31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Refinarias no Nordeste exigem mão-de-obra qualificada Parlamentares cogitam mudanças no Sistema S para calçar investimentos para a capacitação de pessoal…

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Por admin
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(Brasília-DF, 11/07/08) A chegada de três refinarias no Nordeste já alertou os parlamentares da região à necessidade de mão-de-obra qualificada. Pensando nisso, alguns parlamentares que compõem a Bancada do Nordeste estão articulando políticas para investir na capacitação de pessoal da região. Inclusive se aliar a projetos capazes de investir em pessoal, como bancos, centros técnicos, faculdades e até o próprio Sistema S. O investimento destinado as refinarias anunciado pela Petrobras é de R$ 62,3 bilhões e isso financiaará a criação de muitos empregos. A estimativa é de que só no Ceará sejam gerados cerca de 90 mil postos de trabalho.





O deputado José Guimarães (PT) é do Ceará, um dos estados que junto com Rio Grande e Maranhão serão contemplados com os investimentos da Petrobrás, é um desses que está de olho no desenvolvimento da região. Segundo Guimarães, o investimento é o maior que o Ceará já teve em toda sua história – são quase R$ 20 bilhões. “Não é pouco dinheiro. O impacto na economia cearense é extraordinário”, adverte. Ele lembra que para receber a refinaria é preciso que o governo do cuide da infra-estrutura, que significa um bom terreno, água em abundância e energia. Já a Petrobrás entra sozinha com os recursos. “E em contrapartida, será preciso qualificar a mão-de-obra. Um grande trabalho porque a previsão segundo o presidente da Petrobrás, se tudo ocorrer conforme combinado já iniciam as obras agora em 2009”.





Outro fator que reforça a agilidade para formação da mão-de-obra é o pré-sal encontrado no Espírito Santo. Já em setembro a Petrobrás começará a explora-lo e será preciso uma refinaria já instalada para fazer o refino. Segundo Guimarães, sem passar pela refinaria, apenas com o óleo bruto, a petrolífera brasileira perde muito. Para atender a demanda da refinaria, o parlamentar acredita que vai ter que ser feito um amplo programa de qualificação da mão-de-obra. “A geração de emprego será muito alta e tem que ser emprego altamente qualificado. Penso que nós vamos ter que envolver Governo do Estado, Petrobrás, Sudene, Banco do Nordeste, Sistema S, o que for preciso para qualificar o pessoal até para não trazer mão-de-obra de outros estados, tem que ser do Ceará para podemos atender a demanda que vai ser gerada pela instalação da refinaria”.





Mexer no Sistema S, para o deputado, é uma medida que exige compensação. Segundo ele a medida do Ministério da Educação, que tramita na Câmara dos Deputados, é importante, mas também é fundamental rediscutir a questão dos royalities. “Não dá mais para ficar só entre os estados, é tanto dinheiro que vai ser gerado, tanta riqueza, que não pode ficar só naqueles estados, no Rio de Janeiro, São Paulo e no Espírito Santo. O presidente da Petrobras falou até na criação de um fundo… é preciso maturar essa idéia do Sistema S. Se ele entra na parceria para qualificar profissionais, ele está investindo no homem, em última análise na educação, portanto pode ser sim compensado”, diz.





O Sistema S depende do dinheiro que as empresas pagam de imposto e é direcionado para o complexo capacitatório. Os recursos são investidos no estado de forma proporcional ao que é arrecadado nele. São Paulo, por exemplo, é o estado que mais recebe aplicações do Sistema S porque é o que mais paga imposto e menos tem incentivo fiscal. Outro parlamentar que pensa em discutir com o Sistema S investimentos no Nordeste é o deputado Chico Lopes (PCdoB) também do Ceará. Ele conta que para qualificar essa mão-de-obra, que é necessária, ele está se reunindo com os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) do Ceará, com o Senai e todo Sistema S e com o sindicato dos petroleiros.





Junto com essas entidades, o deputado diz que será preciso conversar com as secretarias de educação estaduais porque as universidades formam engenheiros aprofundam na tecnologia. No entanto, também é preciso profissionalizar o nível médio. “Precisam de profissionais de nível técnico que vão de marceneiros, estaleiros a pessoas que verificam estradas…” Para isso, ele destaca que é preciso que o país dê atenção para o Ensino Médio Básico e Fundamental. “Eles não profissionalizam e para isso nós precisamos da tradição do Senai, Senac, Centros Técnicos. Nós temos que saber que tipo de profissionais nós estamos formando. Se eles são torneiros, soldadores, o que nós vamos precisar. Precisamos qualificar a nossa mão-de-obra”, alerta.





Guimarães também concorda com Lopes de que é preciso investir na educação básica. Segundo ele, esta é a hora de o país investir no capital humano. “Acho que estamos criando as condições para muitas parcerias serem feitas. Principalmente para atender a demanda do mercado do trabalho. A geração de emprego, o crescimento que o país está tendo, o governo tem que apostar todas as suas fichas agora”, afirma. O deputado lembra que o Programa de Aceleramento do Crescimento, a Petrobras, o início da discussão sobre a questão da defesa nacional são centrais para um amplo programa de investimento na educação básica e fundamental. “Sem isso o país não terá sustentabilidade porque ele tem mercado de trabalho e não tem mão-de-obra qualificada. Mais que interiorizar as escolas técnicas e de ensino superior é preciso fazer um programa massivo porque dado o tamanho do país ainda não é suficiente”, afirma.



O Rio Grande do Norte também está correndo contra o tempo para profissionalizar sua mão-de-obra. A deputada Fátima Bezerra (PT-RN), membro da Comissão de Educação, contou que seu estado foi bem contemplado no sentido de fortalecer a educação profissional. Um exemplo, segundo ela, é a quantidade de Cefets que cresceu mais de 100%. “Há seis anos haviam apenas dois Cefets no Rio Grande do Norte, um em Natal e outro em Moçoró. Hoje são cinco Cefets instalados”, diz.



Mas a deputada reconhece que esse número ainda é baixo. E é por isso que, de acordo com ela, estão sendo implantados outros seis. A previsão da deputada é de que até 2009, nove Cefets estejam em funcionamento para profissionalizar todo pessoal. “Onde será a refinaria, em Natal, no próximo ano já teremos todos os Cefets funcionando”, destaca. Além disso, Fátima lembra que Moçoró é o abrigo da Escola do Petróleo e que será lá onde muitos profissionais que trabalharão na refinaria serão formados.





(por Grasielle Castro – [email protected])