31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Em meio à crise financeira mundial, trade hoteleiro em Pernambuco tem previsão otimista para a ocupação nos feriados de final de ano. A Política Real está acompanhando…

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Por admin
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( Recife-Pe, 05/12/2008) De acordo com o ranking divulgado pela agência de viagens online Rapi10, Recife é um dos destinos favoritos para a virada do final do ano. A capital pernambucana aparece ao lado do Rio de Janeiro, registrando o maior número de pacotes vendidos, com 15% de participação. No ranking da CVC (uma das maiores agências do NE), Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, aparece em quarto lugar como destino mais vendido, com uma média de aproximadamente 70 mil passageiros. De olho no incremento turístico do Estado, seus entraves e potencialidades, o presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis em (Abih) em Pernambuco, José Otávio Meira Lins, se mostra confiante com os rumos tomados pela rede hoteleira, apesar da crise financeira mundial. E mais: mostra onde, como e porque Estado ainda é capaz evoluir no setor turístico.



ENTREVISTA- José Otávio Meira Lins, presidente da Abih em PE





Política Real- Com alta do dólar, as viagens com destinos dentro do Brasil aumentaram nesse final de ano (em termos percentuais/ comparativos)?



José Otávio Meira Lins- Em Pernambuco, estamos tendo reservas 15% ao ano anterior. Teremos com certeza um Réveillon com quase lotação plena em todas as regiões hoteleiras do Estado: Recife, Litoral Sul, Ilha de Fernando de Noronha e também interior. Atualmente, Recife e Litoral Sul são os destinos mais procurados.



P.R- Em Pernambuco, está uma das praias mais badaladas do Brasil, Porto de Galinhas, no Litoral Sul. O que falta para a rede hoteleira investir mais no Litoral Norte?



J.O- A retirada dos presídios existentes hoje na Ilha de Itamaracá, no Litoral Norte, possibilitará ao Governo do Estado fazer o melhor e maior projeto turístico do Brasil. São 1540 hectares para um mega projeto turístico com mar, turismo náutico, atrações gastronômicas e construções antigas, pois a colonização do país começou pela capitania de Itamaracá. Nenhum Estado do Brasil possui uma reserva imobiliária como é a Ilha de Itamaracá para o Estado de Pernambuco e uma Civilização do Açúcar que representa um produto turístico ímpar.



P.R -Em que tipo de atrativos a rede hoteleira de Pernambuco mais investiu para este final de ano?



J.O- Os Réveillons, tanto da Praia de Boa Viagem, como os dos resorts de Porto de Galinhas e pousadas de Fernando de Noronha de Noronha, foram extremamente aprimorados tanto pela experiência de anos anteriores como pela expectativa de uma das melhores ocupações dos últimos tempos. Nossas festas, nossos espetáculos pirotécnicos não ficam a dever ao Rio de Janeiro e Florianópolis.



P.R -Você acredita que, com a crise internacional, o fluxo de estrangeiros para o Brasil vai diminuir nos próximos meses?



J.O- O ano de 2009 é uma icógnita que poucos podem deslindar. A crise na Europa e EUA é uma realidade, por isso pode haver queda. Em compensação, temos que comunicar a esse cliente que com o dólar neste preço nunca foi tão bom para o estrangeiro vir ao Brasil.



P.R -O que falta para o Recife voltar a ser uma grande cidade turística do Nordeste, assim como são Fortaleza e Salvador, atualmente?



J.O-Nós já somos. Mantivemos desde Janeiro de 2008 até hoje uma média de ocupação de 80%. Esse resultado é fruto de um trabalho forte de marketing que reposicionou o Recife no ranking das capitais nordestinas de turismo, tendo a cultura como principal produto. O reposicionamento foi um sucesso. Veja pelas altas taxas de ocupação. Nossa cidade é diferente destas duas citadas, pois nosso mercado não está focado apenas em um tipo de viajante. Somos fortes em negócios, eventos, feiras, convenções, e agora achamos com a cultura o novo rumo do turismo de lazer.



P.R -Fala-se que o Nordeste recebe muitos turistas Europeus, mas poucos americanos. A que se deve esse fato?



J.O- Só agora temos acesso direto a este mercado com os vôos da AA e Delta que começaram neste último trimestre. Já começamos a trabalhar forte para colocar o Recife, Pernambuco e o Nordeste no mapa dos agentes de viagem americano. A preocupação em achar segmentos quer interessem a este mercado é muito grande. O turismo GLSBT (gay) pode ser um nicho. Dados da “International Gay and Lesbian Travel Association” indicam que no mercado norte-americano o potencial turístico desse público é estimado em 10% do faturamento do setor. Segundo a Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (ABRAT-GLS), o turismo gay é o mercado que apresenta mais crescimento no exterior. Enquanto 9% dos heterossexuais americanos viajam ao exterior, o percentual de gays é de 45%, sendo que 87% deles viajam através de agências de turismo. O Brasil seria o quinto país mais procurado para viagens pelos norte-americanos. A entidade ainda aponta que 33% deles viajam pelo menos uma vez por ano ao exterior, enquanto 85% viajam pelo menos quatro vezes ao ano para outras cidades.



P.R -Está comprovado que o turista gay é um dos que mais consome e viaja. Só no Brasil, trata-se do mercado que possui um poder de compra de R$ 111 Bi anuais. Você acredita que o Pernambuco já incentiva a visitação deste tipo público?



J.O- Acabamos de lançar pelo Convention o selo “Friendly- GLSBT. Pernambuco simpatiza com Você”. A adesão da hotelaria está sendo em massa. Faremos, em Janeiro, treinamento específico para nossos funcionários. A campanha é destinada a hotéis da capital pernambucana receptivos a este tipo de público.Até então, cinco estabelecimentos da capital já aderiram à campanha e os hotéis serão identificados com placas na recepção que conterão as cores do arco-íris, símbolo internacional do público GLBTS. Estamos investindo para tirar o melhor proveito desse mercado formado por 18 milhões de brasileiros, sendo mais da metade deles detentores de diplomação de nível superior.



(Por Fabiani Assunção, especial para a Política Real, com edição de Genésio Jr)