senadores de oposição ao governo estadual e federal. Humberto se descompatibilizou da secretaria das Cidades no último dia 30 para poder concorrer às eleições.



P.R: Nessa decisão do PT de escolher o senhor, sem a necessidade de prévias, para assumir a candidatura ao senado na chapa de Eduardo quais os pontos que o senhor acredita que foram mais favoráveis em prol de seu nome?

Eu sempre acreditei que tinha as credenciais para ser o representante do meu partido na disputa ao Senado deste ano. Consegui a simpatia da maior parte da Frente Popular, o apoio de vários prefeitos da Região Metropolitana do Recife e do Interior, pertenço ao grupo que detém a maioria do partido e considero que acumulei experiência política e administrativa para isso. Já fui ministro da Saúde, secretário estadual, municipal, deputado federal, estadual e o vereador mais votado da história da Capital pernambucana. Com todo o trabalho que fizemos à frente da secretaria e com o recall da notícia da minha absolvição por unanimidade pela Justiça no caso da Operação Vampiro, conseguimos também um bom crescimento nas pesquisas eleitorais. O levantamento feito pelo PT nacional mostrou que já apareço na frente dos demais candidatos ao Senado. E nas outras pesquisas que tive acesso também estou em situação semelhante.



P.R: Como a sua tendência, a Construindo um Novo Brasil (CNB), é maioria do partido foi feita alguma pressão no ex-prefeito João Paulo para que ele não lutasse até o fim pelas prévias?

Não. Essa foi uma decisão pessoal de João Paulo. Um gesto de desprendimento, que eu respeito e admiro. O próprio ex-prefeito deixou isso claro nas declarações que deu.



P.R: Por que o seu nome é visto como mais agregador para a conjuntura nacional, visando as eleições?

Acho que isso é fruto da minha trajetória política. De tudo aquilo que eu construí. Sempre defendi a política de alianças com os partidos que hoje fazem parte da Frente Popular. Em 98, disputei a eleição como Senador na chapa de Arraes e sempre tive uma boa relação com o PSB e por onde eu passei sempre procurei dialogar com todos, respeitar os aliados e até a oposição. Foi assim durante o tempo que fui deputado, ministro e agora secretário das Cidades.

4. Você acredita na teoria que alguns dos eleitores fiéis do ex-prefeito João Paulo se revoltem com a decisão e optem por não votar em você como ato de protesto?

De maneira nenhuma. Como eu já disse, foi o próprio ex-prefeito que decidiu desistir da disputa, num gesto nobre, repito. João Paulo tem compromisso com o PT e é fundador do partido e os aliados deles sabem disso. Ele também já deu declarações de vai se integrar completamente à campanha. Agora, é claro que num processo de decisão como esse todo mundo tem as suas preferências podem aparecer algumas rusgas, mas tudo isso é perfeitamente normal e contornável.



P.R: Qual será a sua principal plataforma de campanha?

Meu principal compromisso é a defesa dos interesses de Pernambuco no Senado. Temas como a reforma tributária, o pré-sal e a política de desenvolvimento regional terão prioridade na minha agenda de trabalho. Afora isso, historicamente tenho uma militância em determinadas áreas e que eu pretendo continuar na condição de Senador. Entre as áreas que pretendo também trabalhar estão a Saúde e o Desenvolvimento Urbano, já que possuo experiência nestas áreas como ex-ministro da Saúde e ex-secretário das Cidades.



P.R: Numa pesquisa interna realizada pelo partido e divulgada hoje (20/04) o seu nome aparece na frente do nome do senador Marco Maciel. Você acredita que há uma tendência de mudança do eleitorado que pretende quebrar o conservadorismo presente naquela casa parlamentar?

Sim. Nós estamos num momento muito favorável. O presidente Lula e o governador Eduardo Campos são nomes de grande força no Estado e acreditamos que temos uma chapa forte para essa campanha. A própria ministra Dilma já aparece na frente dos demais candidatos em Pernambuco. Então, isso tudo ajuda a criar um movimento a favor de toda frente, para eleger deputados, senadores que estejam integrados a esse campo político. Os pernambucanos já começam a ter essa compreensão.



P.R: De que maneira você atuará nesta campanha junto ao também candidato Armando Monteiro Neto para que haja unidade no palanque governista?

Eu tenho uma ótima relação com Armando. Ele, inclusive, participou ativamente da minha campanha de 2006 ao governo de Pernambuco. Tenho certeza que vamos fazer uma campanha integrada, junto com Eduardo, Dilma e Lula.



P.R: Mesmo com sua absolvição no caso da “máfia dos vampiros” você acredita que a oposição utilizará isso contra você durante a campanha?

Seria até bom que eles usassem porque teriam que falar da minha absolvição (risos). A Justiça mostrou por A mais B que eu não tive nenhuma participação neste processo. Pelo contrário, o próprio Ministério Público que me denunciou reconheceu que errou na denúncia. E a população não aceita mais esse tipo de campanha suja que costuma ser a prática da oposição em Pernambuco.



P.R: Como o senhor enxerga a oposição no Estado de Pernambuco? De que maneira eles atuarão na campanha?

A oposição está numa situação difícil em Pernambuco porque está sem discurso. Pernambuco vive um momento muito positivo. Lula fez muito por aqui e Eduardo está conduzindo muito bem a sua gestão. Em todas as áreas, o governo de Eduardo fez muito mais do que o governo Jarbas, então os oposicionistas vão dizer o quê?



P.R: O senhor acredita que a oposição está sumindo no Estado? Caso os candidatos caciques de legendas de oposição não consigam se eleger, é possível que alguns partidos – que já estão à míngua- desapareçam do cenário político?

Naturalmente que pelo sucesso da gestão Eduardo Campos e a sua capacidade de atrair setores que em outros momentos figuraram no campo da oposição há um enfraquecimento da chamada União por Pernambuco. Isso, no entanto, não significa que se possa decretar a extinção da oposição. Além de terem quadros historicamente muito fortes, como Jarbas Vasconcelos e Marco Maciel, existem quadros emergentes, com uma boa perspectiva de futuro. Agora, é inegável que o momento atual é de difícil para eles. Especialmente porque falta a oposição uma importante questão, que é a unidade.



P.R: Que avaliação o senhor faz do senado hoje, uma vez que os três representantes do Estado fazem oposição ao governo federal e estadual?

Eu acredito que os senadores poderiam ter contribuído muito mais com Pernambuco. Por exemplo, achei muito fraca a participação dos senadores no processo da discussão dos royalties do pré-sal. Eles poderiam ter buscado ajudar nessa discussão e em tantas outras questões. É importante que os senadores estejam identificados com a política do Governo Federal e que saibam defender o Estado que representam.



P.R: Como o senhor idealiza o funcionamento do senado, caso sejam eleitos você e Armando? De que maneira Pernambuco será beneficiado?

Acredito que tanto eu como Armando Monteiro temos muito a contribuir. Estamos associados a esse projeto político de sucesso que é o governo Eduardo Campos e do Governo Lula. Vamos lutar para que o Senado saia das manchetes negativas e que supere todos os problemas éticos que vem enfrentando. A Casa precisa de renovação.



( por Maria Carmen Chaves, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)