31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Oposição diz que Lula acordou tarde para crise. Parlamentares nordestinos questionam enfrentamento político adotado pelo Governo Federal contra a queda no crescimento da economia…

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Por admin
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(Brasília-DF, 28/11/2.008) Os parlamentares de oposição se uniram em torno de um único discurso, o de que o Governo Federal acordou tarde para crise. Alarmados com a notícia do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a estimativa para o crescimento do Brasil é de 3%, 1,8 pontos percentuais a mesmo que a previsão do FMI realizada para este ano.



Um dos motivos para a queda do número é o impacto da crise financeira global. E é com o argumento de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou inicialmente a crise como uma “marolinha” que a oposição acusa o governo de ser responsável pela diminuição do crescimento.



Na visão do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), um dos motores para colocar o país realmente dentro da crise é a quantidade de medidas e projetos de Lei que dão ajustes salariais e estão aprovados pelo Congresso Nacional. “Não sei como ajudar, mas sei que atrapalha o Senado aprovar um reajuste que R$ 91 milhões”, alegou.

Um dos impactos diretos da crise são os cortes que ocorrerão no Orçamento de 2009. De acordo com o relator da proposta, senador Delcídio Amaral (PT-MS), os gastos com custeio e investimento devem sofrer queda de 20%, em cada setor. E para Aleluia, “fica cada dia mais difícil com um orçamento desses”. Ele afirma que as ações tomadas ainda são tímidas e que é preciso que o Banco Central não trabalhe mais sozinho.

A reunião com ministros realizada esta semana, na visão de Aleluia, é mais uma prova de que o presidente não está fazendo o dever de casa. . “Esperávamos que de lá saísse alguma proposta para amenizar o sofrimento das pessoas. Não saiu nada. Infelizmente o governo brasileiro continua ausente. A Câmara e o Senado estão trabalhando contra o Brasil”, afirmou.



Aleluia reconhece que existe uma desaceleração de todas as economias do mundo e que o Brasil deve seguir o mesmo caminho. No entanto, ele afirma que é preciso mudar o comportamento diante a crise. “O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está prevendo um crescimento para a economia brasileira na ordem de 3%. Acreditamos que esse é um número razoável. Vai trazer muitos transtornos, mas as políticas que o governo colocou em prática até agora não dão sinais de que iremos crescer mais do que isso”, disse Aleluia.



Uma das sugestões do deputado para enfrentar a crise é de que o estado reduza o imposto de renda para que a classe média possa consumir mais e oferecer linhas de créditos para produtos nacionais. “Fazer propaganda não resolve, o que resolve é deixar mais dinheiro nas mãos das pessoas e o governo gastar menos. O governo está gastando muito mais do que devia e muito mal”.



Os tucanos também reclamaram da posição do governo diante a crise. O presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que o presidente só está percebendo agora que existe um governo para governar, além do tradicional aparente otimismo. O maior argumento dele é de que o governo acordou tarde para crise. Guerra lamentou a atitude do Governo Federal dizendo que o conjunto de tentativas para tirar o país do furacão da crise não produziu resultados.



Ele, assim como Aleluia, reconhece que o país tem condições de enfrentar a crise. Mas diz frisa que a postura adotada não está sendo adequada. “O presidente, em um primeiro momento, disse que não havia crise; em um segundo momento, reconheceu que ela existia, mas que ela não seria capaz de atravessar o Atlântico; no terceiro momento, disse que muita gente aqui torcia pela crise, mas que ela não chegaria ao Brasil. Num quarto momento, disse que era preciso enfrentar o Bush, porque o Bush é que tinha que resolver essa história. Num quinto momento, ele diz que a Oposição, ou setores da Oposição, torcem para o agravamento da crise. Agora, o novo momento é o Presidente pedindo para todo mundo consumir, e consumir cada vez mais”, descreve.



Na sua opinião, era preciso uma tomada de consciência geral para que o Brasil não saísse mais prejudicado. Isso porque, segundo ele, o grau do impacto depende da ação eficiente do governo e da sociedade. A sua sugestão é de que o país reconheça que não está em um ambiente favorável, convoque a todos para fazer os ajustes necessários e favoreça uma política de investimentos.



Uma de suas críticas é quanto ao cortes, que serão realizados. A não inclusão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo ele, não é uma avaliação correta. “Manter o PAC apenas por manter, permita-me afirmar, não vale coisa nenhuma, primeiro porque o PAC não tem cronograma e segundo porque o PAC não tem prioridade”.



Como membro da base aliada, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), propõe que o Congresso e o Governo Federal trabalhem juntos. “A agenda que precisaríamos estar discutindo é exatamente acompanhar os investimentos, acelerar o PAC, porque é isso que vai amenizar a força da desaceleração e da recessão globalizada. O que deveríamos estar discutindo é como aprimorar o seguro-desemprego, programas de qualificação profissional para que tenhamos resposta aos mais vulneráveis, porque acredito que este País vai sair na frente nesta crise”.



Na mesma linha, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirma que o país é menos vulnerável a crise e diz que um dos motivos é a qualidade dos programas sociais. “A crise será de forte impacto nos EUA, fortíssimo na Europa e de impacto importante, mas diferenciado, nos emergentes”, defende. Segundo ele, estão fortalecendo o país as medidas adotadas, como democratização do crédito, fortalecimento do Estado e dos bancos públicos, programas de distribuição de renda e de valorização dos salários, desdolarização da dívida pública, aumento das reservas internacionais, investimentos em infra-estrutura e incentivos ao setor produtivo, entre outras.



“O país realmente trabalhou nestes anos e se preparou para enfrentar situações difíceis”, afirmou Mantega contrariando a posição da oposição. “Desde o início nos preparamos para um novo ciclo de desenvolvimento”, completou. O ministro afirmou o cenário mudou e que o país tem se comportado melhor diante as crises. “Hoje estamos muito mais fortes do que nas crises vividas nos anos 90, que eram periféricas, não estavam no centro do sistema capitalista. Mesmo assim, o Brasil balançou em todas elas porque estava fragilizado. Imaginem se tivéssemos a crise de hoje nas condições de ontem. Já estaríamos de joelhos”.



(por Grasielle Castro com informação de assessorias- [email protected] )