31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Mendonça Filho tem projetos para o legislativo em 2010, critica o Go-verno estadual e aguarda resultados do municipal. A Politica Real está atenta e teve acesso…

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Por admin
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(Recife-PE- 20/03/2009) Ex-Governador do Estado, Mendonça Filho topou conversar com o Política Real sobre os novos projetos à frente da presidência estadual do DEM em Pernambuco, despistou quando o assunto é eleição de 2010, dizendo que é precipitado conversar agora sobre isso. Para ele, o momento é de identificar os compromissos e promessas de campanha não cumpridos pelo atual governo Eduardo Campos (PSB). Nascido no Recife, Mendonça Filho passou a infância e a adolescência entre a capital e Belo Jardim, terra natal de seus pais e município onde deu início a sua carreira política. Foi eleito deputado estadual aos 20 anos, sendo, na época, o mais jovem parlamentar do País.



Na Assembléia Legislativa, Mendonça Filho assumiu a vice-liderança da oposição ao Governo do Estado e participou ativamente da Constituição Estadual, elaborada durante a redemocratização do País. Em 1990, reelegeu-se deputado estadual, mas licenciou-se do mandato para dirigir a então Secretaria de Agricultura, quando o então partido PFL voltou a governar o Estado.



Em 1994, Mendonça Filho foi eleito deputado federal. Na Câmara dos Deputados, o seu mandato ficou marcado pela emenda constitucional permitindo a reeleição para presidente, governadores e prefeitos. Em 1998 foi eleito vice-governador ao lado de Jarbas Vasconcelos, cargo que exerceu durante dois mandatos.



Como vice-governador, teve uma atuação em todas as áreas da administração, tendo se destacado como o principal executivo do Governo na atração de investimentos, projetos de infra-estrutura e sociais. Entre eles, Ação Integrada pela Segurança, visando combater a violência com ações preventivas voltadas principalmente para jovens de bairros como Peixinhos, em Olinda, Santo Amaro, em Recife e Cajueiro Seco, em Jaboatão.



Mendonça Filho é formado em Administração de Empresas pela Faculdade de Ciências Administrativas de Pernambuco (FESP/UPE), com especialização em Gestão Pública na Kennedy School, a Escola de Governo da Universidade de Harvard.





Política Real- Como será a sua viagem no projeto Democratas nas Ruas? Qual o objetivo dela?



Mendonça Filho- O “Democratas nas Ruas” é um projeto ousado do partido, porque pretende percorrer os 184 municípios de Pernambuco, ouvindo as demandas da população, identificando os problemas de cada cidade, de cada micro região do Estado. Além disso, vamos identificar novas lideranças e fortalecer o partido no âmbito estadual. É uma espécie de caravana – que vai contar com membros da Executiva Estadual do partido, deputados, prefeitos, vereadores, as mulheres democratas e a juventude.

Começaremos o Democratas nas Ruas em Petrolina com um Encontro das mulheres. A Presidente do Democratas Mulher, deputada Miriam Lacerda, quer discutir os problemas que atingem este segmento da nossa sociedade e instalar diretórios municipais femininos em todos os municípios.



Vamos fazer visitas a projetos, alguns paralisados como o Pontal, em Petrolina, visitar pessoas, andar em feiras. O Democratas nas Ruas pretende conversar com as pessoas, identificar os compromissos e promessas de campanha não cumpridos pelo atual governo. Vamos colher as críticas e queixas da população e transformá-las em compromissos partidários para a eleição de 2010.



Nessa primeira viagem vamos passar quatro dias no São Francisco visitando sete municípios: Petrolina, Afrânio, Dormentes, Lagoa Grande, Orocó, Cabrobó e Santa Maria da Boa Vista. Ao todo vamos a 12 microrregiões, incluindo o Recife e a Região Metropolitana.



P.R- A Costura para 2010 já começou, como estão os entendimentos em torno do melhor nome para a disputa para Governo do estado?



M.F- A discussão de nome para o Governo é precipitada neste momento. Tanto o Democratas, como o PMDB, o PSDB e o PPS estão na oposição e se preparando para fortalecer suas estruturas internas. Acho que este momento é para fortalecimento partidário e, principalmente, para ouvir o povo sobre os problemas nas áreas de saúde, educação, segurança. É momento de identificar os compromissos e promessas de campanha não cumpridas pelo atual governo. Somos um partido de oposição e um conjunto de forças oposicionistas e o que vai ser julgado em 2010 é o que foi feito ou não.



Tenho orgulho de ter participado de um Governo, no qual fui vice-governador e governador, que fez uma grande revolução estrutural nos municípios do interior. O programa Águas de Pernambuco deixou mais de cem cidades com abastecimento normalizado. A universalização da eletrificação rural é uma conquista nossa, com a exigência no edital de privatização da Celpe. Além disso, o grande salto do interior só foi possível graças ao eixo de desenvolvimento criado pelo maior programa de rodovias, tendo a duplicação da BR-232, como obra central. Infelizmente muitas dessas conquistas foram abandonadas pelo atual governo.



A oposição tem serviços prestados aos pernambucanos e o atual Governo ainda não disse a que veio. Não adianta propaganda e ficar pendurado nas obras do PAC, que andam em ritmo lentíssimo. Para mim a discussão neste momento deve ser esta. Nome a gente discute no momento certo.



P.R- Avalie a gestão João da Costa e as suas promessas de campanha quando foi seu oponente.



M.F- Um governo que não completou 100 dias não é possível avaliar. O atual prefeito foi eleito apostando no discurso da continuidade da gestão e no suporte político do ex-prefeito João Paulo. Foi o discurso da continuidade pela continuidade, sem apresentar algo de novo. Vamos aguardar. No momento certo falarei.



P.R- Todos os recursos do DEM contra João da Costa e o PT não foram acatados pelos tribunais. O que o senhor acha disso?



M.F- É importante esclarecer que o processo por abuso do poder político e econômico praticado em favor de João da Costa foi de iniciativa do Ministério Público, que é uma instituição apartidária e uma das mais sérias do País. O Democratas acompanhou o processo, por ser de interesse público e um crime eleitoral que desequilibrou o processo com uma afronta à Democracia, à Lei e à Justiça.

Na Justiça o processo foi acatado em primeira instância com a cassação do registro da candidatura do candidato do PT, por uso da máquina pública em favor da campanha eleitoral. Na segunda instância, o TRE e o próprio Ministério Público reconheceram que houve o crime eleitoral com a Secretaria de Educação sendo transformada num comitê eleitoral de João da Costa, funcionários municipais sendo obrigados a pedir voto para o candidato em horário de expediente.



A diferença é que o TRE reconheceu o crime eleitoral, mas decidiu por punir com multa e não com a cassação do registro de candidatura considerando o principio da potencialidade. Ou seja, reconheceu que houve abuso de poder político e econômico em favor de João da Costa, mas avaliou que não houve prejuízo ao pleito. O que é bastante controverso e abre um precedente perigoso.

É bom lembrar, no entanto, que o Tribunal Superior Eleitoral não está considerando o princípio da potencialidade – usado pela defesa dos candidatos acusados – no julgamento de crime eleitoral. Tanto que cassou dois governadores. O Democratas está acompanhando esse processo, inclusive recorrendo da decisão do TRE, por dever de ofício e por coerência.



P.R- Jarbas disse que não sai candidato. O PSDB levantou o nome de Sergio Guerra e o DEM será fatalmente o do senhor?



M.F- Como disse anteriormente, a discussão de nome para o Governo neste momento é precipitada. No campo das forças de oposição temos muitos nomes de expressão tanto no Democratas, como no PMDB, PSDB, PPS. O que o Democratas têm certo hoje é o nome do senador Marco Maciel para a reeleição. Com relação a mim, não tenho projetos majoritários para 2010. O meu projeto é disputar um mandato de deputado federal e continuar nessa jornada trabalhando pelo fortalecimento do partido, com a identificação de nomes para formar chapas fortes para deputado federal e estadual.



P.R-Em entrevista recente o senhor acusou o governo do PSB de usar programas e obras criados na gestão anterior, como a BR-232 para fazer propaganda. Como o avalia esta postura?



M.F- Não se trata de acusação, mas de constatação. O atual Governo já está no terceiro ano de mandato, faltando pouco tempo para terminar e ainda não mostrou a que veio não cumpriu suas principais promessas de campanha. Nosso governo – o meu e o de Jarbas – fez com que Pernambuco retomasse o desenvolvimento econômico e social. Demos, sem falsa modéstia, um novo rumo a Pernambuco, gerando empregos, desenvolvimento, investindo no interior com água, eletrificação rural, estradas, gás, trazendo novos investimentos. O que hoje nós constatamos é o atual governo contabiliza como realizações o que deixamos pronto como Suape, a infra-estrutura, abastecimento de água, estradas, eletrificação rural. O povo está acompanhando e sabe que o atual governo não disse a que veio.



P.R- Sobre as declarações de Jarbas à Veja como o senhor ver a corrupção? É inerente à política?



M.F- A corrupção é um mal a qualquer sociedade e a democracia e deve ser combatida não apenas na política, mas em todos os segmentos da nossa sociedade. A entrevista de Jarbas à Veja expressa a sua coragem e o seu estilo de fazer política: com transparência, honestidade e destemor.



Sou contrário à tese de que corrupção é inerente à política. Se olharmos a história da humanidade, podemos dizer que é um mal enfrentado em todas as sociedades e civilizações. A diferença está na forma como cada comunidade e segmento combatem a corrupção. Nisso, acho que o Brasil infelizmente está aquém do nível desejado.



P.R- E a fidelidade partidária? Apóia o deputado Sílvio Costa (PMN) com seu projeto de lei que flexibiliza a fidelidade?



M.F- Sou radicalmente a favor da fidelidade partidária e de qualquer princípio que leve a estabilidade ao quadro eleitoral brasileiro, que vem sendo deteriorado por causa da flexibilidade. Poucos parlamentares no País se elegem tendo como base a votação individual. Se elegem com base na votação do partido. Defendo que o prazo mínimo de filiação seja de 3 anos, podendo chegar a 4 anos.



P.R- Recentemente entrevistamos a vereadora Priscila Krause que afirmou que o DEM trabalha o nome dela para deputada estadual, afora o governo do estado, como serão os lançamentos de candidatos para o Legislativo estadual e Nacional?



M.F- A vereadora Priscila Krause já manifestou o desejo de ser candidata a deputada estadual. Vejo como um fato positivo, porque estamos trabalhando para ampliar nossos espaços, as nossas bancadas na Assembléia e na Câmara dos Deputados. E Priscila pela sua competência, experiência e atuação vai nos ajudar nesse trabalho. Começamos a identificar nomes fortes para integrar nossa chapa de deputados e o Democratas nas Ruas, com a andança por todos os municípios, vai reforçar a nossa estratégia. A exemplo de 2008 no Recife, quando lançamos uma chapa de vereadores forte, tanto que elegemos três vereadores, quando o PT caiu de oito para cinco parlamentares, vamos chegar em 2010 com candidatos a deputado bastante representativa.



( por Izabel Melo, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)