31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Transporte em Pernambuco ganha fôlego com o Consórcio Grande Recife. Dilson Peixoto fala sobre a UL e sua atuação no Governo do Estado …

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Por admin
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(Recife-PE, 28/11/2008) Político petista, ex-secretário de Serviços Públicos do Recife na gestão do prefeito João Paulo, fiel escudeiro do ex-ministro da Saúde Humberto Costa, Dilson Peixoto, vereador do Recife licenciado falou sobre a sua atual função como presidente do polêmico Consórcio Grande Recife, implantado pelo Governo do Estado em substituição à antiga Empresa de Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) a fim de estruturar o transporte urbano; e sobre a Unidade da Luta da qual faz parte dentro do PT estadual ao lado de Costa e contrário ao Campo de Esquerda Unificado (CEU), o qual tem o prefeito João Paulo como líder. Confira a entrevista:





Política Real- À frente do consórcio Grande Recife, uma das jóias do novo modelo de gestão do transporte público da RMR será a implantação da nova modalidade de bilhetagem eletrônica, com o carregamento embarcado. O Sr acredita que projetos como este conduzem o sistema para a cobrança de tarifas mais baratas? Essa preocupação está dentro da sua pauta de projetos?



Dilson Peixoto- Esta é uma meta permanente: reduzir custos e ampliar a qualidade. Neste sentido, a tecnologia tem se mostrado excelente aliada. A chamada bilhetagem eletrônica é um grande exemplo.

O atual modelo, um dos primeiros do país, já está ultrapassado, com custos excessivos e desnecessários frente aos hoje disponíveis no mercado.

O nosso modelo, a ser implantado em janeiro próximo, racionaliza custos e melhora a operação nos veículos. Só para se ter uma idéia de custos, hoje o Sistema de Transporte da RMR gasta cerca de R$ 500 mil mensais, desde 1998, apenas com aluguel do sistema e dos equipamentos. Já a nova tecnologia adquirida após licitação pública, vai custar cerca de R$ 4 milhões, pagos ao longo de 48 meses! Sem falar, dos custos operacionais de carregamento dos cartões hoje praticados, envolvendo o aluguel de diversos imóveis, equipamentos, pessoal, etc.







P.R- Uma das grandes queixas ainda da população é a falta de infra-estrutura para o sistema passe-fácil. A população aponta o processo de carregamento como sendo sofrível e talvez o motivo seja o fato dele ser centralizado. É possível melhorar este serviço à população estudantil?



D.P -Este é um ponto central da nova tecnologia, o chamado “carregamento embarcado”, o que vai atender e resolver estas reclamações dos estudantes. Com o carregamento embarcado, os usuários vão fazer o pagamento de seus créditos, na rede bancária ou lotéricas e após a compensação bancária, seus créditos serão automaticamente transferidos aos cartões no primeiro uso, nos ônibus, nas estações do Metrô, nos Terminais de Integração. Este benefício será extensivo aos usuários do Vale Transporte Eletrônico, cujos empregadores hoje precisam de toda uma logística para recarregar os cartões.







P.R -Uma das promessas do governador Eduardo Campos – cuja equipe o Sr integra hoje – era a construção de três grandes terminais integrados de passageiros. Estamos terminando a primeira metade da gestão e a promessa não foi cumprida. O Grande Recife está atento a isso, à ampliação do sistema SEI? Vai ser possível cumprir a promessa?



D.P -O compromisso assumido pelo então candidato ao Governo Estadual, Eduardo Campos, não só está sendo cumprido, como será superado até o final de seu mandato. Afirmo isso porque, estão em obras 2 terminais: o Terminal prefeito Pelópidas Silveira (Paulista) e o Terminal do Cabo de Santo Agostinho. O primeiro será inaugurado em janeiro e o segundo, ainda no primeiro semestre de 2009. Ainda em janeiro estaremos licitando as obras dos Terminais do TIP e do Barro. E no primeiro semestre de 2009, licitaremos as obras dos Terminais: Xambá (Olinda), Joana Bezerra, Tancredo Neves, Aeroporto, Prazeres e Cajueiro Seco.

Estou falando de duplicar o que chamamos de SEI (Sistema Estrutural Integrado), nosso modelo de integração que garante o pagamento de uma única passagem por sentido, em qualquer cidade da RMR e utilizando ônibus ou metrô.









P.R -Recentemente foram canceladas 13 mil carteiras de livre acesso no transporte público da RMR porque a concessão deste documento de benefício foi irregular. Além dos portadores de deficiência, uma série de outras gratuidades no transporte são concedidas o que, segundo empresários, seria a razão para os preços considerados altos das tarifas. Pernambuco tem mesmo hoje um dos transportes mais caros e complexos do país? O que é necessário para organizar e baratear o serviço?



D.P- Permitam-me afirmar que não é verdade que nossas tarifas estão entre as mais caras, ao contrário, nossa tarifa predominante é R$ 1,75 uma das menores entre as capitais brasileiras. E do ponto de vista da organização do sistema, o SEI (tratado na pergunta anterior), é modelo para todo o país.

O que estamos fazendo é ampliar o SEI, preparando a licitação de todo o sistema de transporte da RMR (incluindo linhas municipais e metropolitanas) e licitando um projeto de modernização do nosso sistema, visando à implantação de corredores exclusivos de ônibus, adotando o conceito internacionalmente conhecido como BRT (Bus Rapid Transit), com o pagamento feito nas estações, o embarque no mesmo nível, a exemplo do modelo adotado em Curitiba e Bogotá, entre outras metrópoles.





P.R- Há lugares onde a população se queixa de não ter acesso ao transporte público. São localidades onde ônibus, vans do transporte complementar, metrôs… nada chega. O pleno exercício da cidadania e até democracia preconiza o acesso ao transporte, locomoção, direito de ir e vir. O consórcio assume a responsabilidade quanto a essa questão? Existe previsão para corrigir isso?



D.P-O Consórcio ao gerenciar todo o sistema de transporte da RMR, terá condições de criar linhas que atendam a grande maioria de nossa população. É com esta meta que estamos desenhando a nova rede de transporte, a ser licitada no próximo ano. Todos os modais serão contemplados: micro-ônibus, vans, ônibus, metrô, VLT (veículos leves sobre trilhos).





P.R- O corredor leste-oeste foi recentemente denunciado nos veículos de imprensa como uma obra cara, complexa, que prometia resolver um dos maiores problemas da malha viária e de transporte público do Recife, mas que não conseguiu fazer jus às previsões. Este assunto já tem ponto final para o Grande Recife? Há ainda planos de melhoria naquela área?



D.P- Este corredor, concebido e construído pela Prefeitura do Recife, foi uma das grandes contribuições do prefeito João Paulo ao nosso sistema de transportes. No mês de agosto último, realizamos os últimos ajustes na rede de ônibus que utilizam, principalmente a Av. Conde Boa Vista, gerando uma economia de tempo da ordem de 10 minutos por viagem, o que permitiu demonstrarmos a justeza daquela obra. A prefeitura está licitando a instalação de monitores de vídeo em diversas paradas do Corredor para informar, em tempo real, a previsão de chegada dos ônibus, além da substituição das paradas ao longo da Av. Caxangá, utilizando o mesmo padrão da Av. Conde da Boa Vista. Além disso, no próximo dia 1º de dezembro será inaugurado o Terminal Integrado da Caxangá (construído pela prefeitura), o que vai diminuir a quantidade de ônibus no Corredor, racionalizando o serviço e possibilitando mais mobilidade para os usuários, com os benefícios do SEI.

Aqui também vale destacar: a nova bilhetagem vai melhorar o funcionamento do Corredor, na medida em que o tempo de embarque será consideravelmente reduzido, tanto pela universalização do cartão eletrônico, quanto pelo menor tempo de leitura dos créditos disponíveis.











P.R- 2010 é um ano que promete ser promissor para a Frente Popular. Humberto Costa, que coordena a UL, vertente a que o Sr tb pertence, já anunciou que o apoio à candidatura de João Paulo ao Senado está condicionada a uma negociação interna no partido que envolva os interesses dos radicais do partido. O Sr tb já elegeu condições para subir em palanques em 2010?



D.P- O verdadeiro sentido desta fala do companheiro Humberto Costa é de que a definição de candidaturas, fundamentalmente majoritárias, deve ser precedida de um amplo debate interno, em busca de um acordo que contemple as diversas posições políticas do partido, afinal, ninguém é candidato de si mesmo.







P.R- Armando Monteiro e João Paulo no Senado, Maurício Rands e Humberto

Costa na Câmara Federal e Dilson Peixoto na Assembléia Legislativa. Seriam esses os planos para o próximo pleito?



D.P- Tenho dito repetidas vezes: 2010 será discutido em 2010. Agora é tempo de governarmos, tanto no plano nacional, quanto estadual ou municipal.





P.R- Este ano, a UL pretendia lançar outra candidatura à sucessão municipal e travou uma quebra-de-braço com o prefeito João Paulo, que radicalizou o debate, fechou o cerco e lançou João da Costa. O Sr foi acusado de ter levado às últimas sua fidelidade à UL e manteve-se distante da campanha de João da Costa. Nos próximos quatro anos, como deverá ser a relação do Sr, por enquanto à frente do consórcio Grande Recife e do futuro prefeito da capital pernambucana, a quem o Sr precisará recorrer necessariamente?



D.P- Para ser presidente do Consórcio, fui submetido a um processo eleitoral entre os sócios (governador Eduardo Campos e os prefeitos João Paulo e Luciana Santos). Fui escolhido por unanimidade e neste sentido, a minha relação com João da Costa, Renildo Calheiros e os demais prefeitos que ingressarão no Consórcio Grande Recife, será marcada pelo respeito e pelo esforço contínuo de construirmos, juntos, um sistema de transporte de qualidade e humanizado para todos.







( Por Fabiani Assunção, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)