31 de julho de 2025

Bancada do Nordeste. Questão agrícola não se resume a renegociação de dívidas Representantes da Contag, Fetraf e CNA deram suas opiniões na reunião desta manhã…

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Por admin
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( Brasília-DF, 14/04/2010) A Bancada do Nordeste realizou nesta quarta-feira, 14, café-da-manhã com entidades representantes de agricultores para discutir propostas de renegociação da dívida agrícola dos pequenos produtores rurais do Nordeste. Estiveram presentes o presidente da Federação da Agricultura Pecuária da Paraíba, Mário Borba; a coordenadora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF), Elisângela Araújo; o secretário de política agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Antoninho Rovaris, e o vice-presidente executivo da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fábio de Salles Meirelles.



Apesar de Mário Borba defender a anistia das dívidas de empréstimos de R$ 15 mil, os demais representantes de agricultores são contra a remissão e acreditam que o Nordeste precisa de políticas públicas específicas, com assistência técnica, tecnologia específica para o semiárido, aumento do preço dos produtos locais e juros mais baixos.



Representantes da Bancada do Nordeste e dos agricultores vão se reunir com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e relator da medida provisória (MP) 472, para fechar a proposta de renegociação da dívida dos produtores rurais do Nordeste que deverá ser incluída na MP.



Para Antoninho Rovaris, a solução dos problemas do setor agrícola nordestino não passa só pela renegociação da dívida. “O Bolsa Família, para nós, infelizmente, não dá conta daquilo que é necessário para o Nordeste. Nós temos um programa chamado Garantia Safra que, se bem conduzido e sofresse algumas alterações, evitaria conta de uma grande massa desse público”, exemplificou.



Não só a CONTAG, como a FETRAF e a CNA acreditam que é necessária a criação de condições mínimas de convivência do agricultor com o semiárido, com a recuperação dos solos da região, construção de cisternas, oferecimento de assistência técnica e tecnologias apropriadas para as peculiaridades do Nordeste.



A coordenadora da FETRAF nacional, Elisângela Araújo, também reivindicou maiores preços dos produtos agrícolas do semiárido. “Os baixos preços dos produtos também é uma causa para que as pessoas não consigam pagar as dívidas”, disse.



Flávio Meirelles, da CNA, criticou a alta dos juros dos bancos para o crédito rural. “Não interessa onde você está. No Nordeste e no Centro-oeste, o acúmulo da dívida seria bastante grande para ser paga. A questão do Nordeste precisa ser extremamente diferenciada. Porque o banco tem que ganhar justamente no lugar mais pobre? Porque para acertar essas dívidas, o banco não enxuga seus lucros em vez de fazer o que diz a legislação?”, questionou.



O representante da CNA criticou também as execuções a pequenos produtores agricultores do Nordeste. “Quem vai ficar com essa terra? Nem o banco não quer. Se tivesse alguém para comprar essa terra, seria uma coisa mais lógica”, alegou Flávio.



( por Evam Sena, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)