31 de julho de 2025

Bancada do Nordeste. Nordestinos querem renegociação para dívida agrícola de produtores da região. A Política Real acompanhou…

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( Brasília-DF, 14/04/2010) A Bancada do Nordeste realizou nesta quarta-feira, 14, café-da-manhã com entidades representantes de agricultores para discutir propostas de renegociação da dívida agrícola dos pequenos produtores rurais do Nordeste. Estiveram presentes representantes dos agricultores, que pediram a anistia de dívidas de empréstimos de até R$ 15 mil. Os deputados apoiaram a proposta.



A sugestão deverá entrar na MP 472, que está em análise no Senado e é relatada pelo líder do governo na casa, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Um grupo formado por parlamentares da bancada e representantes dos trabalhadores rurais vão se reunir com o relator hoje para apresentar a proposta.

Participaram do café-da-manhã o presidente da Federação da Agricultura Pecuária da Paraíba, Mário Borba; a coordenadora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF), Elisângela Araújo; o secretário de política agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Antoninho Rovaris, e o vice-presidente executivo da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fábio de Salles Meirelles.



Mário Borba defendeu que haja abertura de créditos rurais específicos para o Nordeste, uma vez que a região tem peculiaridades como uma grande parte do território no semiárido e enfrenta diversidades climáticas como secas e enchentes. Segundo ele, a origem do endividamento agrícola dos nordestinos vem da década de 90, em que houve seis anos de seca. Daqueles anos até hoje, já houve nove secas e três inundações da região.



O deputado Betinho Rosado (DEM-RN) aprovou a proposta apresentada pela federação paraibana em conjunto com a CNA. “Estou vendo que nós iniciamos com uma proposta razoavelmente acabada, que pode resulta em frutos para a recobertura nordestina”, disse o deputado, que pediu mais compromisso da bancada com o assunto.



“Eu tenho um amigo que ao longo de quatro ou cinco anos, tem buscado uma solução no Banco do Nordeste [para dívida agrícola]. Se tomarem tudo que ele tem, que ele não tem quase nada, ele não terá nem como começar a negociação para o pagamento da sua dívida”, justificou a renegociação a deputada Sandra Rosado (PSB-RN).



Para Júlio Cesar (DEM-PI) as dificuldades enfrentadas pelos nordestinos se revelam na diferença entre o tamanho da área plantada da região e sua produção. “O que me preocupa é que o Nordeste tem 16% da área plantada do Brasil e 8% da produção do país. Tinha que ser proporcional”, disse o deputado.

Jorge Khoury (DEM-BA), que é presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, alertou que a agricultura no semiárido poderá ser mais difícil com as mudanças climáticas. “Imagina se aquilo que está sendo previsto com as mudanças climáticas efetivamente acontecer. Com a elevação de dois graus apenas, nós não teremos mais o semiárido, nós teremos árido”, relatou.

O deputado Geraldo Simões (PT-BA) pediu que a MP 472 trate especificamente da renegociação das dívidas dos produtores de cacau da Bahia. Ele propôs remissão das dívidas de empréstimo de até R$ 10 mil, que segundo o deputado, correspondem a 60% dos que tomaram crédito.

Os empréstimos foram oferecidos nos anos 90 aos agricultores, para enfrentarem fungo que quase destruiu as plantações. “O remédio foi pior do que a doença. Em função disso, já tem 20 anos que não se tem custeio na região. Uma produtividade média que era de 50 arroubas por hectares, hoje é de 16 e na tendência vai cair mais ainda.



( por Evam Sena, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)