31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. “A crise não chegou ao Nordeste”, diz Alencar, do Etene. Etene fecha parceria com a Bancada do Nordeste. E superintendente assegura potencial de desenvolvimento da região…

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Por admin
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(Brasília-DF, 17/04/2009) Investir para desenvolver uma região exige estudo, pesquisa, avaliação e muitos números. Para dar esse suporte ao Nordeste, quando foi o criado o Banco do Nordeste, que visava mais desenvolvimento, criou-se também o Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE). Hoje, esse escritório é responsável por grande parte dos trabalhos técnicos da região. E está a frente de entidades federais criadas com a mesma finalidade, mas que não estão vinculadas a nenhum banco.

Como superintendente do Etene está José Sydrão de Alencar Júnior. Ele falou à Política Real sobre os principais desafios que a região vem enfrentando e sobre as perspectivas de crescimento do Nordeste. O Etene, segundo sua descrição institucional, elabora, promove e difunde conhecimentos técnicos e científicos que subsidiam a ação do Banco do Nordeste e da sociedade, na busca do desenvolvimento sustentável do Nordeste.

E é com base nesse trabalho realizado pelo escritório, que José Sydrão falou sobre desenvolvimento, publicações, ciúme entre órgãos federais, contribuições parlamentares, parceria com a Bancada do Nordeste, biocombustíveis, fontes de energia alternativa. Ele também deu sua opinião também sobre o grande assunto do momento que é a crise econômica e seu impacto na região. E já decretou: “a crise não chegou ao Nordeste”.



Confira a íntegra:



Política Real: Em que a parceria do Etene com o Banco do Nordeste pode fortalecer a relação com os parlamentares da Bancada do Nordeste?



Nós consideramos o parlamento, a Câmara e o Senado, como fundamental para o processo de desenvolvimento da região. Todas as grandes ações para o desenvolvimento do Nordeste surgiram a partir do congresso Nacional, dos parlamentares. Essa sensibilidade história e a própria mobilização do Nordeste como Sudene e Dnocs dependem e tem como aliado a Câmara e o Senado.



P.R : Como o Etene poderia dar um suporte aos parlamentares, nesse avanço, que o senhor acha que existe?



O suporte do Etene é um suporte histórico. O Etene dá suporte com projetos e foi criado em conjunto com o Banco do Nordeste e depois aliado ao banco. ele tem uma área de estudos regionais, de pensar o nordeste com pontos de vista estratégicos. Nós consideramos isso para bancada como um ganho. Nossa disposição é de oferecer dados, projetos, estudos que suportem a ação da bancada em função de projetos estruturantes para o Nordeste. Vemos a bancada como um instrumento fundamental para esta ação de desenvolvimento.



O Nordeste assim como o Brasil está preocupado com esse momento que estamos vivendo de crise econômica. Apesar de alguns especialistas dizerem que dentro o país, o Nordeste talvez seja a região que menos perca devido a manutenção de alguns programas sociais e obras estruturantes. Como você vê as contribuições que o Etene pode dar?



O Etene é um órgão de estudo da região e temos vários trabalhos de análise. Temos a matriz de produtos que avaliam impacto, de crise, de grandes investimentos, das ações do governo, de políticas como o Pronaf. E partir desses instrumentos temos ações concretas com base em números e digo que realmente o impacto da crise em termos de Nordeste e de Brasil também os impactos da crise serão bem menores que em outras regiões do mundo. Nós colocamos entre outros pontos as políticas do governo de intervenção do estado. Isso é um ponto positivo das políticas que tivemos nos últimos anos. Antes da crise o governo antecipou medidas importantes que evitaram maiores impactos. Ao contrário de outros países que agora estão pensando em intervenção do estado, estruturação de bancos públicos. E no caso do Nordeste nós temos o Banco do Nordeste e outros recursos. Ano passado o banco investiu R$ 13 bilhões, um número recorde. E este ano esperamos investir R$ 16 bilhões. Isso são ações políticas fundamentais para que essa crise não chegue ao Nordeste. E nós temos indicadores recentes que indicam que a crise não chegou. A produção e o nível de emprego permanecem basicamente os mesmos do ano passado. A área de exportação sim foi afetada, mas também devido as questões sazonais em que o início do ano é sempre mais fraco.



P.R: Como está o nível de publicações que o Etene tem de fato gerado? Elas são gerais ou setoriais, abordam cada estado? A que nível está a produção?



Temos publicações setoriais, do ponto de vista dos estados e também regionais e nacionais. E todas estão disponíveis para download no site do Banco do Nordeste (www.bnb.com.br). Lá tem uma entrada para o site do Etene onde as publicações estão. E também temos a revista econômica do Nordeste. A revista de economia regional mais antiga do país, estamos completando 40 anos. E a revista está para download gratuito. A cada três meses temos Conjuntura Nordeste, que é a única revista de conjunta do país.

Ainda dentro da produção técnica que o Etene gera, a gente coloca em questionamento algumas questões que viraram mito, como o fato de que o semi-árido gera intensa dificuldade e questões como a diversidade do Nordeste, o desenvolvimento de bioenergias e combustíveis.



P.R: Como você avalia essa aparente mudança no perfil econômico do Nordeste?



No campo das energias alternativas, o Nordeste tem o maior potencial eólico do país hoje tanto instalado quanto em instalação. Nós temos praticamente condições de instalar duas ou três Itaipus ao longo dos próximos 20 anos. O Nordeste se tornará auto-suficiente em energia eólica e solar. Temos estudos e indicações do potencial de energia solar na região. E também na parte de bionenergia. É importante colocar que o manejo correto da caatinga possibilita uma participação econômica sustentável. Nós temos no Banco do Nordeste um fundo de incentivo a energia. Vamos financiar todo processo de difusão dessas tecnologias. O manejo correto da caatinga, recuperação de áreas degradadas, a fruticultura do semi-árido. Hoje o umbu, que é uma fruta típica, conta com experimentos da Embrapa onde é possível ter dentro da caatinga a sua fruticultura. Sem contar com as áreas irrigáveis, que temos bons trabalhos. Temos também poucos problemas de sanidade, de doença nas plantas. Temos a psicultura em áreas internas dos açudes, temos um potencial incrível. Nós temos esse conjunto e um mercado interno de mais de 20 milhões de pessoas no semi-árido. Queria destacar que através de programas como o Bolsa Família, o Pronaf, que são ditos assistencialistas, mas não são. Eles são programas importantes que estão gerando o emprego formal. Hoje ele está crescendo uma média de quase 15% ao no. E também a expansão das universidades públicas, que formaram importantes grupos de pesquisa dentro do semi-árido. São esses fatos que nós autorizam a crer em um novo patamar. E o Nordeste também conta com um grande potencial de exportação. O setor portuário do Nordeste com os portos de Itaqui, Suape e Pecém, foram ponte com Estados Unidos, Europa e África. Com os projetos da transnordestinas e o de revitalização do Rio São Francisco com a interligação de bacias vamos ter uma infraestrutura básica para ter integração do Nordeste não só com o resto do país, mas para uma infra estrutura básica.



P.R: No início do governo Lula foi retomada a idéia de um programa nacional de desenvolvimento regional. Porém, recentemente vimos a decisão de levar a frente projeto de ações estratégicas. Como o escritório está se inserindo nessa discussão?



Nós nos incorporamos as várias caravanas da equipe do ministro de Ações Estratégicas, Mangabeira Unger, e participamos de todas as viagens e discussões nos estados e queria destacar que tanto no plano estratégico quanto no desenvolvimento regional, que são planos que não se chocam e sim são complemetares. Essa proposta é para pesar o Nordeste para os próximos 20 anos. São planos complementares aos quais a Sudene tem comando e fazem parte dela. É importante pensar o Nordeste para o futuro como parte do processo nacional. Não vejo nenhum choque dos dois projetos.



P.R : E a ciumeira? O fato de o banco estar muito a frente de outras instituições hoje no Nordeste, antes falava-se do Dnocs e da Sudene e hoje em dia só se fala do banco. Tem ciumeira do Governo Federal em torno do banco?



Não, não tem ciumeira. No caso do Dnocs, ele hoje está em processo de retomada, ele está a frente de grandes obras hídricas e de infraestrutura. O Dnocs é um órgão que está retomando seu processo. E teve a recuperação da Sudene que está retomando suas funções e revitalizando. As Sudene tem feito suas reuniões. E o banco está junto desses dois órgãos. Não existe ciumeira.



(por Grasielle Castro e Genésio Araújo Júnior – [email protected] )