ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Bancada do Nordeste levanta os principais arti-culadores da campanha de Dilma na região. A Politica Real está atenta e teve acesso….
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( Brasília-DF, 04/12/2009) Não é a toa que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à Presidência da República está tão bem cotada no Nordeste. De acordo com a pesquisa CNT/Sensus, divulgada em 23 de novembro, só na região, Dilma ficou em empate técnico com o governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato pelo PSDB, no cenário mais provável.
Na hipótese em que estariam em disputa Serra, Dilma, Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV), no Nordeste, Serra teria 30,7% dos votos e Dilma, 29,5%. A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou menos.
Um dos principais motivos para o crescimento da avaliação da ministra na região é o poder de transferência de voto do presidente Lula. De acordo com a pesquisa, em novembro, 20,1% do eleitorado só votariam no indicado por Lula, enquanto 31,6% poderiam votar.
E é no Nordeste onde Lula tem maior popularidade e seu governo, melhor avaliação. Na região, o eleitorado que aprova o desempenho do presidente é de 90,9%, enquanto a média nacional é de 78,9%, segundo a CNT/Sensus em novembro.
A avaliação do governo é de 79,5% no Nordeste e 70% no Brasil em novembro. Em setembro, quando a avaliação do governo federal e a popularidade de Lula caíram na média brasileira, os índices cresceram no Nordeste, segundo pesquisa da CNT/Sensus.
Mais um motivo pode explicar o aumento das intenções de votos em Dilma no Nordeste: as visitas da ministra à região. A pesquisa da CNT/Sensus foi realizada entre os dias 16 e 20 de novembro, dias após a visita de Lula, acompanhada de Dilma, às obras de revitalização e transposição do Rio São Francisco, na Bahia, Pernambuco e Ceará.
Com base em registros oficiais do site da Presidência da República, das 75 viagens feitas por Lula no Brasil, em 29 o presidente participou de cerimônias relacionadas ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), carro chefe do governo, que tem a Dilma como “mãe”.
A ministra esteve em 19 delas, quase dois terços da agenda do presidente. Sem contar os 17 eventos do programa em que a ministra foi por agenda própria. Ao lado do Rio de Janeiro, Bahia foi o estado que mais recebeu visitas de Dilma relacionadas ao PAC, cinco no total. Ceará vem em seguida, ao lado de Minas Gerais, com quatro visitas cada.
Na próxima semana, Dilma deve acompanhar Lula em viagem ao Maranhão, onde devem visitar obras do PAC no Rio Anil e assinarem convênios do Programa Minha Casa, Minha Vida. As viagens de Dilma ao lado de Dilma têm sido criticadas pela oposição. DEM, PSDB e PPS os acusam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se não consistem propaganda eleitoral antecipada.
Não obstante essas evidências, o bom desempenho de Dilma nas pesquisas no Nordeste se deve a articulação de grandes nomes nordestinos para a viabilização de sua candidatura. A Política Real consultou a Bancada do Nordeste, que levantou os principais articuladores e apoiadores da pré-candidata do PT na região.
Entre os principais citados está o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), que já foi ministro do governo Lula (Trabalho e Relações Institucionais) e o nome que quebrou com a sucessão pefelista de 16 anos no governo do estado, o mais desenvolvido do Nordeste.
Além de boa relação política com o Planalto e comprometimento com o governo Lula, Jaques Wagner aparece como vencedor em todos cenários de pesquisas feitas este ano e já representa um ótimo palanque para Dilma. Não é a toa que o estado está entre os mais visitados pela ministra.
Na Bahia, Dilma tem um bom cenário de apoio, com o palanque do também pré-candidato Geddel Vieira Lima (PMDB). Apesar de ter rompido com o governo de Wagner, Geddel vai acompanhar a decisão nacional de seu partido e já declarou apoio à ministra em sua campanha ao governo. Geddel, embora eleito pela quinta vez como deputado federal, está licenciado para exercer o cargo de ministro da Integração Nacional.
O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), embora já esteja no segundo mandato e deverá concorrer ao Senado, é “muito querido” pelo planalto, nas palavras de um deputado petista da Bancada do Nordeste. Em pesquisa realizada em setembro pelo Instituto Amostragem, Dias teve 82,41% de aprovação dos piauienses, e representará um palanque oportuno para Dilma.
O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) é líder do seu partido na Câmara e foi um dos principais articuladores para o apoio do PMDB ao PT nas eleições do ano que vem e da vaga de vice na chapa de Dilma para um peemedebista. O potiguar faz parte do grupo bipartidário que faz reuniões semanais para buscar soluções a difíceis alianças entre PMDB e PT em alguns estados.
Alves faz questão de promover Dilma sempre que pode, como quando anunciou o apoio da ministra à sua proposta, como relator do projeto da partilha para o pré-sal, de que os estados não produtores recebem maior parte dos royalties. O deputado também acompanhou Dilma nas viagens que fez às obras do Rio São Francisco.
Enquanto o impasse de aliança entre PMDB e PT no Maranhão não se resolve com o segundo turno das eleições do diretório petista no estado, o deputado Flávio Dino (PCdoB) já é um nome de apoio a Dilma na terra dos Sarney.
O Partido Comunista já anunciou a pré-candidatura de Dino ao governo do Maranhão, independente de quem for o presidente do PT no estado, o que definirá se os petistas apoiarão o PMDB, Dino ou lançarão candidato próprio. Flávio Dino é deputado de primeiro mandato, mas bem atuante e relatou a mini-reforma eleitoral, o que aumentou seus vínculos com o Planalto.
José Eduardo Dutra é sergipano e foi recentemente eleito presidente nacional do Partido dos Trabalhadores. Foi apoiado por José Dirceu, ex-ministro de Lula (Casa Civil) e um dos principais nomes do PT na pré-campanha de Dilma. Dutra foi presidente da Petrobrás entre 2003 e 2005 e senador entre 1994 e 1998. Apoia a aliança do PT e do PMDB.
O deputado federal José Guimarães (PT-CE) é o coordenador da Bancada do Ceará e um dos principais articuladores dos assuntos do Nordeste junto o governo federal. Foi um dos deputados que viabilizou o crédito de R$ 1 bilhão da União ao Banco do Nordeste, aprovado esta semana na Câmara. Elegeu a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins como presidente do diretório do PT no Ceará.
O deputado Mário Negromonte (PP-BA), ao lado do presidente do partido, Francisco Dornelles, é o principal articulador para o apoio do Partido Progressista à candidatura de Dilma. Foi na casa de Brasília de Negromonte, que é líder do PP na Câmara, que aconteceu o primeiro encontro entre Dilma e a cúpula do PT e a bancada do partido.
Apesar de o PR não ter fechado apoio à candidatura de Dilma, o deputado João Maia (PR-RN) já declarou seu apoio à ministra para a Bancada do Rio Grande do Norte. O deputado é um importante nome do partido no estado, em que o PMDB do senador Garibaldi Alves pode apoiar a candidatura da senadora democrata Rosalba Ciarlini para o governo do estado. Maia foi o relator do projeto de lei que permite a capitalização da Petrobrás, dentro do marco regulatório do pré-sal.
( por Evam Sena, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)