ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. “O Governo tem uma dívida com o Maranhão”, diz Cleber Verde (PRB-MA). Para deputado, mudança de governo pode beneficiar o estado se forem mantidas as rela-ções estreitas entre Lula e a ex-líder do governo no Senado, Roseana Sarn
.
Publicado em
(Brasília-DF, 23/04/2009) O deputado federal pelo PRB do Maranhão, Cleber Verde, analisa com cautela o novo cenário político do estado. Ele evita entrar no mérito da discussão sobre a saída do ex-governador Jackson Lago e a entrada da ex-senadora, Roseana Sarney, no Palácio dos Leões. Ele esquiva e declara que o Governo Federal tem uam enorme dívida com o Maranhão.
Boa situação para começar a liquidá-la é exatamente a ascensão de Roseana Sarney. A ex-senadora já foi líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado e mantém uma aparente boa relação com o presidente. Cleber Verde também está disposto a ajudar a quitar a dívida. Ao final da entrevista, ele disse que como membro da Comissão Mista de Orçamento fará o possível para enviar mais recursos para o estado.
Cleber é um daqueles deputados conscientes de que não basta sonhar com as mudanças no Congressos. Ele sabe que as reformas só irão para frente se conseguir consenso. Mas vê que atualmente as manobras emperraram. Para ele, as reformas são essenciais.
E embora acredite na necessidade de mudanças, Cleber não vê necessidade em mudar as regras para as cotas de passagens aéreas. Após o escândalo envolvendo suposto uso irregular das passagens pelos parlamentares, ele continua a acreditar que elas são necessárias e que “cada caso é um caso”.
Confira íntegra da entrevista:
O que muda com a troca de governador no Maranhão? Você acha que essa situação pode ser prejudicial ao estado?
Entendo que com a acensão da senadora, hoje governadora, Roseana, por ser aliada do governo Lula, ter sido líder do seu governo no Congresso, por ter feito parte do conselho do governo e eu entendo que o presidente tem uma dívida e acredito que o Governo Federal deva ajudá-la como já está, inclusive, sinalizando. E ajudar o governo, não é ajudar a Roseana, é ajudar o povo do Maranhão. Entendemos que as ajudas conduzidas pelo Governo Federal na área de educação, infra-estrutura, o Programa de Aceleração do Crescimento que precisa ter uma continuidade. Essa relações que o Governo Federal puder fazer para beneficiar o povo do Maranhão, nós estaremos aqui torcendo e aplaudindo. Nós queremos é que o estado avance, que cresça, nessa questão da falta de luz que ainda atinge vários municípios, nós queremos que isso não exista mais. Nós precisamos mudar a realidade do Maranhão.
O que você acredita que o ex-governador Jackson Lago deva fazer neste momento?
Eu acredito que o Jackson já está buscando algumas instâncias da justiça para rever o processo, mas entendo que ele está infiltrado em uma política partidária para procurar fazer as ponderações, críticas no contexto do Maranhão a partir de agora, fora do governo, obviamente. Isso sem perder de vistas as ações que eu acredito que ele deva tomar junto aos seus advogados pretendendo ainda ter como resposta. Como no relato dele, do dia em que entregou o governo, de que ele estaria despachando na presença de seu partido, ouvindo os clamores daquele que de por ventura estariam insatisfeitos com o governo instalado.
Você falou que o governo tem uma dívida com o Maranhão. Nesse momento de crise, o que você acha que deve ser feito para melhorar a condição do Maranhão?
Primeiro, não parar obras importantes que foram sinalizadas para o estado como a hidroelétrica de Estreito. Ela é fundamental, uma obra importante que gera empregos diretos e indiretos, além de recursos que entram para os cofres municipais. A outra é a siderurgia, a refinaria, que está a caminho para ser iniciada a ação como foi dito pelo próprio presidente Lula. E o próprio disse que a refinaria do Maranhão é prioridade do Governo. Essa definida junto ao PAC e outras ações que já foram sinalizadas, não podem parar, perder sua continuidade porque geram uma infra-estrutura, empregos direto e indireto na perspectiva de sairmos da crise. Para o Maranhão essa é uma grande oportunidade de transformarmos a realidade do estado com a possibilidade de ter abertura do mercado de trabalho.
Tem gente que diz que a crise ainda não chegou e gente que diz que ela já reflete no desemprego do Nordeste. Como está o Maranhão?
A crise, acho que um contexto geral, já está perceptível. Você já percebe dificuldades na questão do emprego, pessoas que saíram do seu trabalho por conta da situação que está posta. O Maranhão, obviamente, não está por fora disso. O Nordeste também não. Entendo que a solução é essa, do Governo continuar imprimindo suas obras do PAC e suas ações positivas para atender os estados brasileiros. E o Maranhão, especialmente, precisa muito dessas ações especialmente pelas condições do mercado de trabalho. Vejo esses avanços da hidrelétrica, da refinaria como oportunidades para que mais pais de família tenham emprego e façam girar os recursos dentro do estado.
Mudando para política, você acredita que sai alguma reforma, como a política e tributária, sai nesta legislatura? E você concorda com elas?
As reformas são necessárias. Nessa questão do ICMS que os estados podem atrair empresas com incentivos. Acho que o governo Federal e o Congresso tem a oportunidade fazer as reformas que estão prontas, mas não acontecem por essa questão de contrariar interesses e nenhum estado quer perder. E não há consenso. Uns ganhas e outros perdem e isso faz com que não aconteça nenhuma das duas reformas. A reforma política também pressupõe prejuízo para alguns partidos políticos. E esse perder e ganhar que provoca infelizmente o não consenso. Para haver reforma tem que identificar os pontos comum, o que converge para o mesmo lado e não está tendo isso. A reforma política, no meu entendimento, diferente da tributária, já acontece porque a gente tem pautado ações de forma períodica que vem atendendo o interesse dos partidos e da política como um todo. Mas no geral, ela nunca vai acontecer porque vai sempre contrariar interesses. Então, tem que ser pontual e identificar oq eu é consenso para voatr a partir daí dentro da questão das reformas.
Quanto ao escândalo atual das passagens. Você concorda que a decisão da Mesa Diretora de restringir o uso tem que ir a votação ou deve ser acatado sem consenso?
A Mesa é um colegiado e na maioria das vezes por si só ela não conhece cada caso dos deputados. E ouvir o Plenário é importante, ele é soberano. Em qualquer instância do legislativo, o plenário sempre é soberano. Uma questão tomada na Mesa de interesse de todos tem que ser discutida, entendo que se for regimental deva vir. Até pelo entendimento da questão das passagens, que tem que ser avaliada de modo muito delicado. A minha questão própria, eu vim para cá com minha esposa e meus filhos menores de seis e oito anos, que estudam aqui e nós moramos aqui. Quando tem a oportunidade de um feriado no mês nós vamos para o estado para retornar e continuar fazendo a política e também levo a minha família para rever as raízes e está próximo a família sem perder essa sintonia. E fazemos isso não porque a Câmara nos dar, mas em uma economia que fazemos comprando passagens mais baratas. Quantas vezes sai do Maranhão voltando de madrugada porque era mais barato para economizar e na perspectiva da minha cota poder economizar na passagem da minha esposa e dos meus filhos para voltarem ao estado. Acho que cada caso é um caso, a Mesa tem que definir um conjunto com a perspectiva de pelo menos uma vez por mês oportunizar que a esposa e o filho voltem ao estado é prudente considerando que a gente já fica tão ausente da família na política do estado e aqui passamos praticamente o dia envolvidos com comissões e plenário. Acredito que quem está de fato exercendo o mandato na plenitude do legislativo com seu papel participando efetivamente e acompanhando os processos que estão em pauta entendo que não seria benefício a mais, pelo contrário, só uma oportunidade a mais que com a economia que o deputado faz na sua cota pessoal possa garantir uma passagem para esposa e filhos retornarem ao estado. Me posiciono contrário a decisão de que só o deputado possa viajar, mas entendo que o que for acordado no colegiado e decidido no plenário, estaremos prontos para acatar. O importante é a gente sair dessa situação deixando a Câmara mais transparente do que ela já é.
(por Grasielle Castro – [email protected] )