ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Parlamentares petistas repudiam debate antecipado sobre 2010; Partidos da base aliada cobram diálogo para construção de candidato.
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(Brasília-DF, 04/04/2008) No início da semana o Instituto Datafolha divulgou uma pesquisa sobre ranking de candidatos a presidência da República em 2010. O cearense Ciro Gomes aparece em todas as pesquisas com boa intenção de votos, perdendo apenas para uma candidatura do tucano José Serra. A pesquisa coloca Ciro como nome favorito dentre os partidos que compõem da base aliada do atual governo, ficando bem a frente de qualquer nome do PT. Tanto os petistas como os aliados avaliam que ainda é cedo para iniciar debate sobre 2010. Mas os fatos já demonstram que será preciso muito diálogo na construção de um candidato que una os partidos de esquerda.
“A base tem muitos nomes viáveis, que não ficam restritos ao PT”, garante o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE). Para o parlamentar a decisão sobre as candidaturas em 2010 passa, inclusive pela possibilidade de lançamento de mais de um nome. “Temos que saber se vai ser um candidato da base, ou se serão vários. Mas manter a base unida significa ter tranqüilidade de não concentrar em nomes só do PT”, opinou.
“Não pode ser um dogma, mas é natural que o partido de um presidente bem sucedido apresente candidatos”, pondera Maurício Rands (PT-PE). O líder petista argumenta que haverá muito tempo ainda para esse diálogo com os partidos de base. Mas o presidente Lula, em suas viagens de inauguração de obras, está deixando bem claro a campanha em torno do nome da ministra Dilma Roussef. “Acho que Lula tem que viajar e lançar obras. Muita coisa está sendo feita e deve ser mostrada. Mas isso não pode significar o lançamento de nenhum nome”, alega Inácio Arruda.
O deputado José Guimarães (PT-CE) acha que uma campanha antecipada pode fragilizar tanto os candidatos como a relação com a base. “A disputa de 2010 passa por 2010. Acho precipitado lançar Dilma, ela deve ser preservada. Temos que centrar forças nas eleições municipais de 2008”, diz. Guimarães entende que o PT deve trabalhar para consolidar articulação com aliados na disputa eleitoral deste ano, como ficou definido no último encontro do partido. “Devemos trabalhar para vincular candidatos da base ao sucesso do governo Lula e consolidar relação com PSB, PMDB, PCdoB”, afirmou.
“Só interessa a oposição fazer o debate de 2010 agora”, declara Inácio Arruda. “Quando se está na oposição é preciso lançar candidato cedo, mas quando se está no governo é preciso ter mais cautela”, acrescenta Rands. O deputado explica que a antecipação de um nome do governo pode incorrer em um desgaste da imagem do candidato, como vem ocorrendo com Dilma Roussef. A ministra se tornou alvo da oposição depois que teve seu nome citado pelo presidente Lula como sucessora. “Antecipar um nome pode ser estratégia de valorização de alguém que quer se viabilizar, mas também expõe o candidato”, reflete Inácio Arruda.
O senador garante que a melhor estratégia para o governo é deixar a discussão da sucessão para 2009. “Antes disso não tem como tratar do assunto. Cada um que entra na disputa pode se inviabilizar”, avalia. O comunista, entretanto, exige que o debate da sucessão seja feito de forma ampla com os partidos aliados. “Em 2009 o PCdoB vai querer ter sua sugestão”,
(por Liana Gesteira – e-mail: [email protected])