Bancada do Nordeste. Sydrião Alencar, do Etene, afirma que Nordeste tem papel de destaque para o desenvolvimento do país. “A esperança é que daqui há 10 anos, o Nordeste produza 20% do PIB nacional, já que temos 28% da população”, declarou….
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(Brasília, 07/07/2009) A Política Real acompanhou. O Nordeste tem um papel definido e de destaque no projeto de desenvolvimento do país do governo federal, afirmou o superintendente do ETENE (Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste), Sydrião Alencar, em café-da-manhã com a Bancada do Nordeste nesta quarta-feira, 8. O encontro, que discutiu a crise econômica financeira, também teve a presença do presidente do IPEA (Instituto de Pesquisas Aplicadas), Márcio Pochman.
Alencar apresentou os potenciais do Nordeste para esse plano de desenvolvimento que levará o Brasil “a um papel mais atuante e menos dependente”. O Nordeste, se fosse um país independente, seria o quinto maior mercado consumidor da América Latina.
A região também é estratégica do ponto de vista de logística e transporte para a exportação. “O Nordeste tem os três maiores portos do país com capacidade de expansão: Itaque (MA), Pecém (CE) e Suape (PE)”, lembrou Alencar, que afirmou que o Nordeste é melhor porta de saída para os EUA, Europa e África.
Alencar lembrou que, desde 2003, a taxa de crescimento econômico do Nordeste foi superior à taxa do Brasil. “A esperança é que daqui há 10 anos, o Nordeste produza 20% do PIB nacional, já que temos 28% da população”, declarou.
Segundo o superintendente do ETENE, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) tem papel importante para a integração do Nordeste ao desenvolvimento do país. Ele destacou a construção da Transnordestina, que vai diminuir os custos com transporte, atender ao mercado consumidor do Nordeste, incentivar a criação de pólos autônomos ao longo da rodovia e aumentar a exportação de produtos da região.
Outra obra que vai alavancar o desenvolvimento e diminuir os problemas energéticos da região é a construção de um gasoduto que chegue até o Maranhão, afirmou Alencar. “[A partir do gasoduto] as indústrias virão não por incentivos, mas por questões de custos, de mercado”, declarou.
ENFRETAMENTO DA CRISE – Segundo Alencar, dos R$ 23,2 bilhões repassados pelo programa Bolsa Família, R$ 17,5 bilhões voltaram em forma de tributos. “Cerca de R$ 10 bilhões só no Nordeste”, discriminou. Com o PAC, o investimento, só no Nordeste, foi de R$ 38.183 bilhões e o retorno em tributos foi de R$ 13.667 bilhões. “Isso significa que o Brasil fez uma política anti-crise antes mesmo da crise”, comemorou Alencar.
Um dos entraves para o desenvolvimento do Nordeste, segundo Alencar, é que o sistema bancário capta recursos da região, mas os aplica fora. Ele lembrou uma medida monetária que não está mais em vigor, segundo a qual, as agências que captavam dinheiro no nordeste tinham uma menor taxa de depósito compulsório (que os bancos devem entregar ao Banco Central), o que obrigava os bancos a investirem.
( Por Evam Sena, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)