31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Jorge Perez e Fernando Ferro se explicam. Saiba as propostas dos candidatos ao Diretório do PT em Pernambuco …

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Por admin
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(Recife-PE- 13/11/2009) Conheça as principais ideias do candidato à reeleição do Diretório Estadual do PT em Pernambuco, Jorge Perez, da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), e do deputado federal Fernando Ferro, do Campo de Esquerda Unificado (CEU). O Processo de Eleições Diretas (PED) já vem acontecendo e reunindo as correntes para debates no Recife. No próximo dia 22 será as eleições para 92 mil filiados do PT em Pernambuco. Confira abaixo as propostas de cada corrente petista no Estado.



Jorge Perez: o PT crescerá mais



CANDIDATURA

Minha candidatura à reeleição é sustentada por dois pontos. Primeiro, porque nosso mandato é de apenas dois anos. No último congresso do partido, foi determinado que só teria mesmo dois anos. Então, é um tempo muito curto para uma ges¬tão. O segundo, que é o mais importante, é que discutimos e tivemos um retorno muito positivo, porque criamos as estruturas para o PT avançar em Pernambuco nesse período. O PT agora está preparado para consolidar o crescimento que ele nunca teve nos últimos 20 anos. Criamos as bases para que o partido avance ainda mais nas eleições de 2010. O PT está no Governo do Estado, tem a Prefeitura do Recife, am¬pliou o número de vereadores eleitos no Estado. Foi o segundo partido em número de votos para prefeito no Estado na eleição municipal do ano passado. Hoje, em Pernambuco, são oito prefeitos, 12 vice-prefeitos e 109 vereadores. Um crescimento de aproximadamente 30%. Ainda não é o número ideal, o número que desejamos, mas que acompanhou o crescimento do PT nacionalmente. Desta forma, o partido está representado em cerca de 100 cidades do Estado.



MOVIMENTOS SOCIAIS



O PT não se afastou dos movimentos sociais (como tem sido apontado pelos candidatos das tendências que postulam a presidência estadual da sigla). Quando o PT era oposição no País todo, assumimos os movimentos sociais na condição de oposição aos governos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Fernando Collor (hoje no PTB), além da maioria dos governos dos estados. Hoje, o PT é governo. Continuamos com os movimentos sociais, mas na posição de governo. A posição do PT em relação aos movimentos sociais hoje se reflete, em alguns casos, nas políticas públicas que Governo do presidente Lula aplica. No combate à discriminação racial, na área da juventude, na área social, na proteção aos direitos das mulheres. Tudo isso foi uma construção da relação política do PT com os movimentos sociais. E, em termos das mobilizações, continuamos no apoio. Não é à toa que tenho o apoio da maioria dos movimentos. Dos presidentes da CUT, Fetape e de outros movimentos sociais, que entendem que a minha candidatura representa essa postura do partido.





FILIAÇÕES



Uma das principais tarefas que teremos com os filiados – hoje são mais de 92 mil – diz respeito à formação política desses filiados. De atividades e debates. Realizar cursos de forma¬ção política. Estamos preparando, vamos jogar forte já em 2010 para ampliar o número de filiados e a qualidade da formação deles. Pretendemos chegar a marca de 100 mil filiados já em 2010. O PT cresceu nos últimos anos, devido ao seu processo de crescimento do Governo Lula. O presidente teve 66 milhões de votos. É natural que uma parcela, que ainda considero pequena, de quem votou no Lula desde 1989, e repetiu isso em 2002 e em 2006, venha para o partido. Que se filie ao PT. É natural o crescimento. O PT representa hoje a vontade da maioria da população.





ELEIÇÕES 2010



O partido vai jogar um papel mais protagonista, mas ativo. Na próxima eleição, nós temos a candidatura da nossa ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e nós temos as condições de garantir a unidade, inclusive, com o PSB. Acredito que não se terá a candidatura do deputado Ciro Gomes e, assim, manteremos a unidade em torno do nome da ministra. Aqui no Estado tivemos a candidatura própria do companheiro (secretário estadual de Cidades) Humberto Costa, em 2006, no primeiro turno, e depois apoiamos o Eduardo Campos (PSB) no segundo. O 1 milhão de votos que o Humberto teve, quase a totalidade migrou para Eduardo. Participamos com sucesso do Governo do Estado. Tivemos o secretário Humberto Costa no comando de uma secretaria que teve um dos maiores números de obras nesse período e, agora, temos o secretário de Articulação Regional, João Paulo. O PT está jogando num papel importante. Elegemos o prefeito João da Costa aqui na capital, que cada vez se firma mais, cada vez mais mostra seu estilo de administração. Tudo isso faz com que o PT, ao lado do Governo do presidente Lula, se firme como uma das forças principais. Então, nós estaremos, sem dúvida alguma, compondo a chapa majoritária. O PT é imprescindível. Não discutimos ainda o lugar, porque só vamos fazer isso em 2010. A direção nacional do partido tomou resolução que só discutiremos isso em 2010. E o governador Eduardo Campos já sinalizou para o PT ocupar um lugar sua chapa majoritária. Mas não queremos apenas ocupar um lugar na chapa majoritária. Queremos contribuir na construção de um programa de governo, discutir as relações entre o Governo e os movimentos sociais e ajudar a avançar ainda mais no que o governador já construiu.







DEBATES



O fato de o PT ser um partido que elege sua direção através do voto direito… É a única legenda que faz isso. Os debates são uma exigência dessa democracia. Têm uma importância muito grande. São debates que orientam o filiado. Não tem voto de cabresto no PT. Não tem filiado de determinada tendência, tem o filiado ao PT. Os debates são importantes para que esses filiados conheçam o que cada candidato propõe para o partido. São momentos onde serão conhecidas todas as propostas para o partido. Vence o debate quem tem as melhores propostas.







Fernando Ferro: novo rumo para a sigla





CANDIDATURA



Nós constituímos um grupo no PT, que se articula no chamado CEU, o Campo de Esquerda Unificado, e que entende que é necessário dar uma outra direção, um novo rumo para o partido no Estado. Somos o agrupamento que detém uma hegemonia no Recife. Um grupo que tem conseguido vitórias importantes nas eleições no município por sua postura política. As duas de João Paulo na Prefeitura do Recife e a do prefeito João da Costa, no ano passado. Pensamos que é importante disseminar isso no restante do Estado. E constituir assim uma maioria, uma nova maioria que idealize o PT no Estado. Hoje, lamentavelmente, só tem a PCR como referência. Temos outras cidades no interior, mas em termo de expressão, só aqui na capital. É necessário que se eleve a condição, a importância do PT no quadro político do Estado. É preciso criar uma nova dinâmica, com mais participação das lideranças. Ter um programa de qualificação política do PT para essas lideranças. Não temos um trabalho de comunicação do partido ainda. Em todas as pesquisas realizadas, é o partido com o maior reconhecimento da população e, no entanto, não aproveita esse respeito da população. É claro que se faz necessário uma direção à altura dos desafios que o partido vai enfrentar nas eleições do ano que vem. A direção precisa estar capacitada para isso. Para discutir a ampliação de suas bancadas federais, incluindo no Senado, e para dialogar com as forças políticas aliadas.





MOVIMENTOS SOCIAIS



Eu tenho uma preocupação com o certo descolamento dos movimentos sociais e a direção do PT. Acho que ela tem que retomar os laços de colaborações com os movimentos sociais. É evidente que o partido que está no governo tem que fazer o debate político dos projetos do governo. Não pode querer fazer o papel dos sindicatos. Cada um tem o seu. Mas é lógico que muitos conflitos que existem entre determinadas categorias e o governo tem muito a ver com a falta de diálogo e mediação do partido. A legenda não pode ser¬vir de instrumento para brecar os movimentos sociais e nem para tentar fazê-los de correia de transmissão do governo. Até por¬que os objetivos de sindicatos e alguns movimentos sociais, às vezes, não são os mesmo do governo e do partido político. Mas temos que reconhecer os movimentos sociais e sindicatos como elementos fundadores do PT. Colaboradores que carregam a marca do PT. Temos que manter um canal com esses movimentos e compreender as dificuldades que atravessam. Recentemente tivemos um debate, onde movimentos sociais se colocaram contrários a Transposição do Rio São Francisco e outros se posicionaram a favor. Então, tem que saber discutir e ouvir as diferentes opiniões de cada grupo. O partido tem a sua posição, mas é preciso discutir. A nossa preocupação é de buscar o diálogo. E isso não está havendo. A direção atual não discute e quando faz é burocrática e formal. Tem que se definir interlocutores no partido para isso. Essa direção tem perdido a capacidade de dialogar.







FILIAÇÕES



O partido é uma escola. Ele tem que filiar e formar essas pessoas. Infelizmente, o que aconteceu com o PT foi um inchaço. E aí com deformações que vemos na última eleição. Pessoas com práticas diferentes do ideário político do PT. Estamos agora com um estatuto, com um regimento e um código de ética extremamente rigoroso, que vai levar a punição de muita gente dentro do partido. Nas últimas eleições, houve filiações em massa. Temos hoje cerca de 98 mil filiados, muitos dessa forma: puxados para dentro do partido. Se tivermos 30 mil realmente militantes será muito, será uma vitória. Isso foi fruto de um processo de catar gente, de arrebanhar pessoas sem dar instruções sobre as políticas do partido, as políticas de aliança, o programa, de informá-las o que é o PT. Essas pessoas não sabem a história do PT, como o partido foi criado. Um amontoado de pessoas, que vão votar como na maior tradição da direita conservadora. Filiados quase a laço. Eu, como presidente do PT, vou querer preparar um programa para preparar esses filiados.





ELEIÇÕES 2010



Participamos do Governo Eduardo Campos, que é aliado do presidente Lula no campo nacional, e nossa prioridade para 2010 é a candidatura nacional. Seremos conduzidos pelo desafio de eleger a sucessora do presidente, a ministra Dilma (Rousseff). E acreditamos que o PSB estará conosco nessa caminhada, porque é um projeto nacional. Pensando nisso é que iremos discutir as nossas políticas para o Estado e para o Recife. Nós estamos para ajudar Dilma a ganhar a Presidência. A construção da aliança vai ser motivada por essa postura. Mas o PSB hoje tem um candidato à presidente também, né? Isso nos leva a fazer um debate sobre o plano nacional com o PSB. Nós temos a nossa candidata, que vai ser a referência da nossa posição.







DEBATES



Os debates servem, primeiro, para se avaliar a atual direção. Nos anteriores, muita gente reclamou porque a direção não participou. São importantes para o balizamento político, para conhecer os avanços do Governo Lula no País, o crescimento que temos conseguido e as insuficiências do partido. É importante consolidar a ideia que o PT é o principal parti¬do de apoio ao presidente. Os debates são importantes para discutir a eleição sem Lula. Desde 1989, sempre votamos nele. É a primeira vez que vamos votar em outra pessoa. É o grande desafio do partido. Se o Lula cresceu e é maior que o PT, a Dilma não é. Então, vai precisar mais do partido. Temos que discutir isso nos debates.





( Por Izabel Melo, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)