31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. O escândalo que “abalou” o governo. A Política Real acompanhou…

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Por admin
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(Recife-PE,04/12/2009) O governo de Pernambuco enfrentou uma de suas maiores crises nos últimos dez dias. Em duas semanas o escândalo envolvendo a Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur) e a Secretaria Pernambucana de Turismo (Setur) causou um estrago muito maior do que o esperado e apesar do governador Eduardo Campos (PSB) dar ordens de não tocar mais no assunto e tratá-lo como encerrado, muitas expectativas ainda pairam sobre o caso dos contratos superfaturados para os eventos Festejos Natalinos 2008 e Verão Pernambuco 2008, projetos os quais foram feitos em parceria com o Ministério do Turismo. O montante do desvio chega à casa dos R$ 6,9 milhões.



Numa ação de denunciar atos ilícitos na gestão Eduardo Campos, no último dia 24 deputados da oposição convocaram uma coletiva para expor as fragilidades das contas da Setur. Num dossiê composto com vários documentos que faziam referência à contratação de Shows para os eventos supracitados, os parlamentares encontraram uma série de irregularidades, que dia-a-dia traziam um fato novo e mais complicador para a pasta. No começo eram apenas notas que levam a suspeição de cachês superfaturados pagos a alguns artistas contratados para o Festejo Natalinos 2008 e Verão Pernambuco 2008, bem como, a grafia similar no preenchimento das notas fiscais que são de produtoras diferentes e as informações inconsistentes nos endereços das produtoras. Isso foi apenas o começo.



Depois das denúncias iniciais, novos fatos passaram a comprometer ainda mais a gestão de Sílvio Costa e José Ricardo Diniz. Com a divulgação da denúncia feita pela oposição nos veículos de comunicação do Estado, os artistas contratados negam publicamente o recebimento de tais quantias e colocam à disposição suas finanças. Em paralelo a isso, a oposição pede uma perícia das notas que aparentemente estavam escritas com a mesma letra, mesmo sendo de empresas diferentes.



Numa reação enérgica, o governador Eduardo Campos solicitou junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) uma auditoria nas contas da Setur. Enquanto isso, os gestores da Setur e Empetur tentam cada vez mais justificar este rosário de denúncias. Numa ação de fiscalização, a oposição deu início a um trabalho para a abertura de uma CPI na Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE). Mesmo o governo e o Sílvio Costa Filho sendo favoráveis a tal apuração, nenhum deputado da bancada governista assinou o pedido de instauração da CPI na casa. Contudo, também nenhum parlamentar levantou a voz em defesa do colega, a época ainda secretário, Sílvio Costa Filho.



MAIS COMPLICAÇÕES:

A situação ficou cada vez mais complicada quando as denúncias da oposição se tornaram mínimas diante de novas suspeições, os shows foram pagos; mas não realizados. Uma sucessão de irregularidades que pareciam não ter fim pioraram ainda quando os prefeitos de Ipubi, Palmerinha, Jucati e Sirinhaém afirmaram que nesses municípios, locais determinados para o evento, não houve nenhum show. Para comprovar a veracidade das afirmações, a imprensa cruzou as informações dos prefeitos com as agendas das bandas “contratadas”. Não havia congruência!

Além dessas novas complicações, uma apuração feita em cima das produtoras mostrou que algumas delas tinham sido abertas três meses antes da contratação, outras estavam lotadas em endereço de terceiros e a natureza de outras nada tinham a ver com o trabalho prestado à Empetur. Nessas incessantes descobertas de novos fatos, Sílvio Costa Filho acusa prefeitos e empresários dessas mesmas produtoras de terem desviados o dinheiro.

Em meio a tudo isso, uma nova denúncia um tanto quanto intrigante. Os eventos só estavam determinados nas prefeituras do PTB, coincidência ou não o mesmo partido do Sílvio Costa Filho. Foi neste momento em que sua posição na pasta ficou insustentável e por meio de uma nota oficial, o petebista pediu exoneração do cargo. A pressão sobre um menino de 27 anos, que estava gerindo uma das secretarias de maior destaque no executivo foi insustentável.



E AGORA?

Sílvio Costa Filho volta à Alepe, mas insiste no desejo de apuração do caso para comprovação de sua inocência. E avisa que lutará para que os responsáveis paguem pelos seus atos. Também em meio ao caos comunica a todos que em 2012 concorrerá o executivo municipal em Recife. Mas e a secretária? Uma pasta que teve um destaque ímpar nesses três aos de governo. O turismo pernambucano estava estampado em todo país e no mundo, inclusive na última ABAV realizada em outubro o stand da Secretária de Turismo de Pernambuco foi, sem dúvida, o de maior sucesso na feira….

A Setur atingiu momentos áureos, conquistou o trade e fez Pernambuco mostrar que tinha muita beleza, explorando do litoral ao sertão tudo o que se tem de melhor nesta terra e fazendo com que cada um desses cantos fosse reconhecido universalmente. Esta mesma a pasta que elevou tanto o Estado, foi inquestionavelmente também a pasta que em menos tempo, mais abalou o governo Eduardo Campos, bem as vésperas da reeleição do governador. Até que se prove o contrário, o turismo de Pernambuco hoje está muito mais marcado pela corrupção do que pelo glamour e calor que o Estado oferece.



( Por Maria Carmen Chaves, especial para a Política Real,com edição de Genésio Jr )