31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Nordeste poderá atingir meta de redução de pobreza se manter índices apresentados entre 2001 e 2005. Pesquisadores apontam programas sociais como importantes para o cenário. …

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(Brasília-DF, 02/11/2007) A Universidade Federal de Pernambuco, em parceria com o PNUD e o Instituto de Desenvolvimento Humano Sustentável, divulgou esta semana o resultado do estudo sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da Região Nordeste. A pesquisa aponta que a continuidade do índice de redução de pobreza detectado entre 2001 e 2005 pode levar o país, e também o Nordeste, a atingir meta do milênio em 2015.



O trabalho leva em consideração também os níveis de pobreza do Brasil nos anos 90. Entre 1991 e 2000 a pesquisa percebeu uma queda de 19,2 % na pobreza, mas a população do Brasil ainda era formada por 55 milhões de pobres. Em 1991, cerca de 67% dos habitantes do Nordeste eram pobres. Em 2000 a taxa caiu para 48,5 %. Apesar da queda o índice em 2000 ainda era alto, levando em consideração que dentre as 188 microregiões que formam o Nordeste, apenas 15 tinham menos de 30% de sua população na faixa pobre e apenas duas tinham índices abaixo de 15 %. Por outro lado, no Sul, 60 das 94 microregiões tinham índices de habitantes pobres abaixo de 30%.



Os estudos feitos entre 2001 e 2005 apontam para uma melhora significativa desse quadro, principalmente no Nordeste, que teve uma queda de 20 pontos percentuais em seus índices de pobreza. Em 2005, cerca de 34 % da população nordestina estava na faixa da pobreza, enquanto que em 2000 o índice era de 45,6 %. Os dados do período anterior mostram que todos os estados dessa região tinham mais de 40 % de pobres. Em 2005 apenas o Maranhão, Piauí e Alagoas encontravam-se acima dessa taxa. Na avaliação do estudo houve um crescimento na renda de pobres entre 2001 e 2005, e a redução da desigualdade na distribuição dessa renda.



O levantamento feito serviu de base para projetar como estará a situação do Brasil em 2015, e se as metas de desenvolvimento do milênio serão atingidas. Foram feitas diferentes pesquisas, baseadas em dois cenários – de 1991 a 2000 e de 2001 a 2005. Se forem levados em consideração os índices de diminuição de pobreza do primeiro período, a meta do milênio não será atingida em 2015. A expectativa é que 53,6 % das microregiões consigam diminuir a pobreza, mas sem atingir meta. No Nordeste apenas oito localidades conseguiriam chegar na meta. Neste cenário o nível de pobreza do Nordeste em 2015 ficaria em 44,9% da sua população.



Os resultados dos índices de 2001 a 2005 são mais positivos e detectam que a meta do milênio para as taxas d pobreza seriam atingidas. No caso do Nordeste, haveria uma diminuição de 67% de pobres em 1991 para 20,6 % em 2015. Os pesquisadores detectaram que políticas públicas como o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo em termos reais e a expansão do crédito para os mais pobres, levariam o Brasil a cumprir esta meta de erradicação da extrema pobreza antes do prazo previsto.



Para conseguir atingir esse cenário positivo o país precisará transpor algumas dificuldades. “Tais avanços estão ancorados em elevações dos gastos públicos e impostos. São necessárias políticas complementares no sentido de elevar o grau de empregabilidade dos indivíduos mais pobres, pois, por um lado, gastos públicos correntes elevados impedem maior redução da taxa de juros e deslocam recursos de investimentos e, por outro, dificilmente tais ações poderão ser expandidas a partir de novas elevações de impostos”, afirma Raul da Mota, coordenador do Núcleo de Opinião e Políticas Públicas (Neppu), da UFPE. O Neppu sedia o Laboratório Nordeste da Rede Nacional de Laboratórios Universitários de Acompanhamento dos Objetivos do Milênio desde 2004.



Além da avaliação dos índices de pobreza os estudos também avaliaram outros aspectos, como educação, saúde e meio ambiente. O aspecto mais problemático para o Nordeste revelado pelo estudo diz respeito a universalização do ensino básico. A pesquisa foi feita nas cinco regiões do país com a coordenação do PNUD em parceria com instituições de pesquisa.



(por Liana Gesteira com edição de Genésio Araújo Junior)