31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Microcrédito é alternativa contra miséria no Nordeste Contratos de pequenos empréstimos aumentam e diminuem a pobreza da região&#8230;<BR>

.

Por admin
Publicado em

(Brasília-DF, 18/07/08) Os nordestinos têm assinado mais contratos de pequenos empréstimos na região e isso teve impacto imediato na economia. De acordo com um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, cerca de 300 mil empreendedores da região assinaram este ano o contrato do Crediamigo- Programa de Microcrédito Produzido e Orientado pelo Banco do Nordeste. Com esse incentivo, o banco acredita que conseguiu tirar mais de 40% dos clientes que ganhavam até R$ 125 por mês dessa margem de pobreza. Estes empréstimos são de até R$ 10 mil com juros de até 3%. E a estimativa do banco é de chegar a 2011 com um milhão de clientes.



Nesta semana durante a apresentação dos resultados do Banco Nordeste, um dos responsáveis pela pesquisa, o economista Marcelo Néri, afirmou que essa é uma forma solidária de combater a miséria. Segundo ele, a maneira como o crédito é aprovado é uma forma solidária. No entanto, em trabalho publicado recente sobre o microcrédito, Néri destaca que o empréstimo por si só não gera desenvolvimento, mas é capaz de viabilizar a realização de sonhos.



Segundo ele, o programa faz sucesso porque é de fácil acesso e dá aos produtores pobres o crédito, graças à metodologia de aval solidário, em que três a dez microempresários formam um grupo que se responsabiliza pelo pagamento integral dos empréstimos. Ou seja, se uma pessoa não tiver condições de pagar, o grupo paga. E isso eliminar a necessidade de um fiador ou a de se apresentar como uma pessoa capaz de pagar o empréstimo. Ainda assim a média de inadimplência é baixa. Em 2004 ficou registrada em 0,84%.



Inicialmente os empréstimos variam entre R$ 100 e R$ 2 mil, já a média é de R$ 868. Os que envolvem capital de giro com aval solidário são os mais utilizados, comportando 88% dos clientes ativos do Programa. Em 2004, foi emprestado R$ 441 milhões em 508 mil empréstimos. O programa mostrou os primeiros resultados após cinco anos do seu lançamento em 1997. Aparentemente consolidado em 2003, o Crediamigo registrou136 mil clientes ativos e com R$ 368,2 milhões aproximadamente em empréstimos na carteira ativa.



Além disso, a oferta de microcrédito do Banco do Nordeste mostra que a facilidade de acesso ao crédito. Segundo a publicação de Marcelo Néri, a maioria das pessoas que optou pelo microcrédito não tinham tido nos últimos três meses assinado nenhum outro contrato de crédito. Com impactos no lucro do contratante de 30,7%, o programa se expandiu substancialmente este ano. Em fevereiro, a Fundação Getúlio Vargas divulgou um balanço com aumento de contratos de 3,97% para 6,27% nos três meses anteriores à realização da pesquisa.



Para Marcelo Néri, o que intriga é o fato de um crédito produtivo, artigo de luxo, fazer tanto sucesso no Nordeste, a região mais pobre do país. Ele aponta como uma das alternativas a essa dúvida a acessibilidade e o resultado do programa. Além disso, na sua opinião, esse crescimento desmente o fato de que o microcrédito estaria ligado a zona rural. Para ele, o Crediamigo que representa 65% dos contratos de microcrédito no país são operações simples que ainda geram lucro. O impacto na renda de famílias é o que mais lhe chama atenção.



Tanto sucesso deu ao programa o apelido de Grammem Tupiniquin. O Grammem foi um programa de crédito ganhado do Prêmio Nobel da Paz em 2006. Isso porque assim como o Grammem o Crediamigo está diminuindo as desigualdades sociais. O Grammem brasileiro utiliza tecnologia solidária viabilizando boas oportunidades de negócios. De acordo com Néri, ele assim como Grammem Bank dá garantias as carências dos pobres diminuindo assim a linha da pobreza.



Números do microcrédito:

Crescimento de 30,7% no lucro operacional dos contratantes

Aumento na despesa das famílias de 13%

As mulheres representam 62% dos clientes do Crediamigo – Apesar de minoria (35,1%), no conjunto de microempresários e apresentam lucro operacional 21,17% inferior ao dos homens e embora entre os dois períodos tenham apresentado um crescimento relativo de 4,1% acima do dos homens.

Além disso, o programa gera lucro de R$50 por operação ao ano levando em conta todos os custos.



(por Grasielle Castro – [email protected] )