ESPECIAL FIM DE SEMANA. Jurandir Liberal fala sobre política, eleições e rela-cionamento com o governo João da Costa. A Política Real acompanhou…
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(Recife-PE- 11/12/2009) O vereador do Recife Jurandir Liberal recebeu em seu gabinete a equipe do Política Real e conversou sobre política, projetos de lei e relação com o governo municipal. Liberal está no seu terceiro mandato faz parte do diretório estadual do PT e está na ala Construindo um Novo Brasil (CNB) conduzido pelo secretário das Cidades, Humberto Costa. Nunca mudou de partido e diz quando sair do PT sai da política. Foi candidato a deputado estadual em 2006, junto com Dilson Peixoto e Mozart, mas afirma, que o partido utilizou a estratégia errada. Liberal ficou na suplência na Assembleia com 20 poucos mil votos.
Política Real- Recentemente, o Sr envolveu-se numa questão que atinge diretamente o recifense morador da Zona Norte, que foi a polêmica quanto a uma provável venda do Parque da Jaqueira. Na semana passada, o Sr, juntamente com seu correligionário, o deputado federal Maurício Rands, reuniram-se com o ministro da Previdência para tratar do assunto. Em que pé estão hoje essas negociações?
Jurandir Liberal- O Parque da Jaqueira tem um contrato de comodato de 1984 válido por 20 anos. A PCR fez a reforma e organizou a parte de ciclovia e outras partes para o público e transformou numa área de lazer. E em 2001, antes de vencer o contrato teve uma lei de iniciativa do presidente FHC n° 10.175/99 autorizava o INSS a doar o terreno para o Recife, mas isso perdurou uns 3 a 4 anos e ficou do INSS fazer as doações. Não foi viabilizado. Um procurador recentemente achou que o terreno valia milhões e quis leiloar. O parecer foi para Brasília e foi referendado.O ato foi revogado. A imprensa tem nos ajudado. E nós procuramos fazer uma audiência pública na Câmara e encontros com o INSS. Eu e o deputado Mauricio Rands (PT). O superintendente do INSS aqui no Nordeste prometeu se empenhar no caso.
PR- Pelo que o Sr pôde observar até agora, na Câmara Municipal, como esse assunto foi recebido? O prefeito João da Costa também submeteu aos vereadores um projeto de lei que transforma o parque numa área de preservação ambiental. Isso resolveria a questão, no seu entender? Essa proposta já foi analisada na Casa José Mariano?
JL- Sem dúvida que o projeto de lei reduz a especulação imobiliária. E estimula o INSS a fazer a doação. Além disso, o parque é um beneficio indireto, uma vez que as pessoas que utilizam do parque estão fazendo bem a sua própria saúde. Têm uma freqüência de 3,5 mil a 4mil pessoas por dia.
PR- O seu nome foi um dos mencionados pela sua facção no PT – a Construindo um Novo Brasil (CNB) – como um possível candidato à presidência da sigla no Recife. Mas isso acabou não acontecendo e o nome lançado foi o do Rosano Carvalho. O Sr chegou a ser consultado pela CNB? Gostaria de ter sido lançado candidato?
JL- fui consultado, mas já tinha defendido o nome de Rosano para a disputa. Ele foi o nome na outra eleição, e sabíamos que seria difícil. Ele já foi dirigente do partido e tinha chances. (Oscar Barreto venceu as eleições que aconteceram no dia 22 de novembro)
PR- Na Câmara Municipal do Recife, algumas polêmicas se instauraram em relação aos procedimentos e comportamentos dos vereadores. Surgiram questionamentos na imprensa quanto à ausência não justificada dos parlamentares, falou-se numa instalação de painel eletrônico no plenário para promover votações transparentes e até desconto de diárias dos faltosos. O Sr foi um dos que se posicionou contra a instalação do painel. Por quê? Quanto às outras questões, das faltas não justificadas e não descontadas e da transparência para a população via internet da freqüência dos vereadores à Casa?
JL- diferente do Congresso Nacional que são mais de 500 deputados, na Câmara são 37 vereadores e isso você conta rápido. Montar uma estrutura de painel eletrônico seria um custo muito alto. Não vejo esta necessidade. Primeiro a gente não precisa de maioria absoluta, geralmente precisamos de maioria simples. Para 37 pessoas se chama rápido. Conta no dedo. Sobre o desconto das faltas eu não tenho este problema sou um vereador relativamente assíduo. Mas as vezes as pessoas ficam preocupadas com a presença do vereador só na sessões. Eu faço parte de 3 comissões. Sou presidente da Legislação e Justiça, membro da de Meio ambiente como suplente, represento no conselho de cultura, fazia parte do conselho de multa da EMTU. Ou seja, tem várias atividades que você exerce pelo mandato. Existem outras atividades parlamentares que não só a presença na sessão de 15h às 16h. Não faz sentido isso. Não posso falar pelos outros.
PR- O Sr é membro do mesmo partido que o prefeito do Recife e, portanto faz parte da base governista na Câmara. Como o Sr tem enxergado hoje a performance da oposição? Já se falou na imprensa, inclusive, que nunca governo algum contou com vigilância tão ferrenha quanto a que aponta hj contra João da Costa. O Sr concorda? Como tem sido o trabalho da base no sentido de conter os efeitos desta oposição?
JL- Eu te diria assim, ela tenta marcar posição, mas não vejo como algo preocupante, ate porque, é importante ter oposição. O governo hoje tem uma grande maioria na Câmara, mas acho importante o papel da oposição para o governo estar sempre em alerta e não ficar com o rei na barriga. Quando a oposição levanta alguma coisa, nós da situação, vamos em busca dos argumentos para rebater e temos o suporte da PCR para isso, que nos muni com as informações necessárias.
PR- Como está o atendimento do prefeito aos pedidos dos parlamentares para as suas bases?
JL- O questionamento da maioria dos vereadores da situação sobre o não posicionamento do prefeito era que ele (João da Costa) não dava um retorno para os pedidos dos parlamentares. Por isso foi formado esse grupo de insatisfeitos dentro da bancada de governo. (O grupo foi criado inicialmente por nove vereadores insatisfeitos e perdeu força ao longo do tempo). O Orçamento Participativo (OP) elege as prioridades para a execução da obras na cidade, então você estimula a participação da população, mas as vezes você tem algumas obras que os vereador conhece a fundo determinados área, são pequenas obras que pudessem ter indicação dos vereadores. Agora mesmo o prefeito mandou fazer 44 milhões de obras do OP e não deixou nada para que o vereador indicasse. Ninguém teve direito a isso. De certo modo, você limita a participação do parlamentar. E às vezes você que uma coisa simples e não e tratado corretamente e isso gera as insatisfações. O pessoal (moradores) nos cobra muito e não temos respostas. Você (vereador) visita á área sabe dos problemas e não pode fazer nada. Eu não posso fazer por conta própria não tenho dinheiro. Recebo subsídio líquido em torno de R$ 7 mil.
PR- Ainda falando em oposição, um dos episódios mais recentes de embate com o grupo tem sido a mobilização contra a instalação do centro de triagem de lixo pela Prefeitura do Recife no Engenho Uchoa. O assunto virou protesto de moradores e ganhou manchetes na imprensa. Não é de se concordar com a oposição, que a área seja preservada e que busque-se uma alternativa que não gere conflito com a população? Há casos em que oposição e governo possam falar a mesma língua?
JL- Eu tenho uma opinião mais aprofundada sobre o tema. A proposta de instalação poderia ser em outra área. Mas é preciso discutir a preservação do Engenho Uchoa. O problema é que o Recife tem poucas áreas sobrando que se possa implantar tal projeto.
( Por Izabel Melo especial para a Política Real, com edição de Genésio Jr)