ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. “Não tenha dúvidas de que o PT-PE vai eleger um senador este ano, nas eleições 2010”. O petista e líder do Governo Campos falou à Política Real…
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( Recife-PE, 02/04/2010) Ele defende que a melhor forma de enfrentar a oposição a uma gestão é calar a oposição com ações que atendam ao clamor da sociedade. Os números do governo Eduardo Campos confirmam que essa estratégia vem funcionando em Pernambuco. Um governo que tem 80% de aprovação se prepara para enfrentar as urnas para uma reeleição quase definida. Como líder da bancada do Governo da Assembléia Legislativa, o deputado Isaltino Nascimento concilia em 2010 os interesses do partido pelo qual milita e da gestão que trabalha em aliança com outras siglas. Com o partido ainda sem candidato definido para a disputa pelo Senado, o petista afirma com convicção que a estrela do 13 não só vai eleger um senador este ano, quanto também aposta que o nome escolhido será o mais votado nas urnas em outubro. O deputado estadual de Pernambuco Isaltino Nascimento (PT) é o entrevistado deste especial de fim de semana da Política Real..
É possível dizer que diante da falta de unidade entre as tendências petistas em Pernambuco, há uma fragilidade evidente no partido?
No meu modo de ver, eu acho que aqui é menos problemático, considerando a diversidade que é o PR no Brasil. Por exemplo, tem estados que a uma facção petista (que já é um recorte do partido) se subdivide em duas, em três. Mas aqui nós temos uma situação atípica que é a divisão em dois pólos. Um pólo capitaneado por Humberto Costa e o outro, o CEU, abrigado na figura de João Paulo. Porém, o CEU acolhe várias agremiações que pensam diferentes linhas dentro do partido. Na verdade, isso é fruto da origem do PT, que formou-se da junção de estudantes, representantes das igrejas, militantes do movimento operário, trabalhadores rurais, integrantes da luta armada, grupos que se articulava, internacionalmente, com facções diferenciadas. Então isso tudo gerou esse misto de visões que se abrigam hoje no partido e que, no meu modo de ver, é algo aceito pelo próprio partido. Apesar de do lado de fora os analistas enxergarem como algum ruim, eu entendo que é esse mosaico que dá ao partido as características que ele tem de ser dinâmico. E tem muitas divergências, mas é um partido que não é hipócrita. Acho que a divergência de idéias é boa, salutar, se for na medida certa. Por exemplo, quando as diferenças servem de berço para lutas individuais por questões pessoais, só dificulta. Mas, na prática, é como uma grande família. Vários irmãos, primos… e quando brigam contra essa família, ela está unida. Então, o PT tem várias concepções e correntes, mas está todo mundo envolvido em defender o partido.
Na posição de líder, como se posicionar diante dessas divergências, muitas vezes problemáticas ao partido?
Do ponto de vista da relação com o partido, a figura do líder do Governo na Assembléia é uma figura que precisa ter uma tranqüilidade. Isso porque a opinião que eu emito, dependendo do tema, ela não é apenas uma opinião pessoal, ela é uma opinião que representa o sentimento do Governo. Então, eu muitas vezes me reservo a não opinar publicamente como líder do Governo sobre determinados temas, sobretudo em relação às tendências e divergências internas em função dessa minha função de ser líder de um Governo que é o PSB e que congrega outras forças políticas – são 18 legendas aliadas na base dessa esta gestão. Então, enquanto líder, essa é uma situação não muito confortável, não posso opinar numa questão relativa ao PT. Mas, internamente, nos fóruns, nos espaços e ambientes petistas, aí cabe minha palavra, não enquanto líder, mas enquanto militante, enquanto parlamentar do partido.
Eleições 2010. Ainda estamos a cerca de seis meses do pleito, mas muita coisa já está configurada enquanto outras não. Dentro das negociações hoje, entram os planos de preparação para a reeleição de João da Costa em 2012, ou essa ainda não é uma preocupação? O Sr já manifestou publicamente seu apoio a esta reeleição. Não seria cedo demais para isso?
Eu falei sobre essa questão porque uma das intenções do PT é a manutenção e renovação do mandato. É uma tradição, sejam mandatos proporcionais, sejam mandatos majoritários. Essa é uma posição do partido independente de quem esteja ocupando os espaços. Então, como alguns “loucos” vieram especular de que uma disputa para o Senado agora demandaria uma negociação para 2012, eu me posicionei – uma posição que não é só minha – em favor da reeleição de João da Costa. A menos que ele não queira se reeleger. Mas nós vamos trabalhar pra que ele se mantenha. Ele vem fazendo uma boa gestão, enfrentando algumas dificuldades no primeiro ano do mandato, impostas pela conjuntura econômica mundial, e este ano também porque a eleição impacta a distribuição de recursos. Então, algumas ações foram dificultadas. O próprio João da Costa trabalha de forma mais reservada, com outro tipo de expediente em relação a João Paulo. É difícil existir um outro João Paulo, assim como só existe um Lula. São pessoas que têm estilos diferenciados de governar, mas eu penso que a gente tem que continuar trabalhando. Eu entendo então como algo salutar tratar a reeleição como algo pra agora e também pra frente.
Ainda falando sobre Eleições 2010, que posicionamento o sr tem mediante essa indefinição petista quanto a um nome para a candidatura ao Senado? Acredita num consenso sem a existência de prévias?
Eu digo que o PT é um partido privilegiado. São poucas agremiações em Pernambuco que tem condições de apresentar mais de um nome com densidade na sociedade, com história, com representatividade, que transcendem o partido. O PT oferece nomes como Humberto Costa, João Paulo, Maurício Rands, então são três bons nomes hoje colocados, mas nós estamos aliando os interesses e idéias dos partidos aliados, discutindo as possibilidades com o governador Eduardo Campos, o prefeito João da Costa, o presidente Lula, a ministra Dilma, com a direção nacional do partido, vamos analisar as pesquisas… enfim, eu penso que até no máximo maio essa questão estará resolvida, assim como foi resolvido em 2008 o nome de João da Costa como candidato. À época, três nomes estavam postos pelo PT – Costa, Rands e Pedro Eugênio. E sem prévias ou disputas internas, o partido optou por João da Costa, com um resultado positivo que tivemos nas urnas. Então, no meu ponto de vista, se eu tiver que fazer uma aposta, eu apostaria que não haverá prévias. Haverá sim um consenso. Nós somos capazes internamente de dialogar, construir idéias e apontar o que for melhor para a legenda. Mas não tenha dúvida que o nome que sair será o senador mais votado em Pernambuco. Não tenha dúvidas de que o PT vai eleger um senador este ano, nas eleições 2010.
A aprovação do governo de Campos é uma realidade praticamente consolidada. Fala-se inclusive que este governo reina soberano sem enfrentar uma oposição significativa. Não vemos mais grandes greves da polícia, por exemplo, médicos e servidores de outras pastas também assinaram uma trégua. O Sr concorda com essa leitura? Qual a sua visão como líder da bancada governista na Alepe? O Sr enfrenta uma oposição real na Assembléia Legislativa?
Eu fui oposição e compreendo o modus operandi da oposição. Então, nosso governo democrático popular é diferente de um governo conservador – que tem as idéias, expõe para a sociedade sem que haja discussão. O governo de Eduardo se propõe a consultar a sociedade para ouvi-la. Então, em 2007, ele realizou plenárias em todas as regionais, foram mais de 5 mil questionários respondidos pelos atores da sociedade, líderes sociais, prefeituras, ONGs… todo mundo sugeriu. Então as ações que vêm sendo implementadas e a aplicação orçamentária em 2008, 2009 e este ano foram construídas nesse processo de ouvidas. Então a tendência é de se errar menos. Há programas estratégicos estabelecidos, com a construção de metas e objetivos e um acompanhamento. E o resultado disso é que este foi o único gestor da administração pública premiado pelo INDG demonstrando que há um reconhecimento da bem sucedida experiência gerencial de Pernambuco. E as próprias revistas especializadas já declaram que Pernambuco é o estado mais bem gerido do ponto de vista administrativo, com metas, com cobranças, com premiação nas áreas de educação, segurança pública. Então esse somatório de questões me dá a tranqüilidade que eu preciso pra fazer a defesa desse governo. Porque as lacunas praticamente não existem. Há dificuldades sim de suprir carências históricas, mas estamos fazendo essa retomada. Por exemplo, Pernambuco era o estado mais violento do Brasil. Hoje, com o Pacto Pela Vida constituído, não é mais. Pernambuco era o estado que tinha o pior IDEB que mede o desempenho da área da educação, mas isso também já foi resolvido. Pernambuco tinha déficits terríveis na área da saúde, mas isso também já está sendo equacionado. Tínhamos problemas na economia, também na interiorização das ações, o pior IDH do Brasil, em Manari… então são vários desafios que estamos conseguindo superar. Temos hoje uma educação com qualidade reconhecida pela população, um plano de segurança que é hoje modelo no Brasil e um desenvolvimento regional. Então hoje nós contabilizamos 200 mil empregos gerados ao longo dos 3 anos de gestão, a economia de Pernambuco é a que mais cresce na média histórica do Nordeste, é o que mais cresce no Brasil. Enfim, todos os esses são fatores que conduzem à aprovação do governo. Temos hoje 80% de aprovação da gestão e do governador. Isso deixa pouco espaço de manobra para a oposição fazer algum tipo de inserção de crítica a nós. Houve um pequeno infortuito na Secretaria de Turismo, mas centrado num nome, o que não maculou o governo, nem a gestão e foi rapidamente sanado.
Uma ferramenta que vem sendo utilizada cada vez com maior adesão pela
classe política é a internet. Blogs, sites, twitters… O Sr foi um
dos que adotou a estratégia. O Sr está agora dando entrevista para um
site de notícias. Política e tecnologia podem andar juntas?
O século 21 é eminentemente o século da comunicação. Então, a chegada de novos instrumentos de comunicação é sensacional. Eu tenho um jornal periódico com tiragem de 20 mil exemplares, procuro participar de debates em outros meios de comunicação, como a TV, o rádio, mas as novas mídias, a internet, o computador, também se tornaram instrumentos muito importantes, seja o orkut, flickr, twitter, blogs, sites… são ferramentas democráticas, de fácil acesso, que possibilitam que pessoas que não estão perto de você possam acompanhar o teu trabalho de qualquer parte do mundo. É uma forma de comunicar melhor e tornar transparentes as suas ações e receber também um feedback. No meu trabalho, tenho tido êxito no uso dessas ferramentas, tenho recebido sugestões, elogios ao trabalho e cobranças também das pessoas que acompanham o trabalho. Isso mede o grau de ações que o mandato tem. O mandato deve ser colocado a serviço da sociedade. Então esses instrumentos me auxiliam a construir o meu mandato a partir do interesse coletivo, democrático. Então, quanto mais ferramentas assim houverem, melhor pra que meu trabalho possa estar sendo acompanhado pela sociedade com senso crítico. São poucas pessoas que fazem isso. Meu Orkut eu leio todo dia. É sagrado. Sou eu que acesso, eu tenho a senha, faço questão de responder todos os comentários, de dialogar com meu eleitor através da internet. Eu escrevo artigos para blogs também… enfim, acho que o uso desses espaços por atores políticos é muito bom e importante. Quanto mais instrumentos de interação com a sociedade surgirem, será cada vez mais possível para o eleitor analisar melhor as ações de quem se coloca como candidato e selecionar melhor na hora de fazer suas escolhas. Só pode temer esse advento tecnológico quem não tem o que expor para seu eleitor. #
( por Fabiani Assunção, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)