ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Eleições concorridas do PED em PE também têm outros candidatos além dos representantes do CEU e CNB. A Política Real está acompanhando… <BR>
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(Recife-PE-20/11/2009) Depois de conhecer as propostas dos candidatos pela CNB (Construindo um Novo Brasil) – Jorge Perez e CEU (Centro de Esquerda Unificada) – Fernando Ferro à presidência do PT estadual, veja agora o que pensa outros candidatos. Alexandre Medeiros e Edmilson Menezes. Com a proximidade do Processo de Eleições Diretas (PED) que decidirá, no dia 22 de novembro, os novos mandatários do PT nacional e de todos os diretórios estaduais, municipais e as zonais do partido.
Alexandre Medeiros: falta sintonia e política mais clara
CANDIDATURA
Dois aspectos são importantes destacar. Quanto ao aspecto político entendemos que o partido carece de ter uma dimensão diferente do que se encontra hoje. O partido praticamente se resumiu aos interesses de dois grandes blocos, o dirigido pela CNB, com diversas lideranças, e o bloco que tem a hegemonia do companheiro João Paulo (CEU). O que, no nosso entendimento, é um equívoco que vai de encontro à própria dinâmica do partido, às suas origens. Do outro lado, temos uma tarefa interna de uma construção de uma alternativa enquanto corrente política… Destacamos que o partido mantenha essa pluralidade de opinião. Creio, temos esse entendimento de que a construção política surge primeiro da luta social, onde o partido está inserido, e do debate, da discussão, da dialética interna do partido.
MOVIMENTOS SOCIAIS
O que tem ocorrido é que as direções partidárias têm se afastado dos movimentos. Mas não a nossa base militante. Ela não tem deixado de atuar junto aos movimentos sociais. Haja visto os exemplos recentes aqui em Pernambuco, em todas as esferas de poder. Federal: as lideranças estavam à frente das recentes mobilizações dos funcionários públicos federais; Estadual: exemplo dos companheiros que estavam à frente da luta, da greve na saúde do Estado, da greve dos professores e, a nível municipal, também. Na recente greve dos trabalhadores de saúde, estava e está sempre presente a força militante do PT. O que falta é a direção ter uma sintonia e uma política mais clara com esses movimentos. A questão da saúde é uma discussão que o partido vai ter que enfrentar. Ela está na pauta do dia hoje, que diz respeito a proposta do Governo do Estado de alterar um programa que nós defendíamos e defendemos de avançar no Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta hoje posta pelo Governo do Estado vem de encontro a essa política que sempre defendemos.
FILIAÇÃO
Primeiro, eu gostaria de fazer uma crítica à colocação (de integrantes do CEU), é uma falácia e uma hipocrisia de um grupo que faz a mesma política. Fizeram filiações aqui do mesmo modo que a CNB. Eu censuro. Todas as correntes que estão aglutinadas ao CEU, que, para mim, na verdade, trata-se de uma única corrente que tem um único líder. Há um culto por demais, digamos assim… extravagante. O culto da personalidade na figura, na liderança incontestável do companheiro João Paulo. Mas essa realidade não é a realidade do PT. Então, esse discurso de que a CNB adota determinadas práticas e eles não é uma mentira! Quem vive o partido sabe disso. A realidade é que o PT praticamente dobrou no Estado de Pernambuco o seu número de filiados. E os interesses que são colocados de uma disputa pessoal, de se sobrepor ao coletivo, refletiu isso. O que se está havendo é uma tentativa de sobrepor o interesse. O interesse de projeção pessoal de grupo e de indivíduo. Não há uma pureza no que se coloca para ampliar o número de filiados. Muitos filiados se afastaram por questões da dinâmica política, de contradições que se colocaram nesse processo desde que o PT assumiu o poder. Isso é natural na política.
ELEIÇÃO 2010
Não se separa o que está posto para o partido, seja no campo nacional, de darmos continuidade aos avanços que foram conquistados com os dois mandatos do presidente Lula (PT) e a necessidade de podermos avançar nesse futuro governo que acreditamos que o PT irá conseguir obter o reconhecimento da sociedade brasileira. Tarefa que está colocada para o partido, de dar essa continuidade ao nosso governo no plano nacional não está desvinculada dos estados. Em Pernambuco, temos um governo que é aliado de primeira hora do nosso governo e, em particular, tem uma relação de proximidade muito boa com o presidente Lula. Então, não está separado essa proposta colocada para o PT de Pernambuco. O Partido dos Trabalhadores foi decisivo para a vitória de Eduardo Campos. Isso é uma realidade. Acho que o partido não pode ficar no segundo plano como uma sublegenda. Como já está sendo cogitado. O papel que o partido deve exercer deve ser discutido no partido, é o PT quem deve decidir e não as outras forças de fora do partido. Devemos discutir de forma mais ampla de onde o partido melhor colabora…Eu, particularmente, acho bastante interessante que a gente abra a discussão da vice. Porque o partido não discutir o espaço de vice? Na chapa proporcional, defendemos que o partido deve sair numa chapinha e não no chapão. Eu acho que o partido tem que decidir isso e não deixar que seja tratado por lideranças e indivíduos como está sendo. Assim o partido perde sua importância e seu tamanho.
DEBATES
O que a gente tem visto sempre é a necessidade da base de discutir o partido, de discutir essas questões. Então, a gente vê na manifestação dos dirigentes municipais de discutir o partido e suas contradições dessa aliança. E contradição é uma coisa inerente à aliança. O que a gente deve procurar é tentar se colocar de modo que a gente se beneficie mais. Não questiono a legitimidade do governador nesse processo. Isso seria um absurdo… querer negar o papel que o governador joga. Mas ele não vai ser um (Napoleão) “Bonaparte”, que decidirá acima de tudo um conjunto da sociedade e dos partidos, que representam os interesses dessa sociedade, que representam essa aliança. O partido tem que trazer para si a responsabilidade de discutir isso. A importância dos debates é de oxigenar os postulantes e esse processo de discussão interna do partido e do que pensa a base partidária.
Edmilson Menezes: tem que ser um partido militante
CANDIDATURA
A minha candidatura, da chapa que eu encabeço, é para conquistar uma direção mais autônoma para o PT em relação aos governos. Para que ela não siga cegamente ao Planalto e não seja subserviente ao Palácio das Princesas. Nós defendemos que partido é partido e governo é governo. E a atual direção, infelizmente, não vem agindo com essa autonomia que é necessária para o partido. É por isso que sou candidato. Para combater e por uma política petista para o PT.
MOVIMENTOS SOCIAIS
Primeiro, nós temos que compreender que a direção do partido não mobilize os filiados apenas em um ano de eleição. O PT não nasceu assim. Então, o PT precisa voltar a ser um partido e, para isso, precisa ter uma nova direção, que participe do dia a dia das lutas da classe trabalhadora. Levantando campanha e reivindicações do povo junto aos governos, as assembleias legislativas para conquistar aquilo que a maioria do povo deseja. E, infelizmente, o partido hoje, com a atual direção, não vem tendo essa prática. É isso que permite o afastamento do partido dos movimentos sociais, se limita a movimentar o partido somente para as eleições. O partido tem que ser um partido militante.
FILIAÇÃO
Tanto o CEU quanto a CNB filiaram em massa. Fazem o papel do sujo falando do mal lavado (ao atribuírem à tendência adversária a autoria desse tipo de filiação). Talvez a CNB, por ter uma máquina mais poderosa, tenha filiado mais que o CEU. Mas evidentemente que essa corrida é uma corrida louca, porque isso descaracteriza o partido, incha o partido. Não tem uma política de formação voltada para esses militantes. Da nossa parte, chegando à presidência do partido é de que, primeiro, o partido volte a ser importante junto aos movimentos sociais para exigir dos governantes, inclusive dos nossos, aquilo que o povo necessita. Aquilo que os trabalhadores exigem do PT, exigem que o PT faça. E não o inverso. Que o PT seja uma correia de transmissão das pressões dos governos para dentro do partido para aplicar políticas contrárias aos interesses dos trabalhadores, como por exemplo as OS’s (Organizações Sociais) que o governo Eduardo Campos está implementando. Todas as entidades médicas, a CUT, os movimentos sociais são contra. O partido tem posição contra a nível nacional. A direção local não mexe um dedo para combater a política do senhor Eduardo Campos. Isso não é uma maneira de educar. O militante é educado pela luta. Nessa massa de filiados, que foi colocada dessa forma dentro do partido, tem gente que poderá ser ganha para a luta, porque isso vai afetar a sociedade, o serviço público vai piorar na saúde. Eles vão sentir isso, vendo o partido lutar.
ELEIÇÃO 2010
Nós da chapa da Terra, Trabalho e Soberania somos contra o apoio à aliança que tentará reeleger Eduardo Campos. Nós estamos por constituir uma nova direção no partido nesse PED que inverta a coisa. Ou seja, que abra um processo de discussão no partido para que o PT tenha uma candidatura própria. Nós temos nomes, temos programa e temos base social para isso. É só permitir que a discussão seja aberta. Tem o Humberto Costa, tem o João Paulo e outros que poderiam assumir essa tarefa de ser candidato a governador. Mas, de antemão o que a atual direção faz? Amarra o seu burrinho na carroça de Eduardo Campos, que ataca os professores. Eles estão revoltados. Há uma mentira na mídia. Ele (Eduardo Campos) persegue os movimentos sociais. Introduziu a questão da Fundação de Direito Privado na área da saúde e também na educação. Então, é um governo que é inimigo da classe trabalhadora e nós estamos lá, dentro desse governo. Temos que romper, temos que sair desse governo e firmar um governo do PT para disputar no primeiro turno. Evidentemente é o que nós defendemos. Em relação a ministra Dilma (Rousseff)… É uma companheira do partido. E é a única, inclusive, em relação aos outros partidos que estão aí… porque a senadora Marina Silva está fazendo um triste papel nesta história, uma companheira que saiu do partido e que está sendo usada por setores da direita. Mas a companheira Dilma é a única que corresponde aquilo que o PT faça. Que é lutar pela defesa da soberania da Nação.
DEBATES
Infelizmente, era necessário que os debates fossem feitos de outras formas e em outras condições. Porque as regras do PED são muito restritivas e introduzem condições extremamente desiguais entre as chapas. Máquinas partidárias movidas por interesses políticos e eleitorais de personalidades do partido e do capitalismo, que começou a se desenvolver dentro do partido. No último período, fizeram filiações em massa. Muita gente é filiada ao PT e nem sabe o que é o PT, está compreendendo? E agora eles não têm muito interesse nos debates, está certo? Querem carregar o eleitor para votar no dia 22 de novembro (data do PED). Tanto que os debates são limitados… Em quantidade, em número. Precisaria um processo mais aprofundado. Mas, de toda maneira, como é o que nos resta… Nós temos que fazer essa disputa nos debates. Quem vai aos debates vai formando uma opinião. A não ser aqueles que já vão lá amarrados em torno de suas chapas e que só vão para reforçar aquilo que já praticam.
( por Maria Carmen Chaves, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)