ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. O complicado xadrez da política potiguar. A Política Real está acompanhando…
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( Natal-RN, 29/01/2010) Faltando nove meses para o pleito majoritário que vai eleger o novo governador do Rio Grande do Norte, dois senadores, oito deputados federais e 24 estaduais, o quadro sucessório no estado continua indefinido quanto as alianças partidárias.
Liderando as pesquisas de intenção de voto para o governo estadual a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) conta com o apoio do senador Garibaldi Alves Filho, que não concorda com o primo deputado Henrique Eduardo Alves, presidente estadual do PMDB, e que defende um alinhamento com a governadora Wilma de Faria (PSB), que será candidata a uma das duas vagas ao Senado nas eleições deste ano.
Garibaldi diz que suas bases eleitorais não aceitam uma composição com Wilma de Faria, reeleita governadora em disputa direta em segundo turno com Garibaldi nas últimas eleições. Alega Garibaldi que Wilma se reelegeu por ter utilizado a máquina administrativa, daí sua mágoa com a socialista.
Por outro lado, o seu pai, Garibaldi Alves, é o suplente da senadora Rosalba Ciarlini, que ainda tem mais quatro anos como senadora. Caso Ciarlini seja eleita governadora quem assume a cadeira de senador é o pai do senador Garibaldi. Segundo se comenta o interesse maior do parlamentar em apoiar Rosalba Ciarlini à sucessão estadual estaria aí.
Por outro lado, o vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), que assume a titularidade do cargo de governador com a desincompatibilização de Wilma de Faria em abril, é candidato neste caso a reeleição. Em função disso criou-se um clima de animosidade na base governista, já que outros dois políticos querem ser o candidato governista ao governo do estado. O presidente da Assembléia Legislativa deputado Robinson Faria (PMN) e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT).
Os dois dizem que continuam com suas candidaturas postas, apesar da governadora Wilma de Faria já ter declarado que o seu candidato é mesmo Iberê. Robinson, inclusive, já está em conversas com a oposição podendo ser o vice na chapa de Rosalba Ciarlini. Diz-se também que Carlos Eduardo está apenas se valorizando, mas que poderá ser o vice de Iberê com o compromisso de ser o candidato a governador nas eleições de 2014.
BATE-CHAPA – A eleição no Rio Grande do Norte está tão indefinida que o deputado Henrique Eduardo Alves que há anos faz campanhas juntamente com o seu primo senador Garibaldi Alves, diante da falta de consenso que está existindo poderá ir à convenção estadual do PMDB batendo chapa com seu primo. Os henriquistas defendem uma aliança com o PSB, mantendo assim a base aliada do governo Lula no Rio Grande do Norte unida. Mas os garibaldistas querem o apoio à candidata de oposição.
Já o senador José Agripino Maia, candidato a reeleição e que vem em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, tenta atrair Garibaldi para o seu lado a todo custo. Agripino sabe que uma chapa majoritária com Rosalba Ciarlini ao governo e ele e Garibaldi ao Senado é uma chapa forte e praticamente imbatível. Daí o esforço em ter Garibaldi ao seu lado. Na pesquisa de intenção de voto para o Senado Garibaldi lidera.
A governadora Wilma de Faria que tem fama de “guerreira” diz que vai pra luta enfrentando Garibaldi e Agripino. Uma verdadeira guerra de titãs. Alguns analistas políticos consideram que a verdadeira disputa nas eleições majoritárias no Rio Grande do Norte não será para o governo do estado, e sim para o Senado, onde só existem duas vagas para três grandes políticos na disputa. Um vai sobrar!
O fato é que o complicado xadrez da política potiguar está levando a muitas especulações em torno das composições partidárias.Há quem afirme que o presidente da Assembléia Legislativa Robinson Faria poderá ser a terceira via com o apoio da prefeita de Natal Micarla de Souza. O argumento pra isso é que Micarla necessariamente terá que fazer palanque para a senadora Marina Silva, candidata do PV à Presidência da República, e aí teria em Robinson o nome para apoiar ao governo do estado em troca de um compromisso dele em apoiá-la à reeleição em 2012.
( por Carlos Alberto Barbosa, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)