31 de julho de 2025

ESPECIAL FIM DE SEMANA. Governo de fato de Honduras promete religar telefone fixo na embaixada do Brasil. A Política Real está acompanhando…

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Por admin
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( Brasília-DF, 02/10/2009) A Política Real está atenta e acompanha

Diante de uma parte da comitiva de deputados que visitou Honduras na última quinta-feira, 01, o governo de fato no país afirmou que vai religar o serviço de telefone fixo na embaixada do Brasil na capital, Tegucigalpa. Tanto o telefone, como a água e luz, foram cortados no último dia 21 de setembro, quando o presidente deposto, Manuel Zelaya, buscou abrigo na representação do Brasil em Honduras. Só a água e a luz foram reestabelecida no dia seguinte.



“Eles prometeram na frente da imprensa”, destacou Maurício Rands (PT-PE) à Política Real, por telefone, minutos antes de embarcar em Tegucigalpa, em avião comercial, para San Salvador, capital de El Salvador.

Um grupo de seis parlamentares, quatro nordestinos, deixou o Brasil na última quarta-feira para Honduras e volta nesta sexta, 02, para Brasília. Coordenado pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), a missão foi composta também por Cláudio Cajado (DEM-BA), Janete Rocha Pietá (PT-SP), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Ivan Valente (PSOL-SP).



A comitiva visitou a embaixada do Brasil e, segundo Rands, o fornecimento de comida e materiais de higiene estão garantidos. “Não há o clima de caos que eu imaginava não. Está arrumada a embaixada”, afirmou. Até a noite de ontem, segundo os deputados, havia 63 pessoas na representação brasileira.

Os deputados também conversaram com Zelaya e pediram para que o presidente deposto não use a embaixada como palanque para incentivar manifestações políticas. O presidente afirmou que só está propondo manifestações pacíficas. “Ele afirmou para nós que a luta dele é pela soberania popular, pra que não haja interrupção de mandatos populares”, contou Rands.



Segundo o deputado, Zelaya aceita dialogar, mas não abre mão da restituição do governo democraticamente eleito, ou seja, a volta dele ao poder. O presidente deposto aceita até desistir de alterar a Constituição de Honduras em nome do cumprir integralmente seu mandato. Ele foi deposto em 28 de junho, um dia antes de um referendo em que a população votaria sobre a possibilidade de reeleição no país, proibida na Constituição.

Desde a chegada de Zelaya à embaixada do Brasil em Honduras, o governo local impôs um cerco militar à representação brasileira. Maurício Rands adiantou que não só a Suprema Corte de Justiça, como o Parlamento e o próprio presidente do governo de fato, Roberto Micheletti garantiram a integridade da embaixada.

O presidente da Suprema Corte, Jorge Alberto Rivera Aviles, afirmou aos deputados que o objetivo do cerco é proteger as pessoas que estão lá dentro. Os 15 ministros do principal tribunal hondurenho criticaram o fato de Zelaya usar a embaixada para convocar confrontos políticos e cobraram a definição do status de Zelaya, se refúgio ou asilo.

Apesar da cobrança, o presidente da Assembléia Nacional de Honduras, José Saavedra prometeu que vai pedir ao governo Micheletti que suspenda o ultimato de dez dias para que o Brasil defina o status diplomático de Zelaya. O prazo acabará na próxima quarta-feira, 7.

Somente os nordestinos do grupo parlamentar brasileiro decidiram reunir-se também com o presidente do governo de fato, Roberto Micheletti. Ivan Valente e Janete Pietá se recusaram a participar da reunião e justificaram com o fato de o governo brasileiro não reconhecer Micheletti como presidente.

Rands contou que ele “também disse que aceitava algum diálogo e que vai receber a OEA [Organização dos Estados Americanos]”. Apesar de estar disposta ao diálogo, cada parte tem posição muito definida para um acordo. “[O governo de fato] aceita um acordo que passa por [a eleição de] um terceiro [presidente, eleito nas eleições programadas para novembro]”, disse Rands.



A comitiva de deputados brasileiros reuniu-se ainda com nove brasileiros que vivem em Honduras e são contra o fato de Zelaya estar na embaixada brasileira. Segundo eles, o governo do Brasil não considerou o bem-estar da comunidade brasileira no país e de suas empresas. “A comunidade brasileira aqui é de classe média alta, casada com hondurenhos, com empresários. Ela se alinha com o governo de fato”, comentou Rands.



( por Evam Sena, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)