Bancada do Nordeste. Índice de mortalidade infantil no Semi-Árido é o maior do país. Nordestinos e representante da Unicef traçam estratégias para melhorar o desenvolvimento das crianças…
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(Brasília-DF, 12/11/2.008) Os índices de mortalidade infantil do Brasil são considerados muito altos para a América Latina. E se forem olhando regionalmente e mais de perto, eles revelam que existem grandes disparidades no país. Durante um café da manhã com os membros da Bancada do Nordeste, o representante adjunto da Unicef, Manuel Buvinich, explicou que os números são muito divergentes de uma região para outra e que mesmo em estados com bons números é possível encontrar municípios com índices ruins.
A média nacional de mortalidade é de 29 a cada mil nascimentos. Isso mostra que anualmente morrem 80 mil crianças no Brasil. E no Semi-Árido esse índice está entre 32 e 34 mortes a cada mil nascimentos. Muito diferente da região Sul, que embora apresente municípios com dados iguais aos do semi-árido, tem índice médio pouco maior que o do Chile, que é de 7 mortes a cada mil nascimentos.
Paralelo aos dados de mortalidade estão os de pobreza, que também são maiores nas regiões Norte e Nordeste. Segundo Buvinich, a quantidade média de brasileiros considerados pobres é de 45%. Quando analisada somente a população nordestina, esse número sobe para 68%. Já no Semi-árido, o índice pula para 75%.
São com base nesses dados, que a Unicef decidiu centralizar parte dos seus trabalhos nessa região. De acordo com Buvanich, os resultados estão aparecendo. “Apesar de o número ainda ser considerado alto, no Semi-árido a taxa de mortalidade está diminuindo mais rápido que no restante do país”, disse.
Para se ter idéia da gravidade do problema, a Unicef estima que 70% das crianças de 0 a seis anos são consideradas pobres. E é nessa idade, que compõe a primeira infância, que o cérebro de uma criança é formado e que seu desenvolvimento é marcado. “Até o seis anos 90% do cérebro de uma criança está formado. Se há negligência nesse período, os impactos são para o resto da vida”, adverte o representante da Unicef.
Com a intenção de lutar para reduzir os índices, a Unicef espera que parlamentares e municípios entrem no combate. Entre os desejos da organização está a conquista de emendas para o orçamento do próximo ano com verbas direcionadas as crianças nordestinas. Buvinich explica que é na primeira infância que o governo deve atuar. “Se deixar para cuidar quando a criança estiver na escola ou na adolescência pode ser tarde. Estudos mostram que o investimento com maior returno é aquele realizado quanto menor está a criança”, alerta.
Os municípios que topam participar em parceria com a Unicef podem ser agraciados com um selo do Pacto Um mundo para a criança e o adolescente do Semi-árido. Este selo possibilita facilidades para conseguir financiamentos, pesquisas, além de o seu resultado elevar o Índice de Desenvolvimento Humano do município.
(por Grasielle Castro – [email protected] )