31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Recife espera fim de ano com aquecimento de 7% no comércio varejista. Presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Recife comenta a crise financeira mundial, traça prognósticos e fala das mudanças no pólo do comércio Na capit

.

Por admin
Publicado em

( Brasília-DF, 17/10/2008) A Política Real está atenta.



Nascido em São José do Egito, interior de Pernambuco, Sílvio Vasconcelos se formou em Economia pela Universidade Católica de Pernambuco e em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco. Começou a trabalhar no comércio em 1970, no ramo de confecções, depois disso trabalhou na empresa Souza Cruz, indo em seguida para a Engefrio. Em 1983, treze anos depois, Sílvio entrou na Esposende Calçados, tendo virado sócio dois anos depois. Atualmente, além de diretor da Esposende, Sílvio Vasconcelos é sócio da S.R. Consultoria e Comércio, empresa que existe há 2 anos. Em sua gestão como presidente da CDL-Recife está dando continuidade ao Projeto Reviver Recife Centro e estimulando o crescimento econômico, turístico e cultural de todos os pólos comerciais da cidade. A Política Real conversou com ele.





1-Como podemos dimensionar em que medida a crise financeira mundial já afeta hoje o comércio na capital pernambucana?



A crise, de fato, é grande, apesar de notarmos que há por trás de tudo o que se noticia sobre a situação, muita especulação. Acreditamos que as conseqüências mais danosas ao mercado não devem chegar ao comércio varejista pelo menos ate o final do ano. Pra se ter uma idéia, hoje a nossa expectativa é de que durante estes 3 últimos meses de 2008 o comércio varejista geral no Recife ganhe aquecimento em torno de 7%. Antes da crise estimávamos que esse percentual fechasse em 9% – que aliás, foi o mesmo que tivemos no mesmo período no ano passado. O que acontece é que a crise afeta principalmente a venda de bens duráveis, como automóveis e imóveis. Dentro do case de produtos que interessa nesta época do ano o consumidor final, quem pode sofrer efeitos da crise é o setor de eletro-eletrônicos, especialmente os produtos de maior valor, como os computadores, aparelhos e suprimentos de informática e os televisores mais modernos (LCD, plasma…). Mas, de fato, se não houver mudanças significativas no cenário mundial, a crise deve chegar com força no primeiro trimestre de 2009, quando o consumidor comum pode começar a sentir efeitos. Mas hoje, o setor de produção é que já sente dificuldades. Como no comércio, as empresas em geral já têm seus estoques formados à espera da grande demanda de final de ano, ainda não há repasse para a população da alta de preços. Bom… se formos falar de juros, talvez sim. O prazo médio hoje de pagamento parcelado no comércio vai de 4 a 6 pagamentos. Um aumento de juros e uma diminuição no número de parcelas ofertadas podem ser os primeiros sinais da crise por aqui, já agora, no final do ano. Isto, é claro, nestes setores que eu já mencionei que sofrerão mais – informática e eletros em geral. Mas, o aglomerado dos outros produtos, que normalmente alavancam as vendas de final de ano (setor de calçados, vestiário, CDs… artigos natalinos), esses sim, terão saída normal. É nisso que acreditamos.





2-Hoje, quais são os setores do comércio varejistas considerados os principais, os mais promissores para a economia da capital? Eletrodomésticos?



Pernambuco vive hoje um grande momento econômico. Ainda não posso falar em números, porque, no comércio, os efeitos são indiretos desse boom causado pelos investimentos já em andamento e os já anunciados no complexo industrial e portuário da região de Suape. Mas é notório que o comercio tem crescido bastante. Nesse movimento de crescimento, alguns artigos despontam, como o setor de informática e o imobiliário, em função dos investimentos trazerem novos habitantes para a região. Mas o que você percebe é que se há poucos anos via-se Recife como uma capital do turismo, hoje temos uma capital cujas atenções se voltam para o promissor turismo de negócios, a cidade entra na pauta de eventos e investimentos importantes e o comércio varejistas é positiva, direta e indiretamente afetado em médio prazo. A tendência, felizmente, é observarmos maior incremento em pouco tempo.





3- Dentro, então, dessas expectativas otimistas, quais os projetos em pauta mais importantes da CDL/Recife hoje?



Estamos focados em levar a CDL a todos os comerciantes do Recife. Para isso, criamos o programa “CDL vai até você”. Trata-se de um projeto itinerante, em que visitamos bairros e regiões do Grande Recife, realizando palestras, workshops e treinamentos, apresentando a CDL à periferia. Nestes encontros, esclarecemos dúvidas sobre SPC/Serasa, linhas de financiamentos para pequenos comerciantes, a importância do elo entre os poderes públicos e o consumidor. Além disso, por onde passamos, fazemos um cadastramento de todas as empresas instaladas no local, o tipo de negócio, traçando um perfil econômico da localidade. A meta é atingir toda a Região Metropolitana do Recife até dezembro. Também criamos esse ano uma cooperativa de crédito para beneficiar nossos associados. É o Unicred Empresarial, que é voltado para o pequeno e médio lojista, trazendo a esse segmento opções de financiamentos com juros diferenciados e taxas menores que as mais comuns no mercado. Enfim, estas têm sido nossas bases.





4- O Sr este à frente da CDL/Recife em 2006 e 2007 e foi reeleito para o biênio 2008/2009. Estamos encerrando o primeiro ano de sua segunda gestão. Já dá pra fazer um balanço?



A CDL Recife vem passando nos últimos anos por um longo e muito positivo processo de reavaliação. Adotamos como prática avaliar, planejar e executar conjuntamente e deixar uma tendência de gestão que deve ser sempre seguida pelos próximos presidentes. Foi assim quando assumi e espero ser assim quando passar o cargo a meu sucessor. Em geral, o melhor balanço que podemos fazer é a doação de uma fórmula de governança corporativa. A gestão é baseada em transparência total, com a participação viva e real na gestão de todo o conselho fiscal, diretoria e todos os associados. Começamos a adotar esse modelo de governança logo no início da gestão anterior, mas de forma estratégica, estudando os conceitos no primeiro ano e dissecando coletivamente o formato e começamos a por em prática nos dois últimos anos. Acredito que tem sido uma maneira de gerir a câmara que agrada e é aprovada pelos associados e fica a missão de aprimorar no próximo ano e deixar a estrutura pronta para quem vier presidir a CDL/Recife.





5- Quem são hoje os maiores parceiros da CDL/Recife?



A Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) e o Governo do Estado. Nossas parcerias são simples, mas atingem todos os objetivos a que se propõem. Com a PCR, temos o projeto Reviver Centro, através do qual trocamos todo o piso do corredor do comércio do centro (o que beneficia de forma direta uma média de 3 mil comerciantes). Além disso, fizemos também a recuperação das fachadas do corredor do comércio, a reorganização das placas, sinalizações e letreiros na área comercial da capital. Tudo isso melhora o acesso e a estética do centro comercial do Recife. Já com o Governo do Estado, nossa parceria é focada na área de segurança. Conquistamos a instalação de 200 câmeras de seguranças espalhadas pelo corredor do comércio, o que atrai mais o consumidor e garante a integridade de nossos comerciantes e colaboradores do comércio. Fizemos ainda um convênio com a Polícia Militar, em que financiamos todo o material de trabalho e infra-estrutura, desde binóculos, motos, instalação de postos de observação e a PM reforça o efetivo que cobre a área do comércio do centro do Recife. De acordo com a Secretaria de Defesa Social do estado, a partir dessas duas ações (as câmeras e o convênio com a PM), houve redução de quase 80% no número de registros de furtos e roubos na região do comércio da capital pernambucana. Isso é muito bom, porque traz de volta a população ao centro do Recife pra comprar, seja nos dias de semana, nos finais de semana, durante o dia e à noite. Esses convênios tem vigor de 2 anos, começando na minha gestão. A idéia é ampliar e aprimorar essas parcerias para o próximo ano, pensando já em deixar o caminho pensado e planejado para a próxima gestão.



( por Fabianni Assunção, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior)