31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Reeleição de Garibaldi pode ser prejudicada por indecisão do PMDB, afirma Agripino. O senador líder dos democratas falou à Política Real…

.

Por admin
Publicado em

( Brasília-DF, 09/04/2010) O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) afirmou na última semana que o diretório potiguar do seu partido não vai fechar apoio com nenhum candidato ao governo do Rio Grande do Norte, para que ele possa apoiar a pré-candidata do DEM, senadora Rosalba Ciarlini, e ao mesmo tempo, seu primo, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) apoie a reeleição do governador recém-empossado, Iberê Ferreira (PSB).

Em entrevista à Política Real, o senador José Agripino (DEM-RN), candidato à reeleição para o Senado, afirmou que o apoio individual de Garibaldi à candidatura de Rosalba é bem-vindo, embora o ideal fosse que a coligação formal do PMDB. Sem a aliança, os peemedebistas não poderão aparecer em propaganda eleitoral de nenhum dos candidatos do governo, mas estarão liberados para subir em palanque.



Sem a formalização, não haverá composição de chapa com candidatos para o Senado, uma vez que este ano serão eleitos dois senadores. Será cada um por seu partido: Agripino pelo DEM, Garibaldi pelo PMDB, e a ex-governadora, Wilma de Faria, pelo PSB. Agripino acredita que sua candidatura não será prejudicada sem a aliança do PMDB, e sim a de Garibaldi.

“A minha não teria razão nenhuma para ficar prejudicada. Eu acho que se você não tem no programa de televisão a unidade da chapa Rosalba, Agripino e Garibaldi, o prejudicado não serei eu”, deu a entender, já que ele aparecerá nas propagandas com Rosalba e o pré-candidato tucano a presidente, José Serra, e Wilma estará com Iberê e a pré-candidata petista ao governo federal, Dilma Rousseff.



Confira entrevista em que ele fala sobre as perspectivas de o Senado aprovar a renegociação do endividamento agrícola de pequenos agricultores do Nordeste, sobre a força de Serra na região e a primeira semana de campanha de Dilma.



Politica Real: O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), reuniu-se esta semana com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tratar, entre outros assuntos, da renegociação da dívida agrícola dos nordestinos. O Sr. afirmou que está em diálogo com Renan para saber como anda o assunto. Quais as perspectivas de a renegociação ser aprovada na Medida Provisória (MP) 472, que será apreciada pelo Senado?

Agripino: O Renan e o [líder do governo no Senado, Romero] Jucá (PMDB-RR) sabem que nós não votaremos a MP 472 se não houver uma solução que atenda ao clamor do pequeno produtor rural. A nossa posição é política. A gente vota a 472, que atende o governo com a cessão de dinheiro do Tesouro para o BNDES, se o governo atender a reivindicação dos pequenos produtores rurais. Só nos convenha uma coisa que convenha ao pequeno produtor rural. Não adianta tentar oferecer migalhas. Não tem cabimento você perdoar dívida de países africanos, dar dinheiro para a Caixa Econômica e o BNDES e você não perdoar uma dívida que equivale a um mês de Bolsa Família, atendendo a milhares de produtores rurais

[A proposta é de que sejam perdoadas as dívidas de empréstimos de até R$ 15 mil. As dívidas que excederem esse valor seriam negociadas até 31 de dezembro nos termos do contrato original. O limite atual é de R$ 10 mil e o prazo para quitação das dívidas termina no final de março.]



Política Real: As pesquisas eleitorais têm mostrado que o desempenho de Dilma no Nordeste é melhor que o de Serra. É a única região em que ela está na frente. Como o Nordeste será tratado na campanha de Serra?

Agripino: O candidato sabe que a posição vantajosa de Dilma não é no Nordeste, é em alguns estados do Nordeste: Bahia, Pernambuco e Ceará. Nos outros estados há equilíbrio ou vitória para Serra. Então, essa questão de dizer que o Nordeste é um domínio de Lula, não. Nesses estados onde o PT é governo, ou aliados são governo, é claríssimo, e o TCU [Tribunal de Contas da União] acabou de dizer, que a injeção preferencial de recursos nesses governos produziu uma proeminência do PT, da candidata do PT. Mas isso é uma coisa que pode ser combatida com o argumento de Serra, que tem uma proposta de economia sustentada, de geração de emprego. Não apenas o Bolsa Família, que é uma coisa positiva, mas que não gera renda de forma crescente. O emprego oferece a perspectiva de você crescer a renda. O Bolsa Família delimita. O investimento na geração de emprego pode sensibilizar os baianos, os pernambucanos e os cearenses, com investimento nas vocações naturais desses estados.



Política Real: Como o Sr. e o DEM tem encarado as provocações da pré-candidata Dilma, quando chama a oposição de “lobo em pelo de cordeiro”, por dizer que vai continuar com o que o governo Lula fez, embora tenha passado o mandato criticando o presidente?

Agripino: Ela está se adestrando como candidata, mas se adestrando mal. Acabou de dizer uma bobagem. Primeiro, promoveu uma falsidade indo ao túmulo de Tancredo, contra quem o PT votou quando ele foi candidato à presidente da República [em janeiro de 1985, por eleição indireta, depois do fim do regime militar]. E para completar, ainda sai-se com aquela história Anastadilma [uma fusão entre seu nome e o do candidato tucano ao governo de Minas Gerais, Antônio Anastasia, numa tentativa de conseguir votos do segundo maior colégio eleitoral do país], provocando a ira dos seus correligionários locais.



Política Real: O fato de o PMDB do Rio Grande do Norte não fechar apoio formal à Rosalba pode prejudicar ou ajudar a candidatura do DEM?

Agripino: Se o senador Garibaldi tem dificuldade de fechar apoio oficialmente, o apoio individual dele no nosso palanque já é de bom tamanho. O ideal é que o PMDB fizesse parte da nossa coligação. Se não é possível, por circunstâncias que eu compreendo, eu acho que é muito bem-vindo o apoio do senador Garibaldi, que é uma das mais expressivas lideranças do PMDB e do estado do Rio Grande do Norte.



Política Real: Mas a candidatura do Sr. não poderia sair prejudicada, já que não haverá chapas fechadas, com nomes de candidatos ao Senado?

Agripino: A minha não teria razão nenhuma para ficar prejudicada. Eu acho que se você não tem no programa de televisão a unidade da chapa Rosalba, Agripino e Garibaldi, o prejudicado não serei eu.



( por Evam Sena, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)