31 de julho de 2025

Sudene. Eduardo Campos diz que chegou o fim da era da dispersão.Ele foi o último a falar.

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Por admin
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( Recife-PE, 12/02/2008) O governador Eduardo Campos, de Pernambuco, foi o último a falar na solenidade de empossamento do novo titular da Sudene. Ele disse, ponto alto de sua fala, que era chegado o fim da era da dispersão:



– Hoje, nós celebramos aqui o fim do tempo da dispersão nordestina. Aqui se afirma de forma pública o que estamos fazendo de forma reservada e o ministro Geddel é testemunha.



A unidade dos nordestinos está aqui, ela foi eleita em nome de tantos outros que aqui não podem falar, mas que assistiram com pesar não só enterrarem a Sudene, mas colocarem na cabeça das gerações que chegavam à sua cidadania, a impressão de que o caminho do Nordeste era a guerra fiscal era a luta entre a Bahia e Pernambuco e todos os outros Estados da Região.





Campos disse que a Sudene surgiu num momento histórico. Hoje vivemos outro, mas os comromissos do passado com o desenvolvimento continuam. Ele disse que neste novo momento é necessário forças para reverter as dificuldades físicas e humanas da nova instituição. Causou mal- estar o fato da solenidade de empossamento do novo titular da instituição se dar fora da sede.





Veja a íntegra da falação, de improviso:







Muito já foi dito aqui pelos que me antecederam, todos os governadores, o ministro Geddel e o superintendente Paulo. É uma hora de reconhecer e prestar a nossa homenagem aos que agiram e lutaram durante esses anos para que pudéssemos chegar aqui e também pensar na caminhada que temos pela frente. Aqui presto nossos sinceros reconhecimentos a professora Tânia Bacelar, também ao meu amigo Ciro Gomes, que andou neste Nordeste todo ouvindo a população, que desenhou o projeto que recebemos no Congresso Nacional ainda no primeiro ano do governo do presidente Lula.







Essa homenagem a Tânia deve ser entendida como a todos os servidores da Sudene, muitos que já não estão aqui. Devo dizer que foi com muita alegria que vi a primeira reunião dos governadores do Nordeste, dirigida por Wilma, a mais experiente do grupo, por já estar em segundo mandato, lá no Rio Grande do Norte. O primeiro ponto da pauta era uma posição dos governadores sobre questões estratégicas para o Nordeste, dentre elas, uma posição muito clara nossa contrária aos vetos que foram postos à medida provisória, e que, foram levados pela equipe econômica do presidente Lula.







Fizemos isso na condição de aliado, dentro do espírito de maior lealdade que pudemos fazer, porque não se pode duvidar da lealdade política, pessoal e fraterna da base de sustentação do presidente Lula no Nordeste e nem muito menos da qualidade da relação que o presidente Lula tem com os governadores que não são da base, como Cássio e Teotônio, e o espírito público que nos une neste momento.







Nós, desde aquele momento, daquelas reuniões que fizemos em vários Estados, parecíamos a busca do conselho do desenvolvimento da Sudene, criada ainda nos anos 50, de maneira inovadora, colocando os trabalhadores, os empresários e os cientistas, para falarem. Coisa que não conseguimos fazer nas nossas reuniões de governadores e começamos a fazer, a chamar ministros, setores da sociedade para discutir conosco e vamos fazer isso no conselho de desenvolvimento da Sudene, de preferência naquele espaço que foi conquistado ao longo dos anos.







Até porque quando a Sudene surgiu, não foi naquele prédio. Nós vamos conquistá-lo de volta, mas nós vamos fazer existir não pela força física, mas pela força política e real. A Sudene surgiu, e não surgiu da criação do grande presidente Juscelino, nem da engenhosidade do grande paraibano, nordestino, Celso Furtado, ela surgiu porque havia na sociedade brasileira, naquele momento, um projeto nacional.







Havia padres engajados na luta do povo, reunindo pessoas e mostrando as injustiças. Havia sindicalistas, um partido comunista ativo no meio dos estudantes e na periferia, intelectuais engajados, mostrando que era hora de quebrar com as velhas oligarquias que exploravam o povo e fazia o discurso da mendicância do Nordeste. Foi para quebrar essa velha política que o povo encontrou aliados como Celso Furtado e o presidente Juscelino e criou a Sudene.







Ao mesmo tempo em que o Brasil enfrentava alguns setores da elite paulista para criar a Petrobras, de maneira corajosa a Petrobras foi criada. Quando editoriais de jornais diziam: como pode um país pobre feito o Brasil vai criar uma Petrobras atrás de petróleo que não vai achar nunca?







Imaginem os senhores hoje o que seria do Brasil com um barril de petróleo a US$ 100,00 se homens e mulheres do povo não sustentassem na rua a decisão do presidente Getúlio Vargas de criar a Petrobras. Era um momento político, econômico, social, onde o Brasil olhava para o futuro com esperança e com fé.







Se hoje estamos reconstruindo, num passo importante a Sudene, é porque o Brasil e o Nordeste respiram um momento semelhante, inspirado pela eleição do presidente Lula, que teve discernimento e capacidade política de encontrar um Brasil à beira de um caos e reconstruiu os fundamentos macroeconômicos que permitem ao Brasil inaugurar um ciclo de crescimento econômico como o vivido nos anos 50, com ausência de liberdade nos anos 70, e como vai viver agora.







Mas para vivê-lo com equilíbrio, entendendo a diversidade desse enorme país, equilibrando a sua gente, é fundamental que a gente tenha instrumentos como a Sudene. Instrumentos que permitam um olhar diverso dos governadores, da academia, dos empreendedores, de todos os que sentem a importância desse momento. Hoje, nós celebramos aqui o fim do tempo da dispersão nordestina. Aqui se afirma de forma pública o que estamos fazendo de forma reservada e o ministro Geddel é testemunha.







A unidade dos nordestinos está aqui, ela foi eleita em nome de tantos outros que aqui não podem falar, mas que assistiram com pesar não só enterrarem a Sudene, mas colocarem na cabeça das gerações que chegavam à sua cidadania, a impressão de que o caminho do Nordeste era a guerra fiscal era a luta entre a Bahia e Pernambuco e todos os outros Estados da Região.







Como se essa dispersão fosse nos levar a algum lugar. Quem aqui assistiu, colunas e colunas de jornais, pessoas e lideranças a cantar em versos e prosas quem era mais ativo na disputa de um desenvolvimento que não chegou porque o Brasil estava parado.







Essa foi a palavra de ordem: medíocre. O tempo mais triste da vida nordestina que nós vimos abater a população mais pobre do Nordeste nestes últimos 20 anos. A eleição de todos estes homens e desta mulher que está aqui, independente dos partidos, foi obra da voz do povo dizendo que era hora de pôr fim a isso, unir o Nordeste e termos solidariedade uns com os outros. O que for importante para o Ceará e para a Bahia, ou qualquer outro Estado, terá o apoio do Governador Eduardo Campos e do povo de Pernambuco, porque o povo do Ceará é irmão do nosso povo, os baianos são nossos irmãos.







Acabar com essa dispersão que se finda aqui, vai exigir, como disse muito bem Cid Gomes, recursos humanos para fortalecer a equipe da Sudene. Será necessário buscar pessoas que estão fora, novos concursos, uma profunda interação com as nossas Universidades, e vai exigir recursos. Prioridade não é discurso, prioridade é orçamento liberado. Nós vamos acompanhar, e o conselho deliberativo da Sudene terá um fórum que a imprensa e a opinião pública vai ter acesso.







Eu quero dizer ao Ministro Geddel, que todos nós governadores vamos ao ministro Guido Mantega para ter uma conversa que ele nos deve desde o dia que ele colocou o veto à medida provisória e nos prometeu no Ceará, na reunião que tivemos dos governadores, que havia chegado a hora de discutir e agora a gente vai construindo os passos seguintes, importantes e estruturadores do que vai ser efetivamente a Sudene.







Eu tenho certeza que a Sudene será pujante, forte, à medida que a instituição, como era no início, tenha como seu roteiro a pauta do povo nordestino, da produção nordestina, da academia nordestina. Devo dizer que poucos conhecem o papel, por exemplo, que a Renorbio, rede de pesquisa em biotecnologia do Nordeste, que tive a oportunidade, quando ministro do presidente Lula, de efetivá-la e contribuir na pesquisa da diversidade dos biomas do Nordeste, em particular a caatinga, pensando nas alternativas para a agricultura familiar através de pesquisas de ponta.







Assim vai ser a nova Sudene, que vai ter inovação chegando às principais cadeias produtivas, uma nova Sudene que vai ter que ter recursos, incentivos fiscais quando necessário. A única forma de sairmos da guerra fiscal é a Sudene garantir incentivos fiscais diferenciados dentro do Nordeste. Eu defendo com muita clareza que estes incentivos têm que ser nacionais, para nos diferenciar, não só como Estado, mas dentro do próprio Estado, para permitir a interiorização que aqui falou Cássio Cunha Lima de forma extremamente correta. Nós precisamos efetivamente construir isso.







É uma caminhada para quem tem coragem, coragem demonstrada por muitos companheiros que estão aqui que nos proporcionou estar vivendo agora um momento de tamanha alegria. Ainda há muito caminho pela frente, mas com unidade, eu tenho certeza que com o apoio apaixonado, decidido e verdadeiro deste conjunto de governadores vai garantir que tenhamos uma Sudene com dinheiro e recursos humanos que a deixem bem junto do povo nordestino. Muito obrigado. Parabéns Geddel.





( por Genésio Araújo Junior com assessoria)