31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Pio Guerra diz que o momento é para ficar quieto e esperar; Ele falou sobre o agronegócio no Estado, Política, Lula e sobre eleições. Pio Guerra é homem de destaque na Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil&#8

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( Recife-PE, 03/10/2008) Espontâneo, Pio Guerra, presidente da Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco – FAEP, recebeu a equipe do Política Real , em Pernambuco, cheio de expectativas para a agropecuária brasileira. Falou das perspectivas de mercado, a crise financeira atual, os problemas encontrados pelos produtores, principalmente de Pernambuco.



Em quase duas horas de conversa, Pio Guerra elogiou programas do Governo Federal, como o Bolsa Família e criticou a bandeira ideológica do governo Lula, que segundo ele, muda a cada dia. Fez uma avaliação positiva do momento eleitoral no Recife, mas chamou a atenção dos eleitores para a candidatura de “desconhecido”.



Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE e Produtor Rural desde 1969, com fazendas nos Municípios de Pedra e Gravatá, ambos no Estado de Pernambuco; Pio Guerra carrega na bagagem um extenso currículo, como a vice-presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA.



A equipe do Política Real em Pernambuco estará sempre trazendo novidades especiais para os leitores. Acompanhe a entrevista completa.







ENTREVISTA PIO GUERRA



P.R- Qual o( S) principal (is) incentivo (S) em Pernambuco para o setor agropecuário?



P.G- Não há nenhum incentivo do Governo Estadual de Pernambuco para a agropecuária local. O setor existe sem incentivo e o que o Governo Federal tem como política pública de crédito rural que é fortemente voltado para a agricultura familiar subsidiada, mas sem nenhuma conseqüência econômica. No governo de Jarbas Vasconcelos houve a criação de dois programas importantes que foi o leite e o programa de recuperação da Mata Norte e depois da Mata Sul, que tinham conseqüências diretas na produção de cana-de-açúcar e alguma conseqüência na produção do leite. Esse programa que era mantido exclusivamente com recursos pernambucanos passou a ser majoritariamente mantido com recursos federais, e destinado também a agricultura familiar, então para agricultura de mercado não há nenhuma tipo de subsídio.



P.R- E quais as maiores dificuldades encontradas pelo setor?



P.G- Dificuldades que são de natureza geral no país todo, com os preços dos insumos, falta de infra-estrutura, custos portuários, falta de crédito e existem dificuldades próprias à região de Pernambuco. Nós temos vantagens competitivas em setores específicos como em fruticultura irrigada, um pouco de cana-de-açúcar, carcinocultura, caprinocultura, e em as várias outras formas de agropecuária tem regiões brasileiras que são mais vocacionadas que PE, e como os mercados hoje são todos interligados fica difícil você conseguir desenvolver uma agricultura moderna, para competir com outras regiões brasileiras. Nosso clima cria dificuldades para a agropecuária, a nossa participação no PIB não chega a 10%, enquanto outras regiões têm 60%. São terras acidentadas, secas, regime de chuva irregular, solos pouco férteis, propriedades pequenas então tudo isso dificulta a construção de uma agricultura moderna, competitiva de mercado.



P.R-Diante das dificuldades de incentivos como a Faepe se posiciona em suas ações?



P.G-Nós procuramos sempre fazer um esforço para organizar melhor aqueles setores onde somos competitivos. Então nós temos aqui uma comissão estadual de carcinocultura, um sindicato de cultivadores de cana que cuida especificamente da ótica do fornecedor de cana-de-açúcar, estamos construindo agora uma comissão permanente de turismo rural, que é outra vantagem de PE pelo passado de riqueza da cana e a diversidade cultural que PE tem em regiões como zona da mata, agreste e sertão muito bem definidas, você pode estimular a criação do empreendimento turismo rural nessas várias regiões. E isso surgiu naturalmente como uma forma de agregar valor à propriedade. É muito comum em propriedades que não podem ter um tipo de exploração só para manter sua receita, diversificar o seu potencial de receita. Isso é muito comum no Sul de Minas Gerais por exemplo onde as pessoas produzem dois três produtos dentro de uma mesma propriedade.



P.R- Podemos afirmar que o setor agropecuário está se profissionalizando cada vez mais e o reflexo disso e um desenvolvimento do agronegócio no Estado? Por quê?





P.G-A classe média rural diminuiu muito, tinha uma época que a classe média rural era detentor do poder político e econômico, há 30, 40 anos. A maioria dos eleitores estava no campo, a principal base da economia pernambucana era canavieira, era rural e nessas regiões havia o R$, o voto, o poder, hoje não existe mais, A população rural ainda PE é elevada para realidade de uma a agricultura de qualquer lugar do mundo. SP tem a menor taxa de gente no campo e é a agricultura mais moderna do Brasil. EUA e Europa têm agricultura moderna e índice demográficos no campo muito reduzidos, e isso não acontece no Nordeste. Aqui tem cerca de 40% da população rural brasileira é natural que isso vá diminuir. a agropecuária não é alto empregador de mão de obra e cada vez será menos. As agriculturas modernas EUA, França em todos os países desenvolvidos que concorrem no mercado internacional de commodities de bens primários emprega 2%, 3% da pó rural e a gente em cultura tropicais vamos conseguir mais que eles? Por que eles são eficientes e a gente mais eficientes que eles, empregando 25%, 26% da população no campo? Não dar para ter isso. Houve um tempo que a produção agropecuária era a disponibilidade de terra X mão de obra. Quem tinha isso produzia mais. Hoje não é isso. O Brasil há 20 anos cresce; quase que duplicou a produção de grãos, e aumentou em 20%, 25% a área ocupada de produção, então houve um incremento tecnológico e um aporte financeiro significativo. Tem que ter dinheiro para comprar cimento, trato do solo, adubar, aplicar defensivos, comprar máquinas, pesquisas, gerenciamento competente; não é mais o esforço braçal da pessoa que consegue fazer isso. A capacidade dos bens primários tem se reduzido muito, o que você comprava com um saco de milho a 50 anos atrás não é mais o que você compra hoje, é muito menos. Então é por isso, que o Brasil o maior exportador de cana, de laranja, de café, álcool, carne, tabaco, etc. Geramos o ano passado R$ 40 bi de saldo positivo do balanço comercial, do contrário estávamos no negativo, quem sustenta os preços de alimentos sem subir?





P.R- Como o senhor enxerga o mercado no momento atual?



P.G-O momento de mercado e de completa apreensão.Só Lula acreditava que o Brasil estava blindado contra o processo. Esse processo vai nos causar problemas na falta de Credito para a formação da safra que acabou de ser plantada, principalmente os grãos. O credito oficial financia um pouco mais do 15% do PIB o resto é feito por empresas que financiam os insumos. E elas vivem do crédito internacional, no momento que fica mais caro você vai ter uma repercussão direta na qualidade da produção. Outro problema [e que o produtor não saber a como será comercialização. Essa insegurança gerada ara crise internacional cria a incerteza que desestimula o cidadão a ousar mais. É hora de ficar quieto. Esperar.





P.R-Durante muitos anos Pernambuco foi um grande produtor de cana de açúcar, com a baixa nos preços da tonelada alguns engenhos e usinas tradicionais no Estado fecharam suas portas. Com a possibilidade de um crescimento na produção de agroenergia, como o senhor vê o futuro da cana de açúcar no Estado?





P.G-A cana este ano atinge uma situação bastante perto do melhor momento da cana em PE. 21 mi, 2008 24 mi boa este ano. Houve momentos difíceis para o produtor de cana do Brasil inteiro, principalmente em PE. No passado de cada 100 toneladas, 70 T era do fornecedor de cana, de quem não era dono, que era grande classe média rural. Hoje 75% pertence as usinas. E não são mais 40 usinas são 15 ou 18. Houve concentração brutal da parte industrial e agrícola nas mãos de poucos grupos, quem eram mais competentes mais capitalizados e modernos sobreviveram e os poucos profissionais saíram, e os fornecedores hoje são muito poucos. sobreviveram. Por isso é necessário subsídios para quem faz atividades primárias. A exportação no passado era feita exclusivamente pelo nordeste, o que hoje não é mais, desta forma SP e outros estados ultrapassaram a gente. Continuamos competitivos, mas com menos tecnologia. A própria valorização da cana, tanto de quem conseguiu permanecer e de quem conseguiu reestruturar está ligado nesta possibilidade da agroenergia. Forma de energia limpa. Ela em nada se choca com a produção de alimentos. Isso sem dúvida dá um aquecimento à produção de cana de açúcar brasileiro. Há 2 ou 3 anos, eram em PE 12 milhões de toneladas, hoje, vamos fazer 21 mi. O mercado energético se abre e tende a crescer os números de novas unidades industriais no setor canavieiro, e não acontece PR acaso. Vejo com otimismo.



P.R- Outras áreas como a piscicultura e a criação de camarão estão tendo alto crescimento no país, qual a perspectiva desse segmento no Estado de Pernambuco?



P.G-PE tem área significativa de açudes e lagos que propicia a criação nessa linha, não consigo vislumbrar grandes projetos nesta área. Na criação de camarão, em PE tenha sido destaque no nordeste, com quase 95% da exportação de camarão, mas lamentavelmente há alguns anos, problemas de sanidade apareceram nas nossas criações, comprometendo a produção em 50%, inviabilizando grandes projetos. Recentemente, felizmente já se conseguiu técnicas para controlar o problema e voltar a ter um crescimento da criação. Nossa comissão na Faepe tem grande atuação nessa área junto com o SEBRAE traz técnicos do centro sul para discutir os problemas para ajudar os pequenos produtores. Enquanto isso, nós na Faepe incentivamos alternativas para diversificação da produção de seus viveiros, como peixes marinhos, ostras, aproveitando a estrutura física criada para o camarão e com isso criar outra cultura. A carcinocultura é uma atividade delicada. Os viveiros ficam concentrados na zona da mata, mas RN, CE tem produção infinitamente maior.



P.R- Que avaliação você faz da criação de gado na região agreste do Estado tanto para produção leiteira, quanto para o gado de corte?



P.G-PE é importador de carne bovina e não é mais importador de leite, embora o rebanho seja igual. Mas a pecuário de corte é muito reduzida. Importamos quase 80% . PE é o maior produtor de leite do Brasil, atas apenas da Bahia, porém a nossa produção é mais profissional e a deles extrativista. Hoje a palma forrageira que foi atacada pela cochonilha é o grande problema da pecuária leiteira de PE. O que compromete a produção do leite. A nossa região não favorece o corte, assim como as intempéries do semi-árido.O centro sul e o norte são mais propícios. Poucos frigoríficos cerca de 15 são autorizados a exportar e eles ditam os preços do mercado brasileiro. Hoje o preço da carne não está alto. Há 15, 20 anos a carne era muito mais cara.





P.R- Podemos afirmar que produção leiteira no agreste é uma alavanca para o agronegócio no Estado. Por quê?



P.G-Sim, é promissora a produção. Componente social bastante significativo. Já tentemos fazer uma comissão leiteira aqui na Faepe, mas até agora não fomos felizes, porque a capacidade de organização dos produtores ainda é reduzida. Deslocar um produtor de propriedade para ir para uma reunião é complicado. Ele está dentro da sua atividade e não pode estar saindo. Além disso, são muito objetivos. Se numa reunião ele não vê resultados imediatos, ele se desmotiva. Nossa capacidade associativa é baixa. Eu reconheço que a pecuária leiteira para o estado é importante, mas um dos equívocos do programa governamental é que a maioria dos laticínios está situado na Zona da Mata ou perto do Recife e você tem que ir buscar o leite na Zona do Agreste então o frete fica caro. Deveria ser perto para baratear custos. A antiga Cilpe quando foi privatizada e vendida para a Parmalat, essa fechou todos os pontos de recebimento de leite.



P.R- O que a Faepe indica hoje que o produtor plante ou crie?



P.G-Pernambuco tem suas especificações por causa dos diferentes climas. Se você quer produzir manga e uva vá para o Vale do São Francisco. Hoje há toda uma preocupação em se diversificar as culturas do Vale, como oliva, maçã, pêra, que hoje estão em fase de teste. Lá eles trabalham com o padrão de exportação e que se enquadre no gosto de quem vai comprar.





P.R- O que justifica o crescimento no turismo rural de Pernambuco tanto na zona da mata norte quanto na zona da mata sul? Quais os incentivos da Faepe para o setor?



P.G-Aqui em Pernambuco o turismo rural tem se mostrado como outra alternativa a ser incorporada também como fonte de receita à propriedade que tem infra-estrutura diferenciada,região mais bonita , equipamentos arquitetônicos do passado do período da riqueza da cana de açúcar que podem ser exploradas, características climática do sertão e do agreste que pode ser explorado. As principais áreas em que a gente é competitivo a federação tem uma atuação mais intensiva no contato mais presente com essas pessoas os produtores e são nessas áreas é que você identifica as questões políticas a serem trabalhadas pela federação. A Faepe reúne os produtores, discute o dia-a-dia da atividade, identifica as dificuldades e as vantagens, os atores, e estabelece um plano de atuação, o Sebrae nos ajuda com um planejamento. É claro que tem imperfeição, mas é um esforço para atuarmos de forma objetiva. As trilhas eqüestres que foram implantadas em Gravatá foi um projeto feito pela Faepe. E que deu certo. Há pesquisa que dentro do turismo rural, é o eqüestre que prevalece.



P.R- Amor pelos cavalos



P.G-Sou criador profissional de cavalos. E isso me despertou o interesse. Então, criamos a Comissão Nacional de Cavalos, dentro da CNA. Ela congrega, no Brasil, 23 associações de criadores e mais 10 federações de agricultura que tem o cavalo como principal atividade economia. Fizemos uma pesquisa que comprovou que o cavalo exporta mais que mel de abelha,mamão, flores e cachaça. E além disso, emprega 10 vezes mais do que a indústria automobilística.



P.R- O que a política em Brasília traz de bom para a agropecuário em PE?



P.G-O setor primário deixou de ter o poder que tinha na política brasileira depois que o voto passou a ser urbano e o capital passou a ser urbano e isso deixa de influenciar as políticas públicas. Os parlamentares hoje têm bem mais compromissos com as questões urbanos do que com a rural. Eu não conheço nenhum deputado pernambucano ou nordestino que faça parte da bancada ruralista. E conheço vários de outras regiões que têm a agricultura como uma fonte importante. Por outro lado, todas as bandeiras ideológicas que esse governo tinha foram alteradas, como a forte valorização dos funcionários públicos (não privilegiou em seus aumentos), aposentado (aumentou idade), redução da influência do sistema financeiro na economia e os bancos nunca ganharam tanta como ganham hoje. Então restou a bandeira do campo, que tem um componente ideológico forte e revolucionário. E a ação mais forte desse governo é através do Ministério da Reforma Agrária , que subsidia os movimentos de invasão de terra. O MLST recebeu R$ 5 milhões o ano passado e ainda assim invadiu o congresso. Então há leniência do poder público com os movimentos. A política pública assenta 400 e o governo desassenta 200.



P.R- O que o senhor acha do Bolsa família?



P.G-Tirando as distorções de uso que é natural de todo programa, acho que o país do nível de poder que tem aí, deve ter programas sociais, mas deve ser acompanhado pela sociedade, para que não se transforma num instrumento político eleitoral. E que exija do beneficiário do bolsa uma reciprocidade para que acompanhe a educação dos seus filhos, na sua ocupação, e não se torne um vagabundo, num páreo da sociedade que viva para receber o R$ sem fazer nada. No interior, mas do que o bolsa família, as aposentadorias voltaram a movimentar a economia local, que geralmente no interior vive em torno das prefeituras. Por que têm muitos nordestinos políticos? Tem porque numa cidade pequena, onde circula R$ é na prefeitura e as pessoas terminam se vinculando à administração municipal para não ficarem aleijadas do poder.



P.R- Momento político Recife.



P.G- A campanha ocorreu de forma democrática. Os candidatos que estão aí, excluindo do PT que colocou uma pessoa completamente desconhecida, os outros partidos colocaram os nomes mais qualificados que tinham. È claro que quando você enfrenta uma conjuntura política de um candidato desconhecido como é o PT, mas que tem o apoio oficial do governo federal, estadual e municipal, esse candidato tem vantagem na competição. E ainda quando o índice de aprovação do governo federal é grande como esse de Lula. Você só coloca um candidato desconhecido na disputa eleitoral quando ele tem força ou quando você sabe que não pode ganhar. Foi o mesmo que aconteceu com Roberto Magalhães nas eleições de 2000. Ele tinha o apoio federal, estadual e municipal e perdeu a eleição???????????????? Não entendo. Me lembro que João Paulo prometeu construir 40 mil casas e Roberto o questionou. Onde ele construiria uma vez que não tínhamos local? Como um sujeito promete o que não é viável fazer? Ele deveria ser naturalmente descredenciado pelo eleitor. Mas se elegeu, reelegeu e hoje é uma liderança importante no estado, tanto é que à revelia, (de acordo com os jornais), impôs um candidato desconhecido e que está liderando as pesquisas, com uma posição bastante vantajosa e confortável.



P.R- Uso da máquina- o senhor acha que as denúncias de uso da máquina influencia na eleição de João da Costa?



P.G-Influencia, mas não sei como. Não é possível que a pessoa veja aquilo tudo e …. mas não digo a você que não votam nele, porque João Paulo falou aquele absurdo das 40 mil casas e não deu em nada . O cara vai ver tudo isso, votar e decidir. Quando se escolhe um candidato, se olha tudo, a simpatia, entre outras coisas ….O mesmo aconteceu com a reeleição de Lula em 2006, com a quantidade escândalos depositados em cima dele. Na verdade, é difícil distinguir as diferenças entre o governo de FHC e Lula, eles andaram na mesma reta. A política de juros está completamente errada. É patético é você ver o vice-presidente da República dizer todos os dias que os juros estão altos. E continua beijando a mão de Lula. Se você é vice-presidente e tem como principal discurso que os juros estão errados. Saia do Governo meu amigo?! Me preocupa a crise financeira atual. O que vai acontecer daqui para frente? Me preocupa essa história com Hugo Chavez, Evo Morales. O Brasil não é isso. Não devemos nada. E o Governo dá cabimento. Acho que a política internacional do Brasil está equivocada.





( Por Maria Carmen Chaves, com equipe, e edição de Genésio Araújo Junior – redacao@políticareal.com.br )