ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Líder do PSDB no Recife, vereadora Aline Mariano comanda grupo que tenta instalar CPI do Lixo. A Política Real está acompanhando…
.
Publicado em
( Recife-PE, 16/10/2009) Escolhida no último mês de agosto como presidente de seu partido no Recife, função que recebeu pessoalmente das mãos das duas forças maiores de sua sigla no país, Sérgio Guerra e Aécio Neves, Aline Mariano é a aposta jovem e feminina do PSDB nas estratégias para 2010. Ela propôs recentemente um projeto de lei em que lan houses e cyber cafés façam o cadastro de seus usuários como forma de controle do acesso à web. O assunto passou na Câmara Federal e, se aprovado na instância municipal, Recife pode se antecipar e tornar-se a primeira capital a legislar nessa esfera. Mas, quando o assunto é fazer oposição à gestão municipal na capital pernambucana, sua atuação é de vigilância à exaustão. Luta ferrenhamente para instalar uma CPI municipal para apurar os contratos obtusos e questionados pelo TCE da Prefeitura do Recife com as duas últimas prestadoras do serviço de coleta do lixo da cidade: seria a CPI do Lixo. E ela afirma: “não vou deixar esse assunto morrer”. Acompanhe, então, a entrevista completa, exclusiva para o Política Real.
POLÍTICA REAL – A SRA RECENTEMENTE ASSUMIU A PRESIDÊNCIA NO RECIFE DO SEU PARTIDO, O PSDB. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS DESSA ATRIBUIÇÃO?
ALINE MARIANO – Através de filiações, nós também reativamos o PSDB Jovem do Recife. Esperamos que os outros presidentes nos outros municípios possam replicar isso. Até porque, espera-se que a capital seja sempre um espelho. A idéia nossa é fortalecermos o partido através de uma série de atos, cujo calendário está sendo elaborado e essa agenda deve contar com a presença dos presidenciáveis do PSDB – José Serra e Aécio Neves. Minha idéia é que esses eventos possam divulgar massivamente nossas propostas e as diretrizes do partido e principalmente incentivar a participação da juventude e das mulheres no cenário político. Essa programação deve se fortalecer a partir do próximo ano, quando eu vou passar a reservar um dia na semana para cuidar diretamente da presidência municipal do partido.
PR – NA CAMARA DOS VEREADORES, A SRA COMPÕE O BLOCO DE OPOSIÇÃO, QUE VEM FAZENDO DURA CAMPANHA DE MONITORAMENTO DOS PONTOS FRACOS DA ATUAL GESTÃO. QUAL O SEU PAPEL, SEGUNDO SEU ENTENDER, NO BLOCO DE OPOSIÇÃO?
AM – Nós somos apenas oito vereadores fazendo oposição ao governo, de um total de 37 vereadores da Casa José Mariano. A função da oposição é monitorar o governo e opor-se quando necessário. Quando os projetos forem bons para a cidade do Recife, nós não temos porque não aprová-los. Um exemplo disso, de como a oposição tem tido uma atuação responsável, foi o episódio da criação da Secretaria Municipal da Mulher, que ocorreu dentro do pacote de reformas da gestão municipal, trazido para a aprovação da CMR este ano, que é o primeiro da gestão João da Costa. Esse foi um dos meus primeiros projetos – lutar para dar à Coordenadoria Municipal da Mulher status de secretaria. Desde o início da minha gestão aqui no legislativo que venho trazendo esse assunto exaustivamente à discussão aqui na casa. Quando a proposta veio do governo, houve praticamente uma rebelião entre os vereadores, muitos insatisfeitos se retiraram do plenário, inclusive membros do governo. Enquanto isso, toda a oposição votou a favor da criação, tanto da Secretaria da Mulher, quanto da Secretaria de Meio Ambiente, porque a gente entende que isso é relevante para a cidade. Eu, portanto, jamais vou me opor nessas situações. Mas, no geral, eu tenho feito oposição sistemática ao governo e uma coisa eu tomo como fato: não tenho me deparado com avanços, especialmente na área social. Eu venho discutindo sistematicamente a atuação do Iasc (Instituto de Assistência Social e Cidadania), tenho visitado a rede de assistência, os e abrigos e percebo a fragilidade geral dessa rede, que enfrenta problemas estruturais, de forma que nem mesmo os funcionários que trabalham no aparelho estão motivados. Eu não posso ver avanços num governo que não tem conseguido promover a melhoria das condições de sobrevivência da população do Recife, no que diz respeito à assistência. A população de baixa renda continua vivendo sem perspectivas e, no meu ver, como oposição, não acredito que obras de pedra e cal possam fazer diferença na sociedade.
PR – RECENTEMENTE A SRA COLOCOU A POSSIBILIDADE DE ENTRAR COM PEDIDO DE INSTALAÇÃO DA CPI DO LIXO, PARA APURAR OS CONTRATOS DA PCR COM AS EMPRESAS QUE PRESTAM SERVIÇO DE COLETA E TRATAMENTO DE RESÍDUOS DA CIDADE. COMO ANDA ESTE PROJETO?
AM – Com 13 assinaturas eu conseguiria dar entrada ao requerimento de criação da CPI do Lixo. Eu cheguei a conseguir 11 assinaturas. Mas, em cima da hora, quatro colegas, que já tinham assinado adesão ao pedido, desistiram, cedendo às fortes pressões que o governo fez na Casa, através de seus líderes, para tentar impedir que isso fosse investigado e para que tivéssemos um pouco mais de intimidade com a documentação, com os contratos, para tentar entender a diferença entre as duas contratações. Mesmo assim, eu não vou deixar esse assunto morrer. Neste momento, eu estou aguardando sair a última resolução do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre isso. Quando nós tivermos essa decisão, a idéia da oposição é solicitar uma votação nominal no plenário, para que cada vereador possa dizer se é favor ou não de que nós façamos as investigações que são recomendadas pelo TCE nas contas da PCR com as empresas prestadoras dos serviços de limpeza urbana da cidade. O que eu sei é que os valores são imorais, absurdos e não justificados. E, mesmo com a saída da Qualix após a crise da coleta e a contratação da Vital, mais uma vez o Recife ficou nas mãos de uma única empresa para fazer a coleta e destinação de resíduos sólidos, quando se poderia ter feito a divisão do serviço entre quatro empresas, por exemplo, num modelos em que uma fiscalizaria a outra. E a questão do lixo é muito mais complexa, envolve a questão dos aterros, que a cidade continua sem teu a sua área própria de reserva e tratamento do lixo, e envolve também o Recife Energia – o projeto de criação da usina de tratamento de lixo da cidade, que não tem nem lugar para ser instalada e, para piorar, a Qualix venceu a licitação em que terá 60% das ações do consórcio que opera o projeto sem nunca sequer ter prestado esse serviço em lugar nenhum do país. É algo que dá calafrios e deixa muitas questões no ar. A coleta de lixo no Recife hoje é cara e não está sendo bem feita. O cartão-postal da cidade, a orla da praia de Boa Viagem, por exemplo, está entregue ao lixo. E ironicamente, a antiga prestadora do serviço, a Qualix, disse nos jornais que pelo valor que a substituta Vital está recebendo hoje para fazê-lo, eles limpariam a cidade com escovas de dentes. Resumindo, a qualidade da prestação deste serviço hoje não está nem perto do desejável.
PR – O PSDB, ASSIM COMO AS DEMAIS LEGENDAS, JÁ BUSCAM UMA REESTRUTURAÇÃO E UMA FORTE PREPARAÇÃO PARA AS ELEIÇÕES 2010. COMO PRESIDENTE DA SIGLA NUMA CAPITAL IMPORTANTE COMO O RECIFE, QUAL SERÁ O SEU FOCO NO PRÓXIMO ANO?
AM – Em nível estadual, nosso partido tem hoje a maior bancada da Assembléia Legislativa. São oito deputados e nosso presidente nacional, o senador Sérgio Guerra, acredita que, no mínimo, nós podemos no próximo ano repetir esse número. Na Câmara Federal nós temos dois deputados da sigla e o senador acredita que podemos eleger o dobro – quatro, no próximo ano. Há uma perspectiva inclusive de que a própria filha do senador, Helena Guerra, seja candidata a Deputada Federal – eu fico muito feliz de que as mulheres cada vez mais aceitem esse desafio. Quanto a mim, eu ainda tenho estudado se sairei ou não candidata a Deputada Estadual. O desejo do senador Sérgio Guerra e do partido hoje é que eu me candidate ampliando a representatividade do Sertão do Pajeú na bancada do PSDB na Alepe. Eu sou do sertão, sou de Afogados da Ingazeira, mas eu hoje não tenho representatividade pelo PSDB no Sertão do Pajeú – reverter isso seria o projeto. Mas eu estou analisando se devo continuar minha militância no Recife ou se, como uma boa soldada, devo atender ao comando do meu partido, arregaçar as mangas e seguir para um novo desafio.
PR – ALÉM DO CARGO DE LIDERANÇA DO PARTIDO E DA POSIÇÃO RELEVANTE À FRENTE DA OPOSIÇÃO, A SRA TB VEM PROPONDO PROJETOS QUE REVELAM OUTRO OLHAR PARA A CIDADE. UM DELES PROPÕE UM CARDÁPIO NUTRICIONAL BALANCEADO NAS CANTINAS E REFEITÓRIOS DAS ESCOLAS PÚBLICAS E PARTICULARES DO RECIFE, PROIBINDO DOCES E GULOSEIMAS. A SRA PRETENDE MARCAR SUA ATUAÇÃO NO LEGISLATIVO MUNICIPAL ENFOCANDO ALGUM ASPECTO OU SEGMENTO? JUVENTUDE? SAÚDE?
AM – Meu trabalho é essencialmente social. Eu faço parte na Câmara de Vereadores do Recife da Comissão de Direitos Humanos, que aborda questões ligadas ao direito do contribuinte, do consumidor, da criança e do adolescente e recentemente, através de uma resolução interna, nós já indicamos que essa secretaria aborde também assuntos relacionados à mulher, às políticas públicas de gênero. Diante disso, meu foco realmente é a área social e isso se confirma através da minha trajetória. Eu já trabalhei nas secretarias de Cidadania e Política Social e Justiça, Coordenei a primeira Conferencia Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, fui gestora nessa área também na Secretaria de Saúde… Então, meu trabalho se firma no tripé: questões de gênero, juventude e políticas sociais.
( por Fabiani Assunção, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)