ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. RN: Campanha acirrada para o Senado leva ao radicalismo. A Política Real está acompanhando…
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( Natal-RN, 16/04/2010) A campanha eleitoral neste ano no Rio Grande do Norte será atípica. As atenções estarão mais voltadas para as candidaturas ao Senado do que propriamente para o governo do estado. E por que?
Porque na disputa pelas duas vagas à senatória estarão três grandes líderes políticos – Wilma de Faria (PSB), ex-governadora e que tentará pela primeira vez chegar ao Senado; Garibaldi Alves (PMDB) e José Agripino Maia (DEM), estes vão tentar a reeleição. Uma briga de Titãs.
E parece que a “briga” já começou, antes mesmo das candidaturas serem oficializadas. A troca de farpas entre o senador democrata e a ex-governadora na imprensa já dá o tom do que será a campanha. Wilma, claro, tenta polarizar a campanha entre ela e Agripino, considerado um dos maiores adversários políticos do governo Lula. Aliás, Lula já disse várias vezes que quer derrotar o democrata no Rio Grande do Norte.
Mas o que chama a atenção é o radicalismo que muitos diziam acabado no Rio Grande do Norte, inclusive, os políticos. E quando se fala em “ficha limpa”, no caso a troca de “elogios” entre Agripino e Wilma, parece que o acirramento da campanha vai além da disputa apertada pelo voto. Agripino fala que o governo de Wilma foi maculado pelos escândalos envolvendo alguns de seus irmãos. Wilma por outro lado rebate e diz que tem as mãos limpas.
O escândalo do “Rabo de Palha”, por exemplo, envolve os dois políticos. Agripino era governador do Rio Grande do Norte quando lançou a então secretária estadual de Trabalho e Ação Social Wilma Maia – ela ainda tinha o sobrenome Maia só retirado após o fim do casamento com o deputado estadual Lavoisier Maia
– candidata à prefeitura de Natal na primeira eleição direta após o regime ditatorial. Na disputa estava também o então deputado estadual Garibaldi Alves (PMDB), que acabou vencendo o pleito. Por ser uma disputa acirrada em termos de votos, Agripino lançou mão do que ficou conhecido como “Rabo de Palha”.
E o que era afinal o “Rabo de Palha”? Nada mais do que a compra de votos com distribuição de feirinhas e enxovais às pessoas menos favorecidas. O governador de plantão organizou uma grande reunião no Centro de Convenções de Ponta Negra com prefeitos da Grande Natal para no dia da eleição invadirem a capital potiguar com seus cabos eleitorais para distribuir as feirinhas. Não contava que a reunião estava sendo gravada por um “espião” que entregou a fita ao também ex-governador Geraldo Melo, que enviou-a a TV Globo com a gravação indo ao ar no Fantástico. Portanto, embora fosse para beneficiar a candidatura de Wilma, o ficha suja neste caso foi Agripino Maia, que articulou tudo.
Falar de “ficha suja” nesta campanha certamente não será um bom caminho. Quem nunca atirou a primeira pedra que atire! Por issoé bom pensar duas vezes antes de falar alguma coisa. A campanha tem que ser levada para o nível dos debates e não para a troca de acusações. Se for para apelar será difícil contar os cacos depois.
( por Carlos Alberto Barbosa, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)