31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Partidos já costuram articulações para as eleições do Congresso em 2009. Entre as novidades a estratégia do PDT para o próximo ano não inclui a manutenção do bloquinho e PT trabalha para cumprir acordo e tirar Ciro Nogueira do p

.

Por admin
Publicado em

(Brasília-DF, 26/09/08) A existência bloquinho está ameaçada. Os partidos que compõem o grupo, PCdoB, PSB, PRB, PMN e PDT, não sinalizam o fim do relacionamento que se mantinha estável. A união, que começou em janeiro de 2007 para apoiar a candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) a presidência da Câmara dos Deputados, corre o risco de se desmanchar pela estabilidade dos outros partidos com relação as eleições municipais, as eleições para presidência da Câmara e já o quadro que se risca para eleições de 2010.

Com o quadro atual em andamento, a expectativa é de que o bloquinho se afaste. O deputado Severiano Alves (PDT-BA) foi o primeiro a se manifestar sobre o assunto. Para ele, a união dos partidos não faz mais sentido. “Não tem mais razão de ser”, afirmou. “Se depender de mim, não tem mais bloquinho”, completou. A opinião de Severiano é uma das que mais pesa na decisão sobre o grupo. Isso porque provavelmente ele será o próximo líder do partido e esse decisão será uma de suas competência.

A raciocínio de Severiano para a extinção do grupo é simples. O bloquinho foi criado para dar sustentação a candidatura de um candidato apoiado pelos partidos que formam o grupo para concorrer a presidência da Câmara contra Arlindo Chinaglia (PT-SP), que foi apoiado por um megabloco formado por oito partidos – PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC e PT do B. E levando em consideração que para as eleições da presidência no exercício de 2009 o quadro que se desenha é completamente diferente, Severiano não enxerga a possibilidade imediata de o chamado bloquinho lançar um candidato para a presidência da Casa.

Essa idéia de extinguir o bloquinho, no entanto, não é muito bem-vinda para o PSB, por exemplo. Com a aliança sólida e sempre disposto a indicar e apoiar um candidato forte, o PSB pode usar o bloquinho para se fortalecer e conseguir mais apoio. No caso, o amparo viria, principalmente, em 2010. Se a idéia mantida até o momento de lançar Ciro Gomes (PSB-CE) seja como candidato a presidência ou como vice for realmente projetada para 2010 o fim do bloquinho poderia representar um forte impacto na candidatura. Em candidatos para as eleições municipais, o bloquinho só perde o PMDB, que é o maior partido do país.

O deputado peessebista Marcondes Gadelha (PB), no entanto, desmentiu qualquer possibilidade de fim imediato do bloco. Segundo ele, essa idéia não procede. “Nós ainda não sentamos para discutir sobre isso”, afirmou. E na sua opinião, ainda está cedo para decidir sobre as eleições para a presidência da Casa, que só devem ocorrer na segunda quinzena de fevereiro do próximo ano. “Nós ainda vamos nos reunir e decidir qual vai a ser a estratégia para o próximo ano”, adiantou.

Até o momento, mesmo sem eleições para presidência da Câmara, o bloquinho se manteve unido em suas decisões políticas. A última de maior impacto foi a decisão de apoiar novamente Aldo Rebelo, mas dessa vez para ser vice-prefeito de Marta Suplicy (PT) na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Mesmo com obstáculos imputados pelo PSB, que demorou para se decidir se o bloquinho fechava ou não com Marta, o grupo permaneceu unido na escolha. E ainda recebeu instruções do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de manter o apoio a candidaturas do PT quando não o grupo ou os partidos isolados não tivessem candidatos próprios. E assim está sendo feito.

E apesar de ser um grupo separado, o bloquinho não é de nenhuma forma oposição e se une ao megabloco na formação da base aliada do presidente. Por isso, não abala a estrutura da estratégia presidencial de lançar um candidato a presidência da Câmara articulado em conjunto com a negociação da presidência do Senado Federal. O retrato que se desenha há cinco meses das eleições para presidência da Câmara pouco tem a ver com o cenário apresentado em 2007.

Eleições 2009

A união do megabloco está abalada para articulação das próximas eleições. O partidos que compõem o bloco não estão juntos em torno de um mesmo candidato. E dentro do grupo já existem dois nomes que foram lançados não-oficialmente, mas que já sondam o desempenho dentro de uma possível disputa. O Partido dos Trabalhadores, que já havia negociado com o PMDB em 2007 a presidência do Senado, está disposto a cumprir o combinado e sustentar a candidatura de um peemedebista na Câmara, segundo posto da sucessão da presidência e mais importante.

O PT trabalha com o nome de Michel Temer (PMDB-SP). Temer ainda não é muito bem visto nem está consolidado. Ele tem bons sustentadores, mas não tem passe livre no baixo claro. Para firmar o pré-candidato os dois partidos aguardam o resultado das eleições municipais para fazer uma análise do desenvolvimento e do poder de atração do candidato. O apoio a Temer vem em troco da força ao candidato petista ao Senado Federal. Até o momento, é o petista Tião Viana (AC), que está com a campanha a todo vapor. Mas o nome dele também não é o preferido pelo PMDB.

No páreo pelo Partido Progressista à Câmara dos Deputados está o deputado pelo Piauí Ciro Nogueira, atual líder do baixo clero. Em março deste ano, Nogueira já havia começado a se movimentar. Ele reconheceu que tinha o sonho de ser presidente da Casa, mas em seguida disse que só ia se decidir após as eleições municipais. E com as sondagens o apontando como favorito a estratégia do PT corre o risco de afundar. No entanto, nos bastidores existe a informação de que Nogueira estaria disposto a abdicar da sua candidatura caso o candidato peemedebista fosse o deputado licenciado, José Múcio (PTB-PE), atual ministro das Relações Institucionais.

(por Grasielle Castro e Genésio Araújo Júnior – redaçã[email protected] )