ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Primos Alves pela primeira vez enfrentam uma eleição dividida. A Política Real está acompanhando…
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( Natal-RN, 26/02/2010) Pela primeira vez em mais de trinta anos fazendo política juntos os primos deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) poderão estar em lados opostos numa eleição no Rio Grande do Norte.
Somado a isso, de quebra o outro primo ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) também estará subindo em palanque diferente dos dois primeiros. Carlos Eduardo Alves, filho do jornalista e irmão do ex-ministro Aluizio Alves, já falecido, é candidato a governador pelo PDT, numa terceira via.
Esta, no entanto, não será a primeira vez que a família Alves estará dividida numa eleição. Ainda vivo o chefe do clã Aluizio Alves – governador do Rio Grande do Norte e ministro de Estado por duas vezes – governos José Sarney e Itamar Franco – viu a família se dividir. Foi quando disputaram a prefeitura de Natal os irmãos gêmeos Henrique Eduardo Alves e Ana Catarina Alves. Ambos foram derrotados.
Mas a situação hoje é completamente diferente. Naquela época Henrique disputava a prefeitura pelo PMDB e Ana Catarina que havia rompido com a família disputava por um outro partido com o apoio do então adversário de Aluizio Alves senador José Agripino Maia, no PFL. Na eleição deste ano tanto Henrique quanto Garibaldi estão no mesmo partido, o PMDB, o qual iniciaram suas carreiras políticas ainda como MDB – Movimento Democrático Brasileiro – na década de 1970. Henrique elegendo-se deputado federal pela primeira vez e Garibaldi deputado estadual.
De lá pra cá, sempre fazendo a dobradinha – exceto quando Garibaldi foi eleito prefeito de Natal, governador por duas vezes e senador pela terceira vez – não fizeram a dobradinha. Henrique para federal e Garibaldi para estadual. Contudo, sempre estiveram lado-a-lado no mesmo palanque.
Mas agora por circunstâncias nacionais a divisão do PMDB no Rio Grande do Norte entre o grupo liderado pelo deputado Henrique Eduardo Alves e o grupo liderado pelo senador Garibaldi Alves é quase que inevitável. Henrique é hoje líder da bancada do PMDB na Câmara e comanda um colégio de líderes de partidos que dão sustentação política ao governo Lula. Garibaldi, apesar de ser do PMDB mantém uma certa equidistância do governo.
Por coerência, como ele mesmo afirma, Henrique Eduardo Alves diz que não tem como ficar ao lado de uma candidatura – Rosalba Ciarlini (DEM) – que vai disputar o governo do estado com um discurso contra o governo do presidente Lula, no qual o seu partido tem sete ministros.
Já Garibaldi tem razões pessoais para estar ao lado de Rosalba. Primeiro, seu pai, Garibaldi Alves,86, é o primeiro suplente da senadora democrata. Segundo, Garibaldi ainda guarda mágoas da campanha passada para governador quando foi derrotado pela primeira vez em sua vida pública para a atual governadora Wilma de Faria (PSB), que foi reeleita. Garibaldi afirma que Wilma usou a máquina para derrotá-lo. Ele confessa também que o seu eleitorado jamais aceitaria ele estar no mesmo palanque que ela.
Henrique que defende a candidatura do vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) tentou demover o primo Garibaldi de apoiar a candidata de oposição. Até agora não obteve sucesso. O próprio Garibaldi tem reafirmado que vai mesmo apoiar a senadora do DEM ao governo estadual.
Henrique sabe do desgaste político que isso pode acarretar na relação dele com Garibaldi. Mas sabe também que não pode abrir mão de apoiar Rosalba em detrimento da candidatura de Iberê, que faz parte de um partido da base aliada do governo federal, ainda mais que como ele próprio afirma, o PMDB deve indicar o atual presidente da Câmara Michel Temer (PMDB-SP) para ser o vice da ministra Dilma Ruosseff, candidata do PT à sucessão Presidencial.
Assim como Garibaldi tem seus interesses apoiando Rosalba Ciarlini, Henrique Alves também não deixa de ter os seus, além da coerência partidária. O parlamentar cogita ser presidente da Câmara e já tem o compromisso de Temer para em caso de Dilma vencer as eleições de outubro o nome a ser apoiado para dirigir a Câmara será o dele.
( por Carlos Barbosa, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)