31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Produção de mamona pode ter novo impulso no Nordeste. Inauguração de duas plantas da Petrobras e elevação no preço da mamona devem estimular expansão da área plantada…

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Por admin
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(Brasília-DF, 20/06/2008) A produção de mamona na região Nordeste deve passar por uma verdadeira transformação a partir do segundo semestre deste ano. A expectativa é de ocorra um salto na produção com a entrada em funcionamento de duas plantas da Petrobras para a extração do óleo, o reajuste no preço da mamona e a oferta de melhores sementes. “A entrada da Petrobras muda o cenário porque ela passa a organizar a base produtiva para atender suas plantas industriais e representa uma garantia de compra da produção”, destaca o coordenador do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Arnoldo de Campos.





A duas plantas da Petrobras, localizadas em Candeias(BA) e Quixadá(CE) já estão concluídas e devem ser inauguradas no próximo mês. A expectativa é que o presidente Lula esteja presente. Cada planta tem condições de absorver a produção de aproximadamente 20 mil pequenos produtores. Uma terceira planta, em Montes Claros(MG) está em fase de conclusão. O investimento da Petrobras procura atender a exigência da Lei 11.097/2005 que estabelece percentuais de óleos vegetais a serem adicionados no óleo diesel, o chamado biodiesel. A partir de 1º de julho próximo, todo diesel consumido no país deverá conter obrigatoriamente 3% de biodiesel, mistura batizada de B3.





PREÇOS – As milhares de famílias de agricultores do Nordeste que cultivam mamona devem receber outra boa notícia na primeira semana de julho, quando será anunciado o Plano Safra 2008/2009. A expectativa é quanto ao preço que será estabelecido para a mamona, já que é um produto que tem seu preço mínimo garantido pelo Governo Federal. “Posso adiantar que a mamona terá um reajuste significativo”, afirmou Arnoldo sem dizer exatamente qual será o valor. Atualmente o produtor recebe entre R$ 1,00 e R$ 1,20/Kg. Em 2005, o produtor recebia, em média, R$ 0,25/Kg.





Arnoldo observa que existe uma diferença muita grande quanto à produtividade alcançada por cada agricultor que cultiva mamona no Nordeste. Há casos de famílias de pequenos agricultores que conseguem rendimentos de apenas R$ 300,00 por hectare. A maior renda pode chegar a R$ 2 mil/Ha. A Bahia apresenta os melhores índices de produtividade, enquanto o Ceará e Piauí tem os indicadores mais baixos. A previsão para a safra de 2008, cuja colheita vai de julho a outubro, é de 1,3 bi de toneladas. O volume é suficiente para atender a demanda de adição ao diesel e para abastecer a indústria ricino-química.



FAMÍLIAS – Segundo Arnoldo, a produção de mamona já teve a participação de aproximadamente 50 mil famílias no Nordeste. O número caiu em função de secas enfrentadas nos dois últimos anos, principalmente no Piauí. “Acredito que o número de 50 mil famílias, será alcançado novamente e até superado. Agora os pequenos produtores têm assegurada uma colocação da safra, notadamente após os investimentos da Petrobras”, destaca. Em agosto a Agência Nacional do Petróleo(ANP), vai contratar a produção para atender o consumo do último trimestre. O leilão acontece na modalidade menor preço





O Governo Federal quer aumentar o número de famílias de pequenos agricultores envolvidas na produção da mamona e também elevar os níveis de produtividade. Para isso investe na assistência técnica e abertura de linhas de crédito, além do melhoramento e produção de sementes. Conforme Arnoldo, além da Embrapa, os governos da Bahia, Ceará e Piauí estão produzindo sementes.





Outra cultura que vai ampliar seu espaço para a produção de biodiesel no Nordeste é o Girassol. A área plantada na Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte cresce em ritmo acelerado. Também ganham espaço o algodão e a soja, além do sebo bovino. Este último já responde por 10% da produção nacional de biodiesel. Diante de tantas opções para a produção, a expectativa é de que até 2010 o óleo diesel já contenha 5% de biodiesel, meta que só estava prevista para 2013.





( por Valdir Suzin, especial para a Política Real , com edição de Genésio Junior)