31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Fátima Bezerra (PT-RN) fala sobre o avanço do ensino técnico e profissionalizante no Nordeste e no Brasil. Esta semana ela homenageada por contribuições ao ensino tecnológico…

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Por admin
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( Brasília-DF, 30/10/2009) A deputada Fátima Bezerra (PT-RN) foi homenageada na última semana com a Medalha Juscelino Kubitschek e uma placa da 33ª reunião da Rede Federal de Educação Profissional (Reditec) pelo seu trabalho para a expansão do ensino profissional e tecnológico no país. “Eu não recebo isso com sentimento de vaidade, mas como incentivo, de estímulo para eu continuar essa luta em prol da educação não só do meu estado e do nosso país”, disse em entrevista à Política Real.



O evento também comemorou os 100 anos da rede, e Fátima aproveitou para ressaltar a expansão que o ensino vem vivendo. “Nós tínhamos, até 2002, só 140 escolas técnicas no país. Nós vamos chegar a 2010 com 350 unidades. Para essa expansão o MEC investiu R$ 1,1 bilhão. Essa expansão vai assegurar 500 mil novas vagas para o ensino médio profissionalizante em todo o país”, apresentou a deputada.



Na região Nordeste, o crescimento será de 14,5%. “Até 2002, a região Nordeste só tinha 46 unidades. Até 2010, nós vamos chegar a 113”, afirma.

A petista criticou as políticas de Educação do governo Fernando Henrique Cardoso. “Até pouco tempo, pra você fazer um curso, você tinha que deslocar até a capital e olhe lá. Hoje não, é a gente democratizando o acesso a essas escolas. Até bem pouco tempo, o direito de fazer uma boa escola, de fazer uma universidade, era um privilégio do filho do fazendeiro, do deputado, do prefeito”, disse.



Fátima ressaltou suas contribuições para a educação nos seus dois mandatos como deputada federal, desde a relatoria de projetos importantes como a criação do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), como emendas garantidas para a construção de Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs) no Rio Grande do Norte.



Política Real: Quais os seus principais trabalhos relativos à educação como deputada federal?

Fátima Bezerra: Me orgulho muito de ter sido escolhida num colégio de 513 deputados para relatar uma das leis mais importante da educação básica neste país, que é o Fundeb. Uma lei que seguramente vai influir sobre os destinos da educação básica brasileira pelos próximos 50 anos. O Fundeb é uma política de financiamento para a educação como um todo. Nós vamos cuidar desde a questão de creche, de 0 a 3, da pré-escola, de 4 a 6, e claro passando pelo ensino fundamental e pelo ensino médio e a educação profissional e tecnológica.



Política Real: Qual a importância dessa mudança?

Fátima Bezerra: A médio prazo o estado brasileiro vai resgatar a dívida que tem no campo da educação para com vários segmentos da população brasileira. A dívida do analfabetismo, que tem uma taxa alta ainda, de 10%. E no Nordeste essa taxa infelizmente chega a 20%. A s taxas de acesso e de permanência se constituem grandes desafios pra nós. Por exemplo, no nível superior, a taxa de acesso é de 14% e no Nordeste é menor ainda, é 7,8%. No ensino médio, nós temos cerca de 55% dos nossos jovens de 15 a 19 anos que estão fora da escola. Na creche, nem se fala, nós temos cerca de 80% de 0 a 3 [anos] que estão fora da escola. Muitas ações importantes estão em curso exatamente para a curto, médio e longo prazo, a gente ir alterando esse quadro. Eu não tenho nenhuma dúvida que nós estamos escrevendo uma nova página na educação pública desse país. O legado do governo do presidente lula na educação é muito positivo, de muito impacto.



Política Real: Das políticas do governo Lula, qual seria a de maior importância?

Fátima Bezerra: Dentro desse legado, tem uma ação a meu juízo mais marcante no campo da educação do governo do presidente Lula, que é a expansão e fortalecimento da educação profissional e tecnológico no Brasil. Os indicadores econômicos são muito alvissareiros e mais do que nunca nós precisamos de boas escolas, não só pra formar os nossos jovens com grau de nível superior, mas com grau de ensino médio profissionalizante. Nós tínhamos, até 2002, só 140 escolas técnicas no país. Nós vamos chegar a 2010 com 350 unidades. Para essa expansão o MEC investiu R$ 1,1 bilhão. Essa expansão vai assegurar 500 mil novas vagas para o ensino médio profissionalizante em todo o país.



Política Real: Como é a situação no Nordeste?

Fátima Bezerra: Até 2002, a região Nordeste só tinha 46 unidades. Até 2010, nós vamos chegar a 113, um crescimento de 145,6 %. O Rio Grande do Norte é um exemplo disso. O meu estado é um dos melhores contemplados. Nós levamos 100 anos pra ter duas, em Natal e Mossoró. Agora, no governo do presidente Lula, já passamos pra 12. Desde o primeiro mandato de deputada federal, tenho me empenhado muito nessa luta em defesa da educação profissional e tecnológica do país. Para os 10 novos CEFETs que estão lá no Rio Grande do Norte, eu apresentei propostas tanto ao Plano Plurianual, como ao próprio orçamento. A criação dessas novas escolas está se dando dialogando com a realidade social e cultural, o potencial econômico, as vocações de cada região. Nós, no Nordeste, temos muito que comemorar. Mas para que o Brasil esteja celebrando esse momento novo na educação profissional e tecnológica, houve muitos obstáculos.



Política Real: Quais foram eles?

Fátima Bezerra: Esses obstáculos, infelizmente, foram oriundos de políticas equivocadas adotadas nos governos anteriores. Por exemplo, o governo anterior em 1998 publicou um decreto [2.208] separando o ensino médio do ensino técnico. Naquela época houve uma revolta generalizada em todo o país. Quando foi em 2004, nós revogamos esse decreto. O que o CEFET tem de melhor é combinar a boa formação geral com a sólida formação profissionalizante. Outra luta grande nossa foi alterar uma lei [1.998] que o Fernando Henrique tinha mandado ao Congresso Nacional e foi aprovada, que na prática, interditava, proibia a criação dos novos CEFETs. Ao alterar essa lei, em 2005, o presidente Lula pôde levar a frente o projeto. Porque a lei anterior é um equívoco, porque dizia que a expansão só podia se dar se fosse em parceria ou às ONGs, iniciativa privada ou estados e municípios. Mas como 99% dos municípios teriam condições de construir e manter os CEFETs?



Política Real: A Sra. também foi relatora do Plano de Carreira de servidores do CEFETs.

Fátima Bezerra: Vale aqui destacar a competitividade para os concursos de seleção dos professores e técnicos administrativos para os CEFETs, porque nós melhoramos os salários também. Melhorar o salário é um dado muito interessante para garantir que vá um professor de qualidade. Os professores que estão chegando lá, todos têm nível de mestrado pra cima. Sem contar que nós recuperamos a capacidade de investimento e de custeio dessas instituições, porque elas viveram, assim como as universidades, na era FHC, à água e sal. Até pouco tempo, pra você fazer um curso, você tinha que deslocar até a capital e olhe lá. Hoje não, é a gente democratizando o acesso a essas escolas. Até bem pouco tempo, o direito de fazer uma boa escola, de fazer uma universidade, era um privilégio do filho do fazendeiro, do deputado, do prefeito. Hoje não, nós estamos trazendo isso pra perto do povo.



Política Real: Como foi receber a Medalha Juscelino Kubitschek da Reditec?

Fátima Bezerra: Eu fiquei muito emocionada e fiquei me lembrando da minha história. Assim como o presidente Lula, assim como outros brasileiros pobres, eu fiz parte de uma geração que não teve o direito de cursar escolas boas como essa. Em determinadas épocas da minha vida, eu fiquei sem estudar. Daí realmente a minha emoção na minha condição de deputada federal ter a oportunidade de a gente construir esses avanços tão importantes no campo da educação. Eu não recebo isso com sentimento de vaidade, mas como incentivo, de estímulo para eu continuar essa luta em prol da educação não só do meu estado e do nosso país.



( Por Evam Sena e Genésio Araújo Junior com edição deste último)