31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Gastão Vieira atribui influência de Sarney na decisão da nova refinaria e afirma que sua pré-candidatura é irreversível.A Política Real está acompanhando.

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Por admin
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Brasília-DF, 30/05/2008) Em uma entrevista especial à Agência Política Real o deputado federal, Gastão Vieira (PMDB-MA) fala da decisão de levar nova refinaria para o Maranhão e das questões desenvolvimentistas e eleitorais do Estado. O parlamentar é pré-candidato a prefeitura de São Luís e afirma que sua candidatura é irreversível. Além dele, a oposição no Estado vai lançar Pedro Fernandes (PTB), o deputado Cotrim (DEM), o deputado Waldir Maranhão (PR) como candidatos. Em entrevista Gastão avalia que pulverização pode ser benéfica. “Estrategicamente, ter todos esses candidatos me parece mais conveniente do que um só”, alega.



Ao analisar o desenvolvimento de seu estado, Gastão acredita que a chamada oligarquia Sarney ainda é a força maior. “Na verdade a decisão política da refinaria no Maranhão ela vem do presidente Lula, em função do prestigio do senador José Sarney e da extraordinária coincidência de que no momento que antecede esse anúncio um maranhense ocupa o cargo de ministro das Minas e Energia”, diz. O parlamentar argumenta que seria preciso uma reflexão sobre a critica “as oligarquias” defendendo que elas foram importantes para desenvolvimento do Maranhão e Bahia. Segue abaixo a entrevista na íntegra.







Como o Sr. vê o anúncio da localização da nova refinaria no Maranhão. A bancada do Estado está confiante na decisão?



O anúncio do ministro Lobão de que o Maranhão vai sediar uma refinaria para produzir 600 mil barris de petróleo por dia, um investimento de US$ 20 bilhões coloca todos os maranhenses confiantes de que o Estado vai cumprir o seu grande destino, em função de seu Porto, de seu complexo aquaviário, e de sua localização privilegiada como grande centro exportador. É claro que uma decisão dessa, que deixa de fora estados que vinham disputando uma refinaria como o Ceará e Rio Grande do Norte, implicam em algumas contra-pressões políticas. Mas na verdade a decisão política da refinaria no Maranhão ela vem do presidente Lula, em função do prestigio do senador José Sarney e da extraordinária coincidência de que no momento que antecede esse anúncio um maranhense ocupa o cargo de ministro das Minas e Energia. As reações contrárias são naturais. Mas próprio presidente da Petrobras já disse que a decisão é técnica e que o Maranhão apresenta pré-condições que nenhum outro estado do Nordeste pode apresentar. Então nós estamos tranqüilos com relação a essa etapa da decisão política.



Na sua avaliação como se encontra o desenvolvimento do Maranhão e qual sua percepção do governo de Jackson Lago?



Eu cada dia me convenço que o grupo liderado por Jackson e que chegou ao poder numa memorável vitória contra o nosso grupo, ele não estava preparado para governar, ele estava preparado para ganhar as eleições. Ou seja, o aspecto político era muito mais importante do que o que fazer com a vitória. Portanto, a imagem que o governador me passa, lembrando que gosto dele e o respeito pessoalmente, é que não tem planejamento, não tem estratégia, não tem pessoas na sua maioria que compreendam o Estado, que tenham uma visão de curto prazo para o processo de desenvolvimento estadual e o governo navega no sabor das circunstâncias e conveniências. O governador Jackson Lago chegou a entregar um estudo com relação a Refinaria, mas quando ele entregou a decisão já estava tomada. Portanto o governo do Estado participou muito pouco dessa questão. No dia do anúncio o governador não compareceu a solenidade e nem pediu ainda para as classes empresarias declararem apoio à Reinaria. Eu acho que falta essa grandeza de governar. Essa capacidade de imaginar que Estado dá um salto de altíssima capacidade econômica ao sediar uma refinaria. Eu acho que ou Dr. Jackson chuta o pau da barraca, no melhor da expressão, e governa da mesma forma como ele fez oposição, ou vamos ficar nessa coisa monótona que não vai nos levar num lugar muito distante.



O Sr. acha que o governador tem condições de fazer essa reviravolta tendo em vista as denúncias que recairam sobre ele referentes a Operação Navalha? E como o Sr. avalia o que deve ser feito em relação a essas denúncias?



É uma questão que está no âmbito da Justiça. É uma operação da Polícia Federal, com uma denúncia feita pela Procuradoria, e que vai para o Superior Tribunal da Justiça. Ou seja, há todo um enredo que me parece, à distância, consistente. Agora, acho que o governador tem condições de reverter do ponto de vista político. O que eu espero sinceramente é que ele consiga provar a sua inocência. Porque é muito complicado ter um governador de estado que esteja colocado em suspensão. Eu torço para que ele prove sua inocência. Eu sou um homem que acredito que o homem é escravo da sua própria história. E a história que eu conheço do governador Jackson Lago não condiz com o que ele está sendo acusado agora. Será muito bom que ele consiga provar rapidamente a sua inocência. E a melhor maneira dele fazer isso é autorizar a Assembléia a dar devida permissão para que ele possa ser processado e com amplo direito de defesa.



Deputado, como está a situação da sua pré-candidatura a prefeitura de São Luís. É uma decisão definitiva ou ainda existem negociações?



Minha pré-candidatura é algo muito pensado de um político que está em seu sexto mandato e sempre foi conhecido pela prudência. Eu já poderia ter disputado eleições majoritárias há muito tempo mas nunca o fiz porque nunca percebi que o momento político seria oportuno para uma candidatura com o meu perfil. Acho que agora existe isso. Creio que na minha cidade há uma certa insatisfação, uma espécie de decepção com os atuais dirigentes. Uma sensação de descoberta, que a população viveu, muito mais de discurso político do que da prática administrativa. Ao longo desses 20 anos que o PDT direta ou indiretamente dominou a cidade, ele não conseguiu enfrentar e dar soluções para problemas que estão se tornando cada vez mais graves. A saúde de São Luís é um caos. O trânsito não funciona, pois não existem vias de escoamento novas. Enfim, fora limpeza urbana que a população avalia como boa e educação que tem aspecto razoável de organização, o resto está tudo por fazer. Fala-se da oligarquia de 40 anos de Sarney, mas olha a oligarquia da prefeitura de 20 anos. E o balanço é negativo.



A população começa a perceber, pela maneira como Jackson governa, que esse pessoal da oposição não é de execução é muito mais de fazer política. É aí que eu, e outros candidatos, nos colocamos. Portanto o momento político é oportuno. Minha candidatura é irreversível, não há hipótese de eu retira-la. A não ser que aconteça um milagre, que não acontece todo dia, de termos um único nome de consenso para as forças oposicionistas. Como acredito que isso não vai acontecer eu me coloco irreversível na decisão.



Mas ainda há esperanças de conseguir levar apoios da oposição em torno da sua candidatura ou a pulverização de candidatos vai imperar?



As oportunidades de se fazer aliança já se consumiram. Eu acho que a lógica é que cada partido lança seu próprio candidato. Alguns também se declaram irredutíveis, como o candidato Pedro Fernandes (PTB), o deputado Cotrim (DEM), o deputado Waldir Maranhão (PR). Acho que se houver alguma aliança será apenas no segundo turno. Mas nesse primeiro turno não acredito que se possa marchar em torno de um candidato. Aliás, mantendo o quadro atual, só vejo uma chance de irmos para o segundo turno. Se nós quatro tivermos um desempenho razoável que permita um de nós passarmos para o segundo turno. Estrategicamente, ter todos esses candidatos me parece mais conveniente do que um só.



Qual a sua avaliação da atual conjuntura política do Nordeste, que teve uma mudança do perfil político nessas últimas eleições, com candidatos de partidos mais a esquerda ocupando às administrações?



Eu acho que falam muita coisa do Nordeste que não corresponde a verdade. Se olharmos os estados do Nordeste, famílias continuam dominando, com personagens diferentes, mas ainda dominando. Se olharmos para outros estados do Nordeste temos visto o sucesso de jovens políticos, mas todos ligados ao partido do PT, como Jaques Wagner, Marcelo Déda e Wellington Dias. Mas não é uma lógica de renovação que parte do candidato, mas é uma renovação que parte do poder do presidente Lula e da força do governo federal. No mais, você olha para Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e não encontramos renovação em termo de sobrenome.



Se olharmos o aspecto de desenvolvimento, aquele estado que dizem ser o mais oligárquico, no caso o Maranhão foi o único no Nordeste, com exceção da Bahia que teve um processo de desenvolvimento, grandes empreendimentos trazidos por essa chamada oligarquia. Se você olha o Piauí, qual é o grande investimento no Piauí? Nenhum. No Ceará, tem o Porto de Pecém e uma nova refinaria, mas não são grandes empreendimentos. No Rio Grande do Norte não há nenhum. Mas o Maranhão teve investimentos de US$ 7 bilhões no início dos anos 80. Teve a ferrovia Carajás, todo projeto portuário de São Luís, a instalação da fábrica da Luna, a instalação da grande unidade de exportação de minério de ferro da Vale do Rio Doce. Olhe que contradição. O estado acusado de mais oligárquico, foi o único que teve investimentos massivos em sua economia nesse período todo. Isso não significou melhoria para o povo, ainda não. Mas isso pode ser creditado a qualidade dos políticos que administraram o estado. A Bahia também se desenvolveu a partir de Antonio Carlos Magalhães. O Maranhão, nos 40 anos do Sarney, tudo o que tem lá, os grandes projetos, foi em função da influencia dos Sarney na vida política. Ou ele não era um oligárquico, e nesse ponto as análises estão erradas, ou o estado é tão abençoado que os investimentos caíram de pára-quedas.



Mas o Sr. admite que esses empreendimentos não trouxeram qualidade de vida a população. O que tem que ser feito de agora em diante, pensando inclusive na nova refinaria, para que o desenvolvimento seja revertido em benefício da sociedade?



O momento está exigindo dois tipos de sociedade. Uma que seja moderna, que seja capaz de compreender os caminhos do desenvolvimento e seja capaz de buscá-los. E para isso precisa ter força e vontade política. É preciso deixar as questões menores abaixo das questões maiores. No Maranhão se você se elege contra o Sarney, na hora de governar não sabe unir o seu prestigio, como o do Sarney junto a Lula. Prefere o discurso do lamento, dizendo que o governo não o recebe porque Sarney impede. Isso não é verdade. Nunca um governador do Maranhão recebeu visita de tantos ministros como o Jackson Lago. A segunda coisa a ser feita é capacitar mão de obra capaz de participar desse processo. Infelizmente nossos jovens não têm nem esperança. Estão desempregados, ou são vítimas da violência, ou praticam violência. Um programa educacional forte, bem planejado e definido ele vai fazer com que a outra ponta funcione. Eu acho que uma refinaria de US$ 20 bilhões, como que vai se fazer no Maranhão, se for bem conduzida muda a base de um estado por todos os seus efeitos. E acho que começamos a cumprir nosso destino, que a natureza nos deu, com potencial portuário. E farei tudo que for necessário colocando a educação como o ponto de mudança para o Maranhão.





( por Liana Gesteira Costa com edição de Genésio Araújo Junior)